Carta-Bomba: Uma Peça Filatélica?

CARTA BOMBA, UMA PEÇA FILATÉLICA?

FIG 1Talvez seja a única coleção mantida apenas por organismos de segurança nacional de várias nações, que infelizmente existe a um custo muito, muito alto, de vidas. O artigo escrito não se trata de filatelia na acepção correta da palavra, mas de cartas que tem um destinatário único, que levam uma mensagem que explode ao ser exposta, deixando uma marca em quem a abre.

A HISTÓRIA

Fig 2 Salvador BofarullSegundo o investigador Salvador Bofarull, filatelista espanhol, os ataques com cartas já tem cerca de dois séculos de história. A primeira carta bomba foi entregue ao capitão geral da Galícia, Nazário de Eguia y Saez de Buruaga em 1829, resultando na amputação de sua mão direita. Somente em 1873 que se descobriu que o fabricante da bomba foi um farmacêutico liberal chamado Chao, com pólvora e vidro moído.

Outros historiadores atribuem a fabricação da primeira carta bomba a um sueco chamado Martin Eckenberg, que se suicidou em 1910 quando estava preso.

03 LivroSegundo Bofarull, os israelenses foram experts em enviar cartas bombas com apoio do governo, para criminosos de guerra nazistas localizados nos Estados Unidos, mas suspenderam o envio após o governo norte americano exigiu que encerrassem este tipo de atentado. Em 1947 uma organização sionista enviou uma carta bomba ao presidente Harry Truman por achar que seu apoio para a criação do Estado de Israel não era suficiente.

Na década de 1970 a investigação de Bofarull indica que os palestinos enviaram muitas cartas bomba contra israelenses ocupantes de cargos importantes na Europa. Bofarull escreveu o artigo “Un correo Letal: La Carta Bomba” , publicado no “Cuadernos de Revista Filatélica nº 8”.

COMO FUNCIONA UMA CARTA BOMBA

Atualmente as cartas bomba são produzidas com explosivos plásticos adaptados ao envelope, sendo ativados por um detonador que fica em um, nos quatro cantos do envelope. O explosivo plástico pode ser moldado para ficar fino como uma lâmina e no formato do envelope.

A detonação da carta bomba pode ser feita por um detonador interno, eletronicamente até por meio do toque do telefone, por controle remoto, ou por interromper um circuito elétrico preparado dentro do envelope.

A MENSAGEM

Fig 6Explosivos de pequeno alcance, que causem lesões na face, no olho, nas mãos ou braços servem para conseguir alguma coisa mediante ameaça real. Podem ser ameaçados ou sofrerem extorsão, políticos, empresários, dirigentes de empresas, por terroristas ou pessoas atuantes no narcotráfico. Estas cartas podem durar até dez anos sem explodir, segundo especialistas no assunto.

COMO IDENTIFICAR UMA CARTA BOMBA

As cartas bombas e os pacotes explosivos são usados extensamente com a finalidade de atacar uma organização ou indivíduo. Embora não haja nenhum padrão para carta bomba, determinadas características comuns poderão ajudar a identificar uma carta suspeita, por exemplo:

• Embalada de modo estranho
• Pacote danificado, com metais visíveis
• Cheiro de perfume
• Odores fortes tais como amêndoas, produtos químicos ou petróleo
• Distribuição desigual de peso
• Furos pequenos ou cortes, nas extremidades de abertura
• Endereço mal escrito ou datilografado com erros (nem sempre)
• Embrulhado excessivamente
• Fiação visível ou em relevo
• Manchas e marcas de dedos gordurosos
• Excesso de carimbos e selos, mais do que o necessário para o peso
• Conteúdo duro e volumoso

PROCEDIMENTOS AO SUSPEITAR DE UMA CARTA BOMBA

• Nunca tente abrir um envelope suspeito
• Ponha o pacote suspeito afastado das áeras de acesso, se possível
• Evacue a área e chame o esquadrão especializado da polícia
• Não confine o pacote suspeito, nem o coloque na água.

Ao receber uma correspondência em sua casa não se preocupe: segundo o jornal “O Estado do Maranhão” de 24 de junho de 2003 os Correios estão preparados com equipamentos de RX, espectometros de massa, além de detectores de metais e cartas bomba para tornar nossa vida mais segura. Em todo caso, é melhor ler e memorizar este artigo antes de atender ao carteiro…

Bibliografia

https://echenastamps.com/bibliografia-de-salvador-bofarull/
https://es.wikipedia.org/wiki/Carta_bomba
https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090416145859AAUt5Iy
https://elcomercio.pe/mundo/europa/cartas-bomba-historia-peligrosas-armas-145188
https://www.minutouno.com/notas/46997-como-funcionan-y-que-mensaje-ocultan-las-cartas-bomba
http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/TBR.pdf
http://imirante.com/sao-luis/noticias/2003/06/24/correios-possuem-equipamentos-para-detectar-drogas-em-correspondencia.shtml
Risco do Terrorismo com Bombas no Brasil, Vinicius Domingues Cavalcante, Universidade Federal de Juiz de Fora, 17/12/2012 do site:
http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/index.php option=com_content&task=view&id=1940&Itemid=68

Índice de figuras:

Fig. 1 – Carta bomba detonada
Fig. 2 – Salvador Bofarull
Fig. 3 – Capa do artigo “Un correo Letal: La Carta Bomba”, de Salvador Bofarull
Fig. 4 – Carta bomba desativada mostrando mecanismo
Fig. 5 – Carta bomba desativada

Dr.Roberto Antonio Aniche
Membro da SPP Soc.Philatélica Paulista
Membro da Sobrames Soc.Bras.Médicos Escritores
www.robertoaniche.com.br

O Deficiente Físico na Filatelia – Parte 3 – O Cecograma

Cecograma (s.m.; de caecus = cego + gr. grámma, pelo lat. gramma = escrito) “instrumento escrito por ou para cegos com o emprego do sistema Braille”

A escrita Braille recebeu este nome devido ao seu criador Louis Braille (fig 1), que perdeu a visão em um acidente na infância. Em 1824, Braille desenvolveu aos 15 anos um código para o alfabeto francês em uma melhoria para a escrita noturna, e que será objeto de artigo próximo.

Criado pelo Congresso de Viena, na Áustria, em 1964, a palavra é um termo que significa “correspondência para uso dos cegos”. Porém, mais do que uma palavra, Cecograma é um serviço garantido por lei às pessoas com deficiência visual em diversos países. O Congresso de Ottawa concedeu a franquia postal às escritas Braille (Fig.1), abertas. Para evitar limitar o termo a um único método de escrita, o termo “cartas cecográficas” foi utilizado.

Fig 1No Brasil a palavra se tornou um direito em 1978 quando foi sancionada a Lei Federal 6538 que regula os direitos e obrigações do serviço postal no país, e que menciona a carta, o cartão postal e o cecograma entre outros objetos de postagem. O Cecograma é definido como “objeto de correspondência impresso em relevo para uso dos cegos. Em 1979, na Convenção Universal do Rio de Janeiro, ficou acordado, no artigo 17, que o Cecograma estaria isento da taxa de franquia.

Os materiais em áudio, expedidos por instituições direcionadas para cegos, oficialmente reconhecidas, ou endereçadas a elas também são considerados como cecograma. Na postagem os objetos deverão ser apresentados abertos para a verificação das condições de aceitação; deverá ser exibido no canto inferior esquerdo do objeto a palavra “CECOGRAMA”, e deverá ter no máximo sete quilos. A postagem é gratuita para cartas simples, registrada ou com aviso de recebimento. (figs. 2, 3 e 4)

Fig 2 CECOGRAMAFig 3 CECOGRAMA

 

Fig 4 CECOGRAMA

SERVIÇOS DE AJUDA

Encontramos alguns serviços de ajuda para escrever, traduzir e postar cartas para cegos.Fig 5 Mecbraille Se enviarmos uma carta escrita em nosso alfabeto para um cego ele dependerá de alguém com visão normal para lê-la. Os serviços “traduzem” a carta para escrita Braille, imprimem e postam-na no correio.

