XXX Aniversário do Martírio dos Padres João Fuchs e Pedro Sallicilotti

Boletim Filacap nº 181 – Junho/2014

01Existe um envelope comemorativo do XXX Aniversário do Martírio dos Padres João Fuchs e Pedro Sacilotti por conta do carimbo Zioni nº 1009 emitido em São Paulo de 1º a 7 de novembro de 1964. Martírio significa grande sofrimento, suplício de martir, aflição.

O Padre João Fuchs nasceu no Cantão de Lucerna, na Suiça Alemã em 1880 e pouco se sabe de sua infância, a não ser um sentimento católico grande na família. Em 1901 fez o noviciato em Lombriasco, Itália vindo para Mato Grosso trabalhar em colégios como professor de ciências físicas e naturais. Retornou à Itália para tratamento de saúde e volta como missionário outra vez em Mato Grosso. Atendeu aos índios Bororós e a filhos de colonos na arte de ensinar, além da assistência religiosa aos garimpeiros.

Naquêle biênio de 1933 e 1934 a grande ânsia de Pe. Fuchs e de Pe. Sacilotti era encontrar os Xavantes que fugiam do encontro com os civilizados, procurá-los representava também o perigo da morte.

Padre Pedro Sacilotti nasceu São Paulo, em 1898, brasileiro descendente de família italiana 02de Veneza. Iniciou os estudos religiosas no Aspirantado de Lavrinhas e após foi enviado a Turim onde se ordenou padre em 1925.

Ambos os padres eram da Congregação Salesiana, uma Congregação religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana fundada em 1859 por São João Bosco e aprovada em 1874 pelo Papa Pio IX. Seu nome oficial é Pia Sociedade de São Francisco de Sales em homenagem a São Francisco de Sales, contudo, são popularmente conhecidos por salesianos de Dom Bosco.

03O principal foco da missão salesiana são os jovens, especialmente os pobres e em situação de risco. Em vista disso os salesianos trabalham também nos ambientes populares, com atenção aos leigos evangelizadores, à família, à comunicação social, e entre os povos ainda não evangelizados. A congregação é composta por irmãos de vida consagrada, que fazem votos simples de castidade, pobreza e obediência podendo optar também pelo sacerdócio. Entre as obras da Congregação salesiana pode-se citar os colégios e serviços beneficentes, espalhados por várias partes do mundo.

Os índios Xavantes estavam espalhados ao longo do Rio das Mortes, afluente esquerdo do Rio Araguaia em aldeias espalhadas entre o primeiro e o rio Koluene (maior braço formador do Xingu).

Em 1932 o Padre Fuchs obteve de seus superiores a licença de estudar e preparar um plano de penetração na selva e encontrar os Xavantes. Da cidade de Rio Conceição em canoa, enfrentando a subida do Rio Araguaia penetrou no Rio das Mortes até o barranco dos Xavantes. Ergueu ali um grande cruzeiro de cinco metros de altura e tomou posse em nome de Deus. Desciam o Araguaia, após o Padre Fuchs, o Padre Sacilotti com tres familiares para o encontrarem na localidade de Cocalinho.

04Em 4 de agosto de 1932 os dois padres e sua comitiva acamparam no Rio Cristalino, rio paralelo entre o Rio das Mortes e o Araguaia, seguindo a Santa Terezinha, aonde levantaram outro cruzeiro e rezaram uma missa, porém ainda sem avistar nenhum Xavante. Retornaram a Araguaiana.

Até 1933 o Padre o Padre Fuchs tinha percorrido milhares de quilometros e queria realizar o contato com os Xavantes antes da data de canonização de Dom Bosco. Com esse intuito foi a Belém do Pará adquirir uma lancha a motor (batizada de Maria Auxiliadora). A onda de azar (se é que assim se pode chamar) começou com a viagem de volta ao Rio das Mortes. Em São Benedito numa manobra inadvertida, a lancha entrou num redemoinho, virou e bateu contra pedras, sendo danificada.

A 25 de junho, na sequencia da viagem, aparecem as doenças tropicais. Chegando na cidade de Conceição foi hóspede dos Padres Dominicanos para tratamento e descanço. Em 16 de agosto retoma viagem e chega no dia 27 ao Rio das Mortes. Em Santa Terezinha reencontra-se com o Padre Pedro Sacilotti.

Explorando o rio, na localidade de Mato Verde, em frente a Ilha do Bananal construiram um rancho e em 3 de dezembro foi inaugurada a nova missão de São Francisco Xavier, assistindo à Missa um grupo de índios Carajás.

Em 24 de março de 1934 voltaram a navegar no rio das Mortes. Na baia de São João Bosco encontraram o cruzeiro derrubado e o levantaram. Encontraram ranchos abandonados e dormiram alí. No dia seguinte rezaram a Missa e continuaram.

Injustiça seria esquecer de José Pellegrino, nascido em Benevagienna, Itália em 1880. Veio ao Brasil com uma comitiva para Mato Grosso, trabalhando em várias casas e sendo designado cozinheiro em Araguaiana. Pessoa alegre, mas franzina e com defeito nos pés acompanhava os Padres nesta última empreitada, e se não foi vítima dos Xavantes, foi do próprio Rio das Mortes.

Em 1º de novembro de 1934 avistaram dois índios Xavantes num barranco. Os padres e o índio bororó Luis, piloto da lancha, Militão Soares, de Cocalinho, o garimpeiro holandês João Schiller e Serafim Marques, de Araguaiana aproximaram-se deles e o Padre Pedro falou-lhes em carajá, mas recebendo resposta ameaçadora. Os padres pediram que os tres integrantes da comitiva buscassem presentes no acampamento. Em seguida apenas se ouviu o Padre Pedro Sacilotti gritar: “Os Xavantes atacam!”. Havia cerca de cinquenta Xavantes escondidos nas folhagens da mata.

Todos fugiram desabaladamente , mas os dois padres enfrentaram o suplício. No dia seguinte a comitiva fez uma busca e encontrou os dois cadáveres a cerca de 500 metros do barranco, ambos com o cranio fraturado. Transportados para a margem, foram enterrados na beira do rio. Meses depois os restos mortais foram transportados para Araguaiana no cemitério que já acolhia os despojos de Pellegrino.

05

Bibliografia:

Salesianos Defuntos 1894-1954

Wikipedia

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