Frei Orlando – Patrono do Exército Brasileiro

1 - Frei OrlandoAntônio Álvares da Silva, Frei Orlando nasceu em Morada Nova de Minas a 13 de fevereiro de 1913 e faleceu, em Bombiana, Itália, 20 de fevereiro de 1945).

Órfão com apenas um ano de idade foi criado por família católica praticante. Depois da primeira comunhão, em 1920, passou a frequentar assiduamente o catecismo. Nele revelou-se nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja e a compaixão pelos humildes. Foi assim que, tendo iniciado seus estudos em Divinópolis (MG), seguiu para a Holanda, de onde retornou para sua ordenação como sacerdote, em 24 de outubro de 1937. Não era mais Antônio, mas, sim, o Frei Orlando.

Após a ordenação, com 24 anos, passa a lecionar no Colégio de Santo Antonio, em São João Del Rey, criando, próximo a este colégio, a “Sopa dos Pobres” em outubro de 1942, com a ajuda de paroquianos, alimentando operários, moradores de rua e outros necessitados, inclusive do 11º Regimento de Infantaria

A Segunda Guerra Mundial

A 31 de Agosto de 1942, o Brasil declara guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão.
Após o ataque japonês contra Pearl Harbour e a entrada dos Estados Unidos na guerra, o conflito mundial tinha-se aproximado das costas do continente americano, iniciando os ataques alemães a navios nas costas da América.

2 - Navio Itagiba
Navio Itagiba

Os navios Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará foram afundados por submarinos alemães, provocando 606 mortos em apenas 6 dias! De 22 de março de 1941 a 19 de julho de 1944 foram atacados, nas diversas partes do globo, um total de 35 navios brasileiros, totalizando 1081 mortos e 1686 sobreviventes.

A argumentação alemã para atacar navios brasileiros a 15 de Fevereiro de 1942 aponta para razões completamente infundadas, afirmando que os navios brasileiros navegavam sem luzes, não identificando o país de origem e dando a entender que eram navios mercantes de países que lutavam contra a Alemanha.

A pressão norte-americana sobre o governo brasileiro existiu de fato, mas a análise de Getúlio Vargas considerando que o Brasil teria muito mais vantagens em se aproximar dos aliados ocidentais que das potência do Eixo, também levou ao esfriamento das relações entre Brasil e Alemanha durante os primeiros meses de 1942.

Declaração de Beligerância

Selo GetulioEm 22 de Agosto de 1942, Getúlio Vargas, assina um decreto presidencial em que o Brasil reconhece a existência de um estado de beligerância. A declaração, foi transmitida pela rádio brasileira às 20:00 desse mesmo dia, implicando que o Brasil deixava de ser um país neutro, e que embora decidisse não atacar a Alemanha, estava livre para apoiar os aliados.

No entanto, a pressão das ruas foi maior que o que o governo de Getúlio Vargas esperava e a declaração do estado de guerra seguiu-se dias depois.

Estado de Guerra

Nove dias depois da declaração de beligerância, o Brasil declara, a 31 de Agosto de 1942, a existência de um estado de guerra com as potências do eixo, iniciando preparativos para enviar pessoal, material e apoio para o continente europeu.

FEB – Soldados para a Guerra

4 - Selo Cobra fumandoA Força Expedicionária Brasileira, FEB, foi a força militar brasileira de 25.334 homens responsável pela participação brasileira ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Constituída principalmente por uma divisão de infantaria, historicamente é considerada o conjunto de todas as forças militares brasileiras que participaram daquela campanha. Adotou como lema “A cobra está fumando”, em alusão ao que se dizia à época que seria “Mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa”.

O 11º Regimento de Infantaria começou a receber e preparar soldados (“pracinhas”) para embarque para a Itália para lutar ao lado dos norte americanos. Frei Orlando viu o 11º RI partir e não se conformou em permanecer impassivelmente na cidade. Assim, quando o então comandante do regimento, coronel Delmiro Pereira de Andrade, solicitou a indicação de um religioso para capelão militar ao Comissariado dos Franciscanos em São João del-Rei, Frei Orlando viu a oportunidade de concretizar um de seus mais acalentados sonhos: o de ser missionário sem fronteiras, ir a qualquer parte do mundo para multiplicar os discípulos de Deus. Integrou-se, então, à FEB, e seguiu para a Europa. Seu primeiro trabalho foi celebrar uma missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros, nomeado Capelão do Regimento Tiradentes.

Atuação na Praça de Guerra

Frei Orlando esteve ao lado dos soldados brasileiros, rezando, orientando, trazendo esperança a todos antes de irem ao front, confortando-os na volta, ajudando os feridos, confortando as baixas. Mas também, dono de um coração Cristão, ajudada famílias italianas em necessidade, tais como fome e doenças, mas também espiritualmente. Avançava com os soldados na frente de batalha, mesmo considerando-se o perigo dos bombardeios inimigos.

A Morte de Frei Orlando

Na sangrenta batalha de Monte Castelo, Frei Orlando vendo o que se passava, e preso de profunda emoção foi para a frente de batalha onde os nossos soldados misturavam seu sangue com a neve em degelo. Às vésperas da tomada de Monte Castello, durante uma visita à linha de frente, o jipe que transportava Frei Orlando atolou na lama. Um partisan (membro da resistência italiana) tentou desencalhar o jipe, batendo com o cabo do rifle em uma pedra. O rifle disparou, atingindo Frei Orlando que morreu vitimado por esse tiro acidental. Contava com 32 anos de idade naquele fatídico 20 de fevereiro de 1945 em Bombioana, Itália.

5

A morte de Frei Orlando causou tristeza e revolta em toda a tropa brasileira. Os ataques a Monte Castelo tornaram-se mais cruciais, caindo a fortaleza em no dia seguinte, após tres meses de atuação da FEB.

Patronato de Frei Orlando

Pelo decreto nº 20680 de 28 de fevereiro de 1946, o Presidente da República Eurico Gaspar Dutra instituiu Frei Orlando como Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército Brasileiro.

7 - PlacaRecebeu ainda, pós-mortem, as condecorações com a Medalha Sangue do Brasil e a Medalha de Campanha, atestando a coragem e bravura com que desempenhou seu trabalho na FEB, além de uma placa em homenagem ao Frei Orlando, em Bombiana, Italia.

Frei Orlando foi venerado por todos que o conheceram, pela bondade, alegria e pela solicitude a todos os necessitados, tanto no Brasil, em São João Del Rey, como por todos os soldados do seu Regimento, além da população italiana assistida por ele durante a guerra.

6 - Cartao Postal

BIBLIOGRAFIA
Frei Orlando, o Capelão que não voltou, Tenente Gil Palhares, 2ª edição, Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, RJ
www.wikipedia.org
http://segundaguerra.net/feb-a-morte-de-frei-orlando/
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=136
www.infoescola.com

Publicado no Boletim Filacap 183 ano 40 novembro/2014

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