A Acessibilidade Brasil (www.acessobrasil.org.br) disponibilizou para utilização pública e gratuita, um sistema de impressão remota em Braille, que permite o envio de uma carta em Braille, via correios, para todo o território brasileiro.

Em Portugal, existe um serviço similar, o MECBraille – Marco Electrónico de Correio Braille (www.acessibilidade.net).(fig.5)

Fig 6

O Regulamento Oficial do Serviço Postal norte-americano pode ser lido no endereço https://about.usps.com/postal-bulletin/2014/pb22382/html/updt_002.htm e apresenta uma etiqueta que deve ser afixada no canto superior direito da parte da frente do envelope ou peça postal indicando a deficiência visual. Esta etiqueta pode ser impressa em casa ou até xerox. Não é indicado, no regulamento o tamanho dela. Encontramos no site eBay nesta data etiquetas para cegograma (fig 6), mas desconhecemos esta etiqueta no Brasil.

 

 

Bibliografia:
https://www.correios.com.br/a-a-z/cecograma-nacional
https://www.correios.com.br/a-a-z/cecograma-internacional
https://turismoadaptado.com.br/cecograma-o-servico-postal-em-braille-dos-correios-brasileiros/
http://www.acessibilidade.net/mecbraille/servico.php
http://cmaia.selos-postais.com/Artigos/7_cecograma/cecograma.htm
https://articulo.mercadolibre.com.ar/MLA-727189224-filasur-argentina-cecograma-pareja-mint-para-no-viedentes-_JM
https://pt.wikipedia.org/wiki/Braille
https://about.usps.com/postal-bulletin/2014/pb22382/html/updt_002.htm

Índice de imagens

1. Selo em homenagem a Louis Braille
2. Cecograma enviado de entidade para cegos para papelaria (comércio), isenta de porte, mas não de acordo com o regulamento.
3. Cecograma enviado da Itália para Nova Zelândia 31 de julho de 1995, com retorno ao remetente. Note-se a escrita em Braille. Apesar da anotação de carta de cego isenta de taxa, foi aposto selo de 500 liras italianas, por ser registrada Expressa. A modalidade expressa não é contemplada no regulamento.
4. Cecograma enviado de entidade para cegos para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, também não contemplada pelo regulamento. Carimbo de cecograma no canto superior direito.
5. Computador com programa que transmite para uma impressora tipo Braille os caracteres digitados (MECBraille)
6. Etiquetas para correspondência de cegos conforme regulamento do Correio Norte Americano.

O Deficiente Físico na Filatelia – Parte II – A Cegueira

001Deficiência visual ou perda visual é a perda ou diminuição grave e irreversível da função visual que não é corrigível com lentes ou cirurgia e que interfere com as tarefas do dia-a-dia.

A Organização Mundial de Saúde classifica a deficiência visual em seis graus de acordo com a acuidade visual da pessoa, variando de visão subnormal até a cegueira total ou amaurose. Esta pode ser profunda, quase total e total. A maior parte dos cegos possui alguma função visual e percebe luzes, sombras e movimento. Só uma pequena percentagem é que não possui qualquer sensação visual.

Apesar das deficiências visuais estarem diminuindo desde 1990 por conta de programas de prevenção a nível mundial, ainda ela é muito mais comum em países pobres ou em desenvolvimento.

002

CAUSAS DA DEFICIÊNCIA VISUAL

Genéticas – ao nascimento, a criança apresenta cegueira parcial ou completa, como em anomalias genéticas (por exemplo, o albinismo).

Congênitas – por gravidez cursando com algumas doenças, tais como a toxoplasmose, rubéola, sarampo, intoxicação por metais pesados da mãe durante a gravidez, deficiência de vitamina A na gestante, e outros.

Adquiridas – traumáticas; por acidente vascular cerebral (derrames); infecções como meningoencefalite; intoxicações (metanol); queimaduras por calor ou químicas; por doenças como oncocercose, mal de Hansen; anóxia de parto (falta de oxigênio no momento do parto); neuropatias como no diabete mellitus; doenças como glaucoma (aumento da pressão intra-ocular), catarata, deficiência de vitamina A, etc.

Intencionais – infelizmente como castigo ou vingança utilizada em tortura. Assassino de búlgaros, o imperador bizantino Basílio II Bulgaróctono cegou 15 mil prisioneiros, antes de libertá-los. Em 2003, um tribunal antiterrorista paquistanês condenou um homem a ser cegado depois de ter realizado um ataque com ácido contra a sua noiva, que resultou em sua cegueira. A mesma sentença foi dada em 2009 para o homem que cegou Ameneh Bahrami, sua noiva, no Irã.

Na história dos Estados Unidos, a Lei Seca, também conhecida como O Nobre Experimento ou Proibição (Prohibition) caracteriza o período de 1920 a 1933 durante o qual a fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas para consumo foram banidas nacionalmente, como estipulou a 18ª emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Muitos fabricantes produziram clandestinamente bebidas alcoólicas com álcool metílico, que é tóxico para o organismo. Ingerido, irrita as membranas das mucosas podendo causar intoxicação e cegueira (que pode ser permanente), e ser fatal com doses de 20 a 25 ml. O contato com os olhos pode dissolver a retina, também causando cegueira.

NÚMEROS DA CEGUEIRA

CARIMBOEm 2015 havia 940 milhões de pessoas em todo o mundo com algum grau de perda visual. Entre estas, havia 246 milhões com deficit de visão e 39 milhões com cegueira. A condição tem custos econômicos elevados, baseados no custo do tratamento, socialização, manutenção e na incapacidade para o trabalho.

PREVENÇÃO DA CEGUEIRA

A prevenção da cegueira é simples: Vacinação de adultos; consultas com oftalmologista, principalmente nas crianças durante a fase de crescimento; controle de doenças crônicas como diabetes, pressão alta, problemas cardíacos; utilizar cintos de segurança principalmente nas crianças; dificultar o acesso de crianças a materiais de limpeza e produtos químicos; trabalhar sempre usando óculos de segurança; usar medicamentos e colírios somente com orientação médica; evitar bebidas alcoólicas; aconselhamento genético em casamentos consanguineos; etc.

004005

Peças filatélicas:

Fig. 1 – Carimbo sobre o “Congresso Paulista sobre a Problemática da Cegueira”, de 8 a 13 de outubro de 1979

Fig. 2 – FDC de Portugal: “Prever e Prevenir a Cegueira, de 13 de setembro de 1976.

Fig. 3 – Carimbo da França com flâmula “Preservez vous yeux – Eclairez vous yeux mieux”

Fig. 4 – Alemanha, Máximo Postal “Prevenção da Cegueira” mostrando exame oftalmológico, de 10 de abril de 1986

Fig. 5 – Cartão Postal enviado de Nova York para Curitiba, PR em 5 de agosto de 1977 com carimbo obliterador com flâmula “Foresight Prevents Blindness”

Bibliografia

www.wikipedia.or
https://www.fundacaodorina.org.br/a-fundacao/deficiencia-visual/o-que-e-deficiencia/
https://nacoesunidas.org/?post_type=post&s=cegueira
http://blog.hospitaldeolhos.net/index.php/cegueira-infantil-causas-sintomas-e-como-prevenir/

Dr.Roberto Antonio Aniche
Médico Ortopedista
Membro da SPP Soc.Philatélica Paulista
Membro da Sobrames Soc.Bras.Médicos Escritores

Mostra 175 anos do Olho de Boi e X Expo-SPP

Esta tradicional comemoração feita em conjunto pelos Correios e pela Sociedade Philatélica Paulista teve sua abertura em 1º de agosto de 2018, data em que foi emitido o primeiro selo Olho de Boi 30 Réis no Brasil e com solenidade oficial no sábado dia 4 de agosto (fig.1).

