A Umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), do catolicismo (cirstianismo e seus santos que foram sincretizados pelos negros africanos), espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei do karma, progresso espiritual).
A Palavra Umbanda
O termo “Umbanda” ou “embanda” são oriundos da língua quimbunda de Angola, significando “magia”, “arte de curar”. Há também a suposição de uma origem em um mantra na Língua adâmica cujo significado seria “conjunto das leis divinas” ou “deus ao nosso lado”. A língua adâmica seria a linguagem falada por Deus, Adão e Eva no paraíso, portanto a linguagem universal.
Existe a grafia original da palavra “mbanda” significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que “mbanda” quer dizer “o Além, onde moram os espíritos”.
Após o Congresso Umbandista de 1941, declarou-se que “umbanda” vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como “o limite no ilimitado”, “Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante.”
História da Umbanda
Em 1907 ou 1908 o jovem Zélio Fernandino de Morais, prestes a ingressar na Marinha Brasileira começou a sofrer “ataques” de loucura, assumindo a identidade de um velho e falando coisas incompreensíveis, ou de um felino. Examinado por um médico, foi orientado que fosse procurar um padre, mas a família optou por levá-lo a um centro espírita, na Federação Espírita de Niterói, no Rio de Janeiro.
Neste dia (15 de novembro), sentado à mesa dos trabalhos espíritas, Zélio incorporou negros e índios, sendo que o dirigente dos trabalhos alertou os espíritos a se retirarem dali, pois os considerava atrasados. Retrucando, o espírito ali encorporado identificou-se como Caboclo das Sete Encruzilhadas, falando de suas várias vidas e de sua missão.
No dia seguinte, os trabalhadores do Centro Espírita foram à casa de Zélio, em São Gonçalo, para comprovar a veracidade dos fatos, quando novamente o médium incorporou suas entidades, declarando que os espíritos de velhos negros escravos e índios tinham a missão de ajudar na prática da caridade, orientação e cura de qualquer pessoa que lhes procurassem, independente de raça, cor ou credo religioso. Estava então fundado o primeiro Terreiro de Umbanda, chamado de Tenda Espírita de Nossa Senhora da Piedade.
O Caboclo estabeleceu normas de conduta e trabalho, todas baseadas no Evangelho de Jesus Cristo. Em 1918 foram fundadas mais sete tendas de umbanda, em 1939 é criada a União Espírita de Umbanda no Brasil, que em 1941 organizou o Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda. Nele, os participantes tentaram mostrar uma origem ancestral da Umbanda, inclusive alegando que ela se degenerou na África em feitichismo.
O segundo congresso foi realizado no Maracananzinho em 1961. No terceiro congresso, em 1963, a Umbanda se firmou como religião expressiva nos campos da assistência, contando, além dos centros espíritas, com escolas, creches, ambulatórios com a missão de prestar caridade e ajuda. Na década de 90, apesar de ter sido alvo de ataque das diversas correntes neopentecostais, foi criada a Faculdade de Teologia Umbandística, mantida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.
Com o passar dos anos, a Umbanda dividiu-se em diversas correntes, mas sempre seguindo os seus preceitos básicos. Apesar de diferentes vertentes existem alguns conceitos encontrados que são comum a todas, sendo estes:
Um deus único e onipresente, chamado Olorum ou Zambi.
Crença nas Divindades ou orixás
Crença na existência de Guias ou entidades espirituais
A imortalidade da alma
Crença nos antepassados
A reencarnação
O carma
Lei de causa e efeito pela qual os umbandistas pagam o bem recebido com o bem e o mal com a justiça divina
Além desses preceitos, a Umbanda exige a fraternidade, a caridade e o respeito ao próximo, utilizando-se também de médiuns para comunicação entre os espíritos e orixás com seus seguidores.
Dia Nacional da Umbanda

A data de 15 de novembro foi escolhida por ter sido o dia, em 1908 em que o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou através do médium Zélio Fernandino de Morais. (fig.2)
Os Orixás
Os orixás são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da natureza. As características de cada Orixá os tornam humanizados, pois eles manifestam-se através de emoções como raiva, ciúmes, amor, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, oferendas, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus Orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.