A Solenidade Oficial foi apresentada pelo Sr. Gercílio Cavalcanti, jornalista e cerimonialista, abrilhantada pelas palavras do Sr. Fernando Gouveia, coordenador de vendas, ambos da EBCT, com discursos de várias personalidades ligadas à área da filatelia. De grande importância para nós, filatelistas, foi o discurso do Sr. Fernando Gouveia (fig.2), que antevendo o ano próximo vindouro, colocou o Correio na rota das comemorações do Centenário da Sociedade Philatélica Paulista, o que muito contribuirá não só para o estreitamento desta relações, mas para uma grande divulgação da Filatelia em todo o território nacional.

O carimbo comemorativo no FDC foi aposto pelos Srs. Fernando Gouveia (EBCT), Gilberto Tenor (Presidente da Sociedade Numismática Brasileira), Reinaldo Macedo (Federação Internacional de Filatelia), Ygor Chrispin (SPP e criador do carimbo comemorativo, fig 3) e Mário Xavier Júnior (presidente da Soc.Philatélica Paulista) (fig.4).

A seguir foram entregues as placas comemorativas do evento para o Sr.Antonio Carlos Pereira Alves Junior, (Coordenador do Centro Cultural dos Correios), representado pela Sra. Jeisa; Fernando Gouveia (EBCT); Ygor Chrispin (associado da SPP e criador do carimbo comemorativo); Mário Xavier Júnior (presidente da SPP), Braz Martins Neto (vice-presidente da SPP, fig.5), Reinaldo Estevão de Macedo, (vice-presidente da FIP para as Américas, coordenador desta exposição e que a tornou realidade).

A Mostra consta com 20 coleções de um quadro expostas abrangendo várias áreas do conhecimento: ecologia, história, liberdade de expressão, inclusão social, etc., e terminou com um coquetel na sala dos filatelistas. Tivemos a presenta de muitos filatelistas e associados da Sociedade Philatélica Paulista, e destacamos a presença do Sr. João Batista Mendes de Oliveira, Gerente da Agência Central dos Correios que muito honrou o evento deste ano.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Índice das imagens:

01 – Convite da Exposição
02 – Sr.Fernando Gouveia, EBCT
03 – Ygor Chrispin, SPP
04 – Folder da Mostra
05 – Sr.Mário Xavier Júnior, presidente da SPP
06 – Carimbo comemorativo

Anne Frank – Um Recado Doloroso para o Futuro

Fig 1 Anne Frank
Fig. 1 – Anne Frank

ANNE FRANK foi uma menina judia, nascida em Frankfurt, Alemanha, no dia 12 de junho de 1929 (fig. 1). Filha de Otto Frank e de Edith Frank, que tinham outra filha, Margot Frank, tres anos e meio mais velha que Anne (fig. 2). A crise econômica, a ascensão de Hitler ao poder e o crescimento do antissemitismo põem fim à vida tranquila da família. Em 1933 eles saem da Alemanha, fugindo da perseguição de Hitler contra os judeus e emigrando para a Holanda.

Fig 2
Fig. 2 – A Família Frank

A família viveu uma vida normal por seis anos. Otto consegue estabelecer um negócio em Amsterdã e a família encontra uma casa em Merwedeplein. As filhas vão para a escola, Otto trabalha muito no seu negócio de componentes de geléia e Edith cuida da casa. À medida que a ameaça de guerra cresce na Europa, Otto e a sua família tentam emigrar para a Inglaterra e Estados Unidos, porém estas tentativas falham. A 1º de setembro de 1939, a Alemanha invade a Polônia. Começa a Segunda Guerra Mundial.

Fig 3 estrela-de-david
Fig. 3 – A Estrela de David

Em maio de 1940 a Holanda foi invadida pelos nazistas, capitulando cinco dias depois, época que começaram as restrições contra os judeus com uma série de decretos antissemitas: deveriam usar uma estrela amarela de identificação (fig.3) e eram submetidos a diversas proibições, além de terem muitos bens confiscados. Estas restrições iam desde não poderem ter seu próprio negócio, como determinavam horários de entrar e sair de casa, não poderem tomar ônibus, etc.

O DIÁRIO

No dia 12 de junho de 1942, quando completou 13 anos de idade, Anne ganhou um diário e nesse mesmo dia começou a escrever o seu cotidiano (fig. 4). Nele, ela relata os conflitos de uma adolescente e a tensão de viver escondida sobrevivendo com a comida armazenada, a ajuda recebida de amigos, o sofrimento da guerra, os bombardeios que aterrorizavam a família, e a possibilidade de o “anexo secreto” ser descoberto e serem mortos a tiros. O diário foi escrito entre 12 de junho de 1942 e 1.º de agosto de 1944.

Fig 4 Anne_Frank_Diary_at_Anne_Frank_Museum_in_Berlin-pages-92-93
Fig. 4 – O Diário de Anne Frank

Durante o seu tempo no esconderijo, escreve sobre os acontecimentos no Anexo Secreto bem como sobre si mesma. O seu diário é um grande apoio e companheiro para ela. Anne também escreve contos e coleciona as suas frases favoritas de outros escritores no seu Livro de Belas Frases.

O Ministro da Educação da Holanda, através da rádio inglesa, faz um pedido para as pessoas guardarem os diários de guerra, Anne decide editar o seu e criar um romance chamado “O Anexo Secreto”. Ela começa a reescrever o seu diário, mas antes que consiga terminar, ela e as outras pessoas do esconderijo são presas.

Fig 5 Livro
Fig. 5 – O Diário de Anne Frank

Ao final da guerra, e já em Amsterdã Otto Frank descobriu que o diário da filha havia sido salvo por Miep Gies, que os havia ajudado no esconderijo. Após muito esforço, seu pai conseguiu publicar o diário, em 1947 com o título “O Diário de Anne Frank”, (fig. 5) que desde então é um dos livros mais traduzidos do mundo.. O livro foi traduzido em mais de 30 idiomas. O local do esconderijo de Anne Frank, em Amsterdã, é hoje um museu.

Anne escreveu no seu diário que queria tornar-se escritora ou jornalista e que gostaria de ver o seu diário publicado como um romance. Amigos de Otto Frank convenceram-no da grande expressividade do diário e, em 25 de junho de 1947, “O Diário de Anne Frank” é publicado numa edição de 3.000 exemplares. Seguem-se a esta, muitas outras edições, traduções, uma peça de teatro e um filme, tornando Anne Frank conhecida no mundo todo.

O ESCONDERIJO

Fig 6 Anexo
Fig. 6 – Parte do “Esconderijo”

A 5 de julho de 1942, Margot Frank recebe uma convocação para se apresentar para o campo de trabalho forçado na Alemanha. Logo no dia seguinte, a família Frank vai para o esconderijo, nos fundos de escritório de Otto Frank, na Prinsengracht, 263, permanecendo ali até 04 de agosto de 1944 (fig. 6). A família Van Pels vai para lá uma semana depois e em novembro de 1942 chega uma oitava pessoa ao esconderijo, o dentista Fritz Pfeffer. Eles ficam a morar no Anexo Secreto durante dois anos.

As pessoas no esconderijo têm que se manter em silêncio, frequentemente sentem medo e, bem ou mal, passam o tempo uns com os outros. Eles são ajudados pelos funcionários do escritório – Johannes Kleiman, Victor Kugler, Miep Gies e Bep Voskuijl – além do marido de Miep Gies, Jan Gies, e do gerente do armazém Johannes Voskuijl, o pai de Bep. Esses ajudantes tratam não somente de trazer alimentos, roupas e livros; eles também significam o contato com o mundo exterior para as pessoas no esconderijo.

Imediatamente após a prisão, Miep Gies e Bep Voskuijl resgatam o diário de Anne e papéis que foram deixados para trás no Anexo Secreto.

PAINEL 2
Painel 1 – Moradores do Esconderijo

A DESCOBERTA DO ESCONDERIJO

O grupo foi traído misteriosamente e na manhã de 4 de agosto de 1944 o esconderijo foi invadido pela Polícia de Segurança Nazista. As oito pessoas juntamente com os ajudantes

Fig 7
Fig. 7 – Campo de Auschwitz

Johannes Kleiman e Victor Kugler foram levadas para uma prisão em Amsterdã, depois transferidas para Westerbork, um campo de triagem. Os dois ajudantes são enviados para o campo de Amersfoort. Johannes Kleiman é libertado pouco depois da detenção e, seis meses mais tarde, Victor Kugler consegue escapar.

Em 03 de setembro os outros foram deportados e chegaram em Auschwitz (Polônia) (Fig. 7). Anne e sua irmã foram levadas para Bergen-Belsen, campo de concentração perto de Hannover (Alemanha). Apesar de intensas investigações, nunca ficou claro como o esconderijo foi descoberto.

CAMPO
FDC do Canadá de 11 de setembro de 2009 – O Holocausto – 1933-1945 – No verso do envelope uma imagem da libertação do Campo de Concentração de Wobbelin pelas tropas aliadas, em maio de 1945

 

A MORTE NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

Anne Frank e sua irmã Margot morreram de tifo em Bergen-Belsen, Alemanha, em 12 de março de 1945, com apenas 15 anos. Seu pai, Otto Frank, único sobrevivente dos oito judeus do esconderijo, foi libertado pelas tropas russas.

O ÚNICO SOBREVIVENTE

Fig 8 Otto Frank
Fig. 8 – Otto Frank no Esconderijo após o fim da guerra. O Esconderijo foi esvaziado pelos nazistas e Otto não permitiu na época que ele fosse reocupado.

Otto Frank é o único das oito pessoas do esconderijo que sobrevive à guerra (fig. 8). Durante a sua longa viagem de volta à Holanda, ele descobre que sua mulher, Edith, morreu. Ele ainda não sabe o que aconteceu às suas filhas e mantém a esperança de reencontrá-las vivas. O seu retorno a Amsterdã ocorre no início de junho. Ele vai diretamente encontrar-se com Miep e Jan Gies e permanece com eles por mais sete anos.

Em julho, na tentativa da encontrar as suas filhas, Otto recebe a notícia de que ambas morreram de doença e fome em Bergen-Belsen. Miep Gies entrega-lhe então o diário e os papéis de Anne. Otto o lê e descobre uma Anne completamente diferente, ficando profundamente emocionado.

Após a publicação do Diário de Anne Frank, Otto Frank responde a milhares de cartas de pessoas que leram o diário da sua filha. Otto Frank permaneceu envolvido com a Anne Frank House e com campanhas pelo respeito dos Direitos Humanos até à sua morte, em 1980.

O ALCANCE ATUAL DA MENSAGEM DE ANNE FRANK

Fig 10 Filme
Fig. 10 – O Filme

Lançado um filme biográfico da adolescente, sob o título The Diary of Anne Frank (1959). Aclamado pela crítica, foi vencedor de três Oscars. Outro filme com o mesmo título foi lançado em 2001, além de outra filmagem de “ O Diário de Anne Frank”, em 2009 (fig. 10). Todos contam uma história verídica e triste, sobre uma corajosa menina, chamada Anne Frank e as duas famílias que se esconderam durante dois anos no anexo, durante o período de segunda Guerra Mundial.

 

Fig. 11 – Museu Anne Frank                  Fig. 12 – Estátua de Cera

O museu, também chamado de Casa de Anne Frank, foi inaugurado em 3 de maio de 1960, recebendo em torno de 600.000 visitantes por ano, vindos de todas as partes do mundo (fig. 11).

Anne também foi imortalizada com uma estátua de cera no Museu Madame Tussauds, (fig. 12) em Londres, além de ter sido considerada pela revista Time um ícone do último século.

Painel 1
Painel 2 – Selos com Anne Frank e/ou família Frank
Fig 13 800px-Anne_frank_memorial_bergen_belsen
Fig. 13 – Memorial Anne Frank em Berg-Belsen

Bibliografia

O Diário de Anne Frank, editora Record, 2003
http://www.google.com.br
https://www.ebiografia.com/anne_frank/
http://www.annefrank.org/pt/Anne-Frank/O-resumo-da-historia/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anne_Frank
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=184880
https://natedsanders.com/true-first-edition,-first-printing-of-”the-diary-of-anne-frank”-lot10004.aspx
http://sites.psu.edu/shamoryhtravel/2016/09/08/anne-frank-museum-amsterdam-netherlands/
http://www.ebay.com – diversas imagens de selos
http://www.mercadolivre.com.br – idem

El Cid, O Herói Espanhol – Parte 2 – Selos da Espanha

Mesmo sendo um Herói Nacional, a Espanha não emitiu muitos selos comemorativos exultando a memória e os feitos de El Cid. Em 1937 surge um selo tipo com o cavaleiro, que se repetiria com variações nos anos de 1938, 1939, 1940 e depois em 1949 e 1950, que será objeto de estudo mais detalhado neste artigo.

Surgiu também uma série com quatro selos comemorativos em 1962 e outra com três selos, sendo um com El Cid em 1977.

A Série de 1962 – Rodrigo Diaz de Vivar, El Cid

São quatro selos, mas o que mais chama a atenção é o com a imagem do cofre de El Cid na Catedral de Burgos.

5 - Fig 1 VEJA QUAL ESTA MELHOR ESPANHA6 - FIG 2 COFRE

Classificação 

EDIFIL YVERT SCOTT VALOR MOTIVO
1444 1109 1121 1P Escultura de Juan Cristóbal (Burgos)
1445 1110 1122 2P Escultura de Ana Hurtigton (Sevilha)
1446 1111 1123 3P Cofre, Catedral de Burgos
1447 1112 1124 10P Juramento em Santa Gadea, de Garcia Prieto

Histórias ou Lendas?

  • A história (real ou lenda) está narrada em um dos primeiro acervos da literatura castelhano, o “Cantar de Mio Cid”, e passou sem variações ao acervo místico popular, tomando como engenhosa uma narração que só nos veio demonstrar as artimanhas empregadas pelos cristãos com os judeus.
  • Conta-se que Rodrigo Díaz de Vivar ao ser exilado por ordem de Alfonso VI, se encontrou perante a urgente necessidade de obter fundos com os quais seria necessário pagar a companhia dos trezentos de seus melhores cavaleiros castelhanos que o acompanharia em seu exílio. Dirigiu então à casa dos judeus burgaleses, convencendo-os que lhe adiantassem aqueles valores deixando em troca um cofre que continha todas as suas jóias. Os judeus aceitaram o trato e se apressaram em adiantar-lhe à quantia pedida. Rodrigo saiu imediatamente da cidade com seus homens, e os ingênuos judeus, ao abrirem o cofre para comprovar os tesouros que haviam adquiridos, viram que no seu interior não havia mais que pedras sem valor. e que haviam perdido a oportunidade de desfazer o trato.
  • Há versões da lenda que dizem que, Cid ao tentar salvar-se do sujo engano em que estava envolvido, o paladino cristão entregou aos judeus autênticas jóias familiares do mais alto valor, porém o Senhor, querendo castigar a avareza do dois hebreus, se encarregou de convertê-las em pedras, sem que mudasse em nada a vontade ou a intenção do herói castelhano. E acrescenta-se a essa versão que, quando Cid regressou por fim a Burgos, foi resgatar as pedras entregues com o produto do despojo obtido dos mouros, e então as pedras voltaram a se transformar milagrosamente no autêntico tesouro que havia naquela data depositado nas mãos dos judeus.
  • O cofre de “El Cid” encontra-se colocado sobre um suporte na parede da Capela de Corpus Christi da Catedral de Burgos.

A Série de 1977 – Monastério de São Pedro de Cardenha

Composta por três selos esta série apresenta alguns aspectos do Monastério:

7 - Fig 3 EL CID 3 SELOS

Classificação:

EDIFIL YVERT SCOTT VALOR MOTIVO
2443 2088 2070 3p Vista geral externa do Monastério
2444 2089 2071 7p Claustro
2445 2090 2072 20p Sepultura de El Cid e Dona Jimena

Histórias ou Lendas?

  • Segundo as Cantigas de El Cid, ele, ao sair para seu segundo desterro deixou aos cuidados do abade, sua esposa Jimena e suas duas filhas Elvira e Sol (cujos nomes reais foram Maria e Cristina). Conta a lenda que ele e Jimena estão sepultados neste local.
  • O monastério foi fundado pelos beneditinos no ano de 899, tendo sido um importante centro cultural e espiritual nos primeiros momentos da construção do Reino de Castela. Foi saqueado em 953 pelo exército de Abderraman III, a torre de vigia caiu no século X ou XI e o claustro no século XII. Historiadores beneditinos tem considerado este mosteiro como o primeiro de monges negros na Espanha
  • O monastério foi abandonado em 1836 e depois ocupado por diversas ordens religiosas. Durante a Guerra Civil Espanhola foi utilizado como campo de concentração de prisioneiros republicanos.
  • El Cid morreu em Valencia e seu corpo foi exumado pela esposa Jimena para ser enterrado no Monastério, aonde foi exumado várias vezes até ficar na Capela-Panteão de El Cid. As esculturas dele e de Jimena foram feitas por Alfonso X o Sábio. Hoje os restos de El Cid e Jimena se encontram na Catedral de Burgos.
  • Os diversos saques que o Monastério sofreu também atingiram os restos mortais de El Cid. Seus ossos foram espalhados pelo templo e inclusive levados pelos soldados franceses (seculo XIX) como amuletos.

Os Selos-Tipo de El Cid de 1937, 38, 39, 40, 49 e 50

Foram emitidos quinze selos com o Cavaleiro El Cid no período de 1937 a 1950. Existem variações de picote, cor, tamanho, marca do impressor e valores, o que permite a sua identificação fácil.

1 - Fig 4EL CID BASICO 109 - Fig 5 EL CID BASICOS

Classificação dos Selos-Tipo de El-Cid

Classificacao

Observações:

1 – (*) – O Catálogo Yvert não classifica este selo.
2 – (**) – O Catálogo Scott não classifica ou classifica com marca do impressor
3 – Pró-Vítimas: Selo de Sobretaxa Obrigatória em favor de crianças vítimas da guerra. “Auxilio a Las Víctimas de La Guerra 1946”
4 – Marca do Impressor:
Tipo I – “Hija de B.Fournier-Burgos” com 15 mm
Tipo II – “Fournier-Burgos” com 10 mm
5 – Existem diferenças de cor e picote para o mesmo selo entre os dois catálogos consultados.

Curiosidades:

Encontramos em nossas buscas um souvenir com os quatro selos desta emissão (exclundo-se a sobretaxa obrigatória), autorizada pelos Correios da Espanha, porém sem valor facial, além de réplicas em metal de outros dois selos comemorativos, 1444 e 1445.

10 - Fig 6 Souvenir

13 - Fig 9 EL CID GUERRA ESPANHOLA


Há ainda inúmeros selos desta série com sobrecarga utilizados durante a Guerra Civil Espanhola e em ex-colonias espanholas, cuja classificação é encontrada em catálogos ultra-especializados deste período. (fig. 9).

Bibliografia:
http://www.ebay.com
http://www.caminhodesantiago.com.br/walter/lendas/cofre_cid.htm
http://www.caminodelcid.org/localidades/san-pedro-de-cardena-565122/
http://sabemosdetudo.com/cultura/ask90403-Voce_sabe_a_origem_do_Mosteiro_de_Sao_Pedro_de_Cardena_Burgos.html
Catálogo Yvert 2012
Catálogo Edifil 2012

Matéria publicada no Boletim da SPP nº 230 de dezembro de 2017

 

 

EL CID, O herói espanhol – Parte I – História e Lenda

3 - Fig 1El Cid, nascido Rodrigo Díaz de Vivar em Burgos, Espanha em 1043 e morto em Valência a 10 de julho de 1099, guerreiro castelhano da época em que a Espanha (Hispânia) estava dividida em reinos rivais de cristãos e mouros (muçulmanos). O nome El Cid provém do mourisco Sidi, senhor e de Campeador, campeão. Sua vida e feitos se tornaram lendários sobretudo devido a uma canção de gesta (a Canción de Mio Cid) datada de 1207, um referencial para os cavaleiros da idade média.

 

  • As canções de gesta (em francês ”chansons de geste), são um conjunto de poemas épicos surgidos no raiar da literatura francesa, entre os séculos XI e XII.
  • Essas canções exerceram grande influência na literatura medieval, tanto em sua região de origem como por toda a Europa, e, mesmo com o fim de Idade Média, sua influência continuou a sentir-se na literatura e até no folclore.

História

Órfão de pai aos 15 anos, foi levado para a corte do rei Fernando I de Leão onde se tornou amigo e companheiro do infante Sancho, filho de Fernando I. Sua educação se fez no monastério de San Pedro de Cardeña.

Com a morte de Fernando I, o reino foi dividido entre seus filhos: Castela ficou para Sancho; a Galiza para Garcia; Leão para Alfonso; Toro para Elvira; e Zamora para Urraca. Sancho não concordou com a divisão e passou a lutar pela reunificação e ampliação da herança paterna, sob sua coroa, contando com a ajuda de Rodrigo, já nomeado Alferes do reino.

4 - Fig 2
Mapa da Península Ibérica em 1037

Rodrigo tinha 23 anos quando venceu em combate o alferes de Navarra, Jimeno Garcés, façanha que lhe valeu a alcunha de “Campeador”, e já no ano seguinte começou a ser conhecido como “El Cid” entre os mouros.

As Histórias e Contradições em torno de El Cid

Após o assassinato de Sancho, o Reino de Castela passa a ser governada pelo Rei Alfonso VI, Rei de Leão. Rodrigo, o El Cid, é desterrado por Alfonso VI.

Segundo a “Canción de Mio Cid”, 300 dos melhores cavaleiros castelhanos decidiram acompanhá-lo no exílio, fazendo de Zaragoza seu quartel general e travando batalhas vitoriosas contra os mouros.

Segundo uma versão alternativa, Rodrigo refugiou-se nas montanhas de Aragão, com um pequeno exército de mercenários a serviço de quem lhes pagasse mais, fosse cristão ou 5 - Fig 3 Monacomuçulmano. Aliás, é também essa fonte alternativa que, ao mencionar seu casamento com Jimena (ou Ximena), filha do Conde de Oviedo, ocorrido pouco antes do exílio, diz, maliciosamente que a dama era mais velha do que ele, e muito feia porém tinha um patrimônio invejável (diferente do épico cinematográfico estrelado por Charlton Heston e Sophia Loren).

Rodrigo estabeleceu vínculos com o rei mouro da taifa de Valência, Al-Cádir, que se tornou seu amigo e protegido (segundo uma versão) ou seu cliente (segundo outra). Foi em benefício de Al-Cadir que El Cid conquistou os pequenos reinos de Albarracín e Alpuente.

 

  • O termo taifa, no contexto da história ibérica, refere-se a um principado muçulmano independente, um emirato ou pequeno reino existente na Península Ibérica (o Al-Andalus) após o o derrocamento do califa Hisham III (da dinastia omíada) e a abolição do Califado de Córdoba em 1031.
  • O termo deriva da expressão árabe muluk at-ta’waif, «os reis das facções» (simplificada em ta’waif, donde a facção, o reino). As taifas ibéricas foram até trinta e nove pequenos reinos.

Em 1089, o almorávida Yusuf cruzou o estreito de Gibraltar, à frente de um numeroso exército. A invasão ameaçava a segurança de todos os reinos espanhóis, e o rei Alfonso pediu ajuda a Rodrigo, fazendo-o retornar a Castela. Mas não tardou para que a hostilidade voltasse a se manifestar entre ambos, e El Cid foi desterrado pela segunda vez.

Nos dez anos que se seguiram, a fama do “Campeador” cresceu. Agora liderando um grande exército, conquistou e se tornou senhor dos reinos mouros de Lérida, Tortosa, Dénia, Albarracín, e Alpuente.

Por volta de 1093 após o assassinato de Al-Cádir atacou a taifa de Valência, conseguindo tomá-la em junho de 1094, após 19 meses de cerco da cidade.

Segundo a versão que não o enobrece, Rodrigo mandou torturar e queimar vivo o governador da cidade, Ben Yehhaf, implicado na morte de Al-Cádir. E não teria poupado sua mulher e filhos se não fosse a intervenção dos nobres cavaleiros que o seguiam.

Já a versão mais difundida sustenta que ele, ao se tornar senhor de Valência, mostrou-se um governante justo e equilibrado. Outorgou à cidade um estatuto de justiça, implantou a religião cristã mas, ao mesmo tempo, renovou a mesquita dos muçulmanos, cunhou moedas e rodeou-se de uma corte de estilo oriental, composta tanto por poetas árabes e cristãos, quanto por pessoas eminentes no mundo das leis.

Mas os almorávidas não estavam inertes e se apresentaram às portas da cidade, sob a liderança de Mahammad, sobrinho de Yusuf. Após vários combates El Cid obteve uma vitória decisiva, que contribuiu para torná-lo objeto de narrativas heroicas, várias delas absolutamente inverídicas.

Até sua morte Rodrigo governou Valência em nome de Alfonso VII, mas mantendo seu poder independente do rei, tratando de aumentá-lo ao casar uma de suas filhas, Cristina também conhecida como Elvira, com o príncipe Ramiro Sanchez de Pamplona, e a outra, María Rodriguez de Bivar, com o conde de Barcelona, Raimundo Berengário III.

Ao contrário da tradição lendária, que aprecia vê-lo morrendo heroicamente em combate, Rodrigo Díaz de Vivar, chamado de “Campeador” ou “El Cid” ou “Mio Cid”, faleceu numa cama de seu castelo em Valência a 10 de julho de 1099.

É nesse ponto da história que Rodrigo vira uma lenda. Os mouros ficaram confiantes pois haviam finalmente matado o El Cid. Sua mulher mandou amarrar seu corpo ao cavalo e sua espada a sua mão e o mandou ao campo de batalha. Ao ver El Cid em cima do seu cavalo passaram a fugir sendo perseguidos e derrotados pelo exército de Rodrigo. Por isso reza a lenda que Don Rodrigo de Castella, o El Cid, venceu uma batalha depois de morto. Seus restos mortais e os de sua esposa Jimena, estão sepultados na Catedral de Burgos

Catedral de Burgos
Túmulo de El Cid e Jimena na Catedral de Burgos

8 - Fig 6

Espanha, Máximo Postal, Monumento a El Cid, Balboa Park, San Diego, California

9 - Fig 7 FDC

Espanha, FDC, Hispanidade 1961, carimbo da Exposição Barcelona de 17 de agosto de  1962

Bibliografia:
https://www.meuscaminhos.com.br/el-cid-campeador-heroi-espanhol-burgos/
https://pt.wikipedia.org/wiki/
https://tutor5.wordpress.com/2012/03/08/cancion-de-gesta-cantar-del-mio-cid/
https://heroismedievais.blogspot.com.br/2016/06/el-cid-campeador-homem-simbolo-dos.html
Catálogo Edifil 2012
Catálogo Scott 2014

Matéria publicada no Boletim da SPP nº 229 de agosto de 2017

Frei Orlando – Patrono do Exército Brasileiro

1 - Frei OrlandoAntônio Álvares da Silva, Frei Orlando nasceu em Morada Nova de Minas a 13 de fevereiro de 1913 e faleceu, em Bombiana, Itália, 20 de fevereiro de 1945).

Órfão com apenas um ano de idade foi criado por família católica praticante. Depois da primeira comunhão, em 1920, passou a frequentar assiduamente o catecismo. Nele revelou-se nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja e a compaixão pelos humildes. Foi assim que, tendo iniciado seus estudos em Divinópolis (MG), seguiu para a Holanda, de onde retornou para sua ordenação como sacerdote, em 24 de outubro de 1937. Não era mais Antônio, mas, sim, o Frei Orlando.

Após a ordenação, com 24 anos, passa a lecionar no Colégio de Santo Antonio, em São João Del Rey, criando, próximo a este colégio, a “Sopa dos Pobres” em outubro de 1942, com a ajuda de paroquianos, alimentando operários, moradores de rua e outros necessitados, inclusive do 11º Regimento de Infantaria

A Segunda Guerra Mundial

A 31 de Agosto de 1942, o Brasil declara guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão.
Após o ataque japonês contra Pearl Harbour e a entrada dos Estados Unidos na guerra, o conflito mundial tinha-se aproximado das costas do continente americano, iniciando os ataques alemães a navios nas costas da América.

2 - Navio Itagiba
Navio Itagiba

Os navios Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará foram afundados por submarinos alemães, provocando 606 mortos em apenas 6 dias! De 22 de março de 1941 a 19 de julho de 1944 foram atacados, nas diversas partes do globo, um total de 35 navios brasileiros, totalizando 1081 mortos e 1686 sobreviventes.

A argumentação alemã para atacar navios brasileiros a 15 de Fevereiro de 1942 aponta para razões completamente infundadas, afirmando que os navios brasileiros navegavam sem luzes, não identificando o país de origem e dando a entender que eram navios mercantes de países que lutavam contra a Alemanha.

A pressão norte-americana sobre o governo brasileiro existiu de fato, mas a análise de Getúlio Vargas considerando que o Brasil teria muito mais vantagens em se aproximar dos aliados ocidentais que das potência do Eixo, também levou ao esfriamento das relações entre Brasil e Alemanha durante os primeiros meses de 1942.

Declaração de Beligerância

Selo GetulioEm 22 de Agosto de 1942, Getúlio Vargas, assina um decreto presidencial em que o Brasil reconhece a existência de um estado de beligerância. A declaração, foi transmitida pela rádio brasileira às 20:00 desse mesmo dia, implicando que o Brasil deixava de ser um país neutro, e que embora decidisse não atacar a Alemanha, estava livre para apoiar os aliados.

No entanto, a pressão das ruas foi maior que o que o governo de Getúlio Vargas esperava e a declaração do estado de guerra seguiu-se dias depois.

Estado de Guerra

Nove dias depois da declaração de beligerância, o Brasil declara, a 31 de Agosto de 1942, a existência de um estado de guerra com as potências do eixo, iniciando preparativos para enviar pessoal, material e apoio para o continente europeu.

FEB – Soldados para a Guerra

4 - Selo Cobra fumandoA Força Expedicionária Brasileira, FEB, foi a força militar brasileira de 25.334 homens responsável pela participação brasileira ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Constituída principalmente por uma divisão de infantaria, historicamente é considerada o conjunto de todas as forças militares brasileiras que participaram daquela campanha. Adotou como lema “A cobra está fumando”, em alusão ao que se dizia à época que seria “Mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa”.

O 11º Regimento de Infantaria começou a receber e preparar soldados (“pracinhas”) para embarque para a Itália para lutar ao lado dos norte americanos. Frei Orlando viu o 11º RI partir e não se conformou em permanecer impassivelmente na cidade. Assim, quando o então comandante do regimento, coronel Delmiro Pereira de Andrade, solicitou a indicação de um religioso para capelão militar ao Comissariado dos Franciscanos em São João del-Rei, Frei Orlando viu a oportunidade de concretizar um de seus mais acalentados sonhos: o de ser missionário sem fronteiras, ir a qualquer parte do mundo para multiplicar os discípulos de Deus. Integrou-se, então, à FEB, e seguiu para a Europa. Seu primeiro trabalho foi celebrar uma missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros, nomeado Capelão do Regimento Tiradentes.

Atuação na Praça de Guerra

Frei Orlando esteve ao lado dos soldados brasileiros, rezando, orientando, trazendo esperança a todos antes de irem ao front, confortando-os na volta, ajudando os feridos, confortando as baixas. Mas também, dono de um coração Cristão, ajudada famílias italianas em necessidade, tais como fome e doenças, mas também espiritualmente. Avançava com os soldados na frente de batalha, mesmo considerando-se o perigo dos bombardeios inimigos.

A Morte de Frei Orlando

Na sangrenta batalha de Monte Castelo, Frei Orlando vendo o que se passava, e preso de profunda emoção foi para a frente de batalha onde os nossos soldados misturavam seu sangue com a neve em degelo. Às vésperas da tomada de Monte Castello, durante uma visita à linha de frente, o jipe que transportava Frei Orlando atolou na lama. Um partisan (membro da resistência italiana) tentou desencalhar o jipe, batendo com o cabo do rifle em uma pedra. O rifle disparou, atingindo Frei Orlando que morreu vitimado por esse tiro acidental. Contava com 32 anos de idade naquele fatídico 20 de fevereiro de 1945 em Bombioana, Itália.

5

A morte de Frei Orlando causou tristeza e revolta em toda a tropa brasileira. Os ataques a Monte Castelo tornaram-se mais cruciais, caindo a fortaleza em no dia seguinte, após tres meses de atuação da FEB.

Patronato de Frei Orlando

Pelo decreto nº 20680 de 28 de fevereiro de 1946, o Presidente da República Eurico Gaspar Dutra instituiu Frei Orlando como Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército Brasileiro.

7 - PlacaRecebeu ainda, pós-mortem, as condecorações com a Medalha Sangue do Brasil e a Medalha de Campanha, atestando a coragem e bravura com que desempenhou seu trabalho na FEB, além de uma placa em homenagem ao Frei Orlando, em Bombiana, Italia.

Frei Orlando foi venerado por todos que o conheceram, pela bondade, alegria e pela solicitude a todos os necessitados, tanto no Brasil, em São João Del Rey, como por todos os soldados do seu Regimento, além da população italiana assistida por ele durante a guerra.

6 - Cartao Postal

BIBLIOGRAFIA
Frei Orlando, o Capelão que não voltou, Tenente Gil Palhares, 2ª edição, Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, RJ
www.wikipedia.org
http://segundaguerra.net/feb-a-morte-de-frei-orlando/
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=136
www.infoescola.com

Publicado no Boletim Filacap 183 ano 40 novembro/2014

O Dia dos Mortos no México

O México, país da América do Norte é banhado pelo Oceano Pacífico a oeste e Golfo do México a leste pelo Oceano Atlântico.

Na Mesoamérica pré-colombiana muitas culturas amadureceram e se tornaram civilizações avançadas como a dos olmecas, toltecas, teotihuacanos, zapotecas, maias e astecas, antes do primeiro contato com os europeus. Em 1521, a Espanha conquistou e colonizou o território mexicano a partir de sua base em Tenochtitlán e administrou-o como o Vice-Reino da Nova Espanha. Este território viria a ser o México com o reconhecimento da independência da colônia em 1821.

No México, o Dia dos Mortos é uma celebração de origem indígena, que honra os defuntos no dia 2 de novembro. Começa no dia 31 de outubro e coincide com as tradições católicas do Dia dos Fiéis Defuntos e o Dia de Todos os Santos. Além do México, também é celebrada em outros países da América Central e em algumas regiões dos Estados Unidos, onde a população mexicana é grande. A UNESCO declarou-a como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

1 - Fig 04 PARADA DO DIA DOS MORTOS

As origens da celebração no México são anteriores à chegada dos espanhóis. Há relatos que os astecas, maias, purépechas, náuatles e totonacas praticavam este culto. Os rituais que celebram a vida dos ancestrais se realizavam nestas civilizações pelo menos há três mil anos. Na era pré-hispânica era comum a prática de conservar os crânios como troféus, e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.

2 - Fig 01

3 - Fig 02O festival que se tornou o Dia dos Mortos era comemorado no nono mês do calendário solar asteca, por volta do início de agosto, e era celebrado por um mês completo. As festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl, conhecida como a “Dama da Morte”, atualmente relacionada a La Catrina, personagem de José Guadalupe Posada – e esposa de Mictlantecuhtli, senhor do reino dos mortos. As festividades eram dedicadas às crianças e aos parentes falecidos.

É uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar 4 - Fig 03seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces preferidos dos mortos, os preferidos das crianças são as caveirinhas de açúcar. Segundo a crença popular, nos dias 1 e 2 de novembro, os mortos têm permissão divina para visitar parentes e amigos. Por isso, as pessoas enfeitam suas casas com flores, velas e incensos, e preparam as comidas preferidas dos que já partiram. As pessoas fazem máscaras de caveira, vestem roupas com esqueletos pintados ou se fantasiam de morte.

As Crenças dos Índios Chamulas

No Dia dos Mortos as pessoas vão aos cemitérios, sempre de dia. As almas dos mortos, para os índios Chamulas na cidade de Romerillo, são fracas, não tem mais a água da vida ou a “chica” para esquentar os corpos. Não tem mais corpo nem sangue. Transformam-se em pequenos anões, vivendo no Olontic, no Oeste, no Reino dos Mortos. Elas são fracas, incapazes de carregar cargas de milho ou madeira, incapazes de trabalhar como quando tinham seus corpos.

Os índios Chamulas nunca viajam à noite, pois tem medo dos espíritos do mundo inferior ou dos demônios que erram na obscuridade e tentam roubar a alma dos vivos, sem que o Deus Sol possa intervir.

A maioria vai descalça no cemitério, com as mulheres vestindo preto e os homens vestindo roupa branca, trazendo as crianças de casa. Todos vem carregados de oferendas: flores, ramagens, comida, bebida, velas. Todos os túmulos são iguais, não tem lápides nem são cobertos com cimento, mas com uma particularidade: tem sobre a terra a porta da casa do falecido. O resto é o caos: vegetação, sandálias, cruzes quebradas.

6 - Fig 05 cemiterio-chamula

Aparentemente as cruzes eram usadas na região mesmo antes da chegada dos espanhóis e do cristianismo.
Seriam, portanto, cruzes maias, não relacionadas à cruz de Cristo, mas dotadas de todo um significado mitológico envolvendo a origem da humanidade e do universo.

As portas são um traço de união entre os vivos e os mortos, são reconhecidas e assim que a família chega elas são abertas. As mulheres se ajoelham e limpam o local, arrancam as ervas daninhas, colocam as flores amarelas (da morte, os “tzempaxochilt”), cujo perfume vai permitir que as almas reconheçam o odor de sua terra natal. Em seguida as oferendas são colocadas: “tamalas”, uma massa de milho e feijão, laranjas abertas em gomos, e principalmente bebidas alcoólicas para que os mortos se aqueçam, pois eles tem frio e fome.

Quando um ser morre pela primeira vez, cuida-se de colocar em seus bolsos um pouco de dinheiro, chocolate, tortilhas, um bolo nutritivo e três penas de peru enfiadas numa agulha para que ele costure suas roupas. O trajeto da casa ao cemitério tem sempre a cabeça do morto na direção do oeste, e o corpo é banhado constantemente com água com limão.

Outros cuidados com o morto é que seja enterrado de dia, e jamais com sandálias de couro. Os índios acreditam que no além, elas se transformam em touros capazes de darem cornadas nas almas.

No Dia dos Mortos, quando elas retornam, estão sós, com fome e frio. As oferendas são retiradas 24 horas após com estas palavras: “Você já comeu bastante. Você sorvei o melhor dos alimentos, bebeu o aroma do seu aroma, a essência de sua essência. Eles não tem mais gosto. É a nossa vez…”

Durante todo o dia as mulheres rezam e conversam com os mortos, com cantos, lamentações, choros, por eles e pelos vivos. Esta cerimônia é ímpar em todo o México, sendo realizada somente na região de Romelliro pelos indios Chamulas.

O Dia dos Mortos do México no Cinema

Cenários de cemitérios, cruzes, caveiras e festas do tipo são um ambiente explorado pela indústria cinematográfica com muito sucesso. A Festa do Dia dos Mortos do México foi utilizada em dois filmes: Assassinos (1995), com Sylvester Stallone, Antonio Banderas, Julianne Moore (fig.06), e 007 CONTRA SPECTRE (2015),com Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux.

Poster do Filme “Os Assassinos” com Sylvester Stalone
Cena do Filme 007 Contra Spectre

O Dia dos Mortos nas Artes

O Dia dos Mortos do México foi retratado pelo pintor, também mexicano, Diego Rivera com a pintura “O Dia da Morte” em 1924, no Ministério da Educação, na Cidade do México.

9 - Fig 08 - 204_001 (1)

Patrimônio da Humanidade

Em cerimônia realizada em Paris, França em 7 de novembro de 2003, a UNESCO distinguiu a festividade indígena do Dia dos Mortos como Obra Mestra do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade. A distinção por considerar a UNESCO que esta festividade é:

“… uma das representações mais relevantes do patrimônio vivo do México e do mundo, e como uma das expressões culturais mais antigas e de maior força entre os grupos indígenas do país”.

O documento ainda destaca:

  • “Esse encontro anual entre as pessoas que celebram e seus antepassados, desempenha uma função social que recorda o lugar do indivíduo no seio do grupo e contribui na afirmação da identidade…”
  • “…embora a tradição não esteja formalmente ameaçada, sua dimensão estética e cultural deve ser preservada do crescente número de expressões não indígenas e de caráter comercial que tendem a afetar seu conteúdo imaterial”.

Bibliografia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico
Revista Planeta nº 2, Editora Três
http://www.viajenaimagem.com/2013/03/san-cristobal-de-las-casas.html

Publicado no Boletim da SPP nº 288 de abril de 2017

 

O Deficiente Físico na Filatelia – Parte 1 – Ano Internacional da Pessoa Deficiente – AIPD

2 - Fig 1 ONU

O ano de 1981 foi proclamado pela ONU, Organização das Nações Unidas  o Ano Internacional das Pessoas Deficientes pelas Nações Unidas. Os objetivos principais do AIPD eram: ajudar no ajustamento físico e psicossocial na sociedade; promover esforços, nacional e internacionalmente para possibilitar o trabalho compatível e a plena integração à sociedade; encorajar projetos de estudo e pesquisa visando à integração às atividades da vida diária, aos transportes e aos edifícios públicos; educar e informar o público sobre os direitos de participar e contribuir em vários aspectos da vida social, econômica e política, além de ações visando a prevenção das diversas deficiências e sua reabilitação.

3 - Fig 2 Ano Internacional do Deficiente

Apesar do ano de 1981 ter sido escolhido, o início de todo o processo se deu em 1976, quando a ONU o proclamou, durante a 31ª sessão da Assembleia Geral, sob o tema “Participação Plena”. À época a ONU já havia tomado uma série de decisões em prol das pessoas com deficiência, com a Declaração sobre os Direitos das Pessoas com Retardo Mental, de 1971, e a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, de 1975.

Em 1977 a ONU cria o Secretariado Especial e um Comitê Gestor integrado por representantes de 15 Estados membros com a finalidade de elaborar um plano de ação preliminar. Em 1978 a Assembleia Geral da ONU decide aumentar para 23 o número de Estados membros no Comitê Gestor. Nesta mesma sessão foi sugerido a formação de comissões nacionais para o Ano Internacional da Pessoa Deficiente.

Em 1979 a Assembleia Geral aprovou o Plano de Ação, ampliando o tema do Ano para “Participação Plena e Igualdade”.

O Símbolo Oficial do Ano Internacional das Pessoas Deficientes – 1981

5 - Fig 4 simbolo-ano-internacional

O símbolo utilizado representa duas pessoas que se dão as mãos, numa atitude mútua de solidariedade e de apoio em plano de igualdade, circundadas por parte do emblema das Nações Unidas.

 

4 - Fig 3 KURT WALDHEIMPessoas Deficientes têm o direito de uma plena participação na vida e no desenvolvimento de suas sociedades. Ê nossa obrigação fazer com que a eles seja possível usufruir desse direito.”

Kurt Josef Waldheim, diplomata e político austríaco, Secretário-geral da ONU de 1972 a 1981 e Presidente da República da Áustria de 1986 a 1992 (fig.4)

O Ano Internacional do Deficiente no Brasil

  • Os deficientes são parte da sociedade e não uma sociedade à parte”
  • Dra. Helena Bandeira de Figueiredo (médica), presidente do Conselho Nacional do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, 1981

A Comissão Nacional do AIPD foi instalada no Brasil pelos Decretos n° 84.919 e n° 85.123, respectivamente, de 15 de julho e 10 de setembro de 1980. Instituída no Ministério da Educação e Cultura, a Comissão Nacional era formada por representantes do Poder Executivo, de entidades não governamentais de reabilitação e educação de pessoas com deficiência, bem como pelas interessadas na prevenção de acidentes de trabalho, trânsito e domésticos. Não havia na Comissão Nacional do AIPD nenhuma vaga para entidades formadas por pessoas com deficiência, o que foi motivo de grande insatisfação por parte do movimento.

A Coalizão Pró-Federação Nacional de Entidades de Pessoas Deficientes repudiou a ausência de pessoas com deficiência na Comissão e solicitou, por meio de carta, ao presidente da República, general João Batista Figueiredo a alteração do Decreto que instalou a Comissão Nacional. O presidente Figueiredo garantiu que tais pessoas comporiam as subcomissões estaduais que seriam criadas, o que de fato aconteceu, enriquecendo o trabalho desenvolvido em prol das pessoas com deficiência.

6 - Fig 5 Ano Internacional no Brasil

O Ano Internacional das Pessoas com Deficiências no Brasil foi marcado pelo inicio da conquista da inclusão social, acessibilidade e maior visibilidade para os problemas cotidianos que os deficientes enfrentam. Numa demonstração na Praça Roosevelt em São Paulo, as associações de deficientes mostraram ao público em geral as dificuldades que eles enfrentavam, disponibilizando cadeiras de rodas para que pessoas sem deficiência subissem e descessem escadas nelas. No mesmo ano foi conquistada uma rampa de madeira no Teatro Municipal de São Paulo para que os deficientes pudessem entrar no teatro.

Um excelente histórico sobre as pessoas com deficiência foi feito pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. O download do arquivo em .pdf pode ser feito diretamente do link http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-com-deficiencia/pdfs/catalogo-para-todos

Bibliografia
www.wikipedia.org
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me002911.pdf
http://www.bengalalegal.com/movimento-historia-pcd
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kurt_Waldheim
http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-com-deficiencia/pdfs/catalogo-para-todos
http://www.bengalalegal.com/assistente-social
http://ebay.com