Candomblé
O Candomblé é uma religião derivada do animismo africano onde se cultuam os orixás, voduns ou nkisis, dependendo da nação.
Dentre as nações africanas praticantes do animismo, cada uma tinha como base, o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos que agrupados nas senzalas, nomeavam um “zelador de santo”, também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres.
A religião tem, por base, a anima (alma) da Natureza, sendo portanto, chamada de anímica. Os sacerdotes africanos que vieram para o Brasil como escravos entre 1549 e 1888, é que tentaram continuar praticando suas religiões em terras brasileiras. Foram os africanos que implantaram suas religiões no Brasil, juntando várias em uma casa só para a sobrevivência das mesmas. Portanto, não é invenção de brasileiros, mas a junção, via sincretismo, de diversas religiões e cultos europeus, africanos e indígenas.
Final
Assim como outras religiões, a Umbanda sofreu a repressão política durante a era Vargas até 1950. Uma lei de 1934 colocava as religiões sob a vigilância do Departamento de Tóxicos e Mistificações da Polícia, quando então a religião oficial no Brasil era a católica. Isso fez com que muitos Centros de Umbanda trabalhassem na clandestinidade, sendo vítimas de perseguição policial.
Sendo uma religião de matriz africana e completamente adaptada ao Brasil, via um sincretismo profundo, a Umbanda pode ser considerada uma religião completa, por reunir preceitos do Cristianismo, das religiões africanas e dos cultos indígenas. A umbanda é atacada pelos neopentecostais, assim como o Kardecismo e o Candomblé. Esta última ataca a Umbanda por considerá-la superficial demais em relação aos rituais mais profundos de cultos aos Orixás.
Outras Peças Filatélicas:
Carimbo de Pierre Verger
Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse.
Ilê Axé Opó Afonjá
Ilê Axé Opó Afonjá (“Casa de Força Sustentada por Afonjá”) ou Centro Cruz Santa do Axé do Opó Afonjá é um terreiro de candomblé fundado por Eugênia Ana dos Santos, em 1910, na Rua Direta de São Gonçalo do Retiro, 557, no bairro do Cabula, em Salvador, na Bahia, no Brasil. O seu tombamento ocorreu em 28 de julho de 2000 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Escolástica Maria da Conceição Nazaré
Escolástica Maria da Conceição Nazaré, filha de Oxum, era do terreiro do Gantois. Considerada a grande mãe-de-santo do Candomblé no Brasil, Menininha do Gantois foi uma grande líder espiritual que ajudou a tornar mais aceita a religião herdada de seus ancestrais africanos.

Adendos:
Carimbos:
7462 – 4/23.11.2002 Salvador-BA Pierre Verger Fotografia Jornalismo Umbandista
8370 – 8/22.2.2007 Salvador-BA Mãe Menininha de Gantois Candomblé Umbanda
1838 – 12/20.11.72 Rio Religião Umbanda
3616 – C1274/6 21/27.8.82 Salvador-BA Religião Umbanda Orixás
4275 – 13/19.8.87 Salvador-BA Candomblé Menininha de Gantois Umbanda
5033 – 29.5.92 Brasília-DF Candomblé Umbanda
Selos:
1274/76 – Indumentária dos Orixás
3289 – Terreiro Histórico Ilê Opô Afonjá
3363 – Sincretismo Religioso – Zélio Fernandino de Morais
Bibliografia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Umbanda
http://www.pierreverger.org/br/pierre-fatumbi-verger/biografia/biografia.html
http://educacao.uol.com.br/biografias/mae-menininha-do-gantois.htm
Coleção temática “A Escravidão no Brasil”, do autor deste artigo
Catálogo Zioni
Catálogo RHM 2016
Artigo publicado no Boletim da SPP nº 227 de dezembro de 2016
Hippolyte Léon Denizard Rivail, (Lyon, 1804 — Paris, 1869), educador influente, autor de diversos livros, poliglota ((falava francês, alemão, italiano, holandes e espanhol), com estudos na Suiça e na Alemanha, bacharelando-se em Ciências e Letras e formando-se em Medicina, foi o codificador da Doutrina Espírita sob o pseudônimo de Allan Kardec (fig.1).
O primeiro selo comemorativo sobre o Espiritismo no Brasil foi lançado em 18 de abril de 1957, o C-387, na cor marrom, comemorando o Centenário da Codificação do Espiritismo e carimbo comemorativo (Zioni 579, RJ). Este é o 1º selo sobre Espiritismo no mundo, graças à iniciativa e ao exaustivo trabalho da Federação Espírita Brasileira (FEB), na presidência de Antônio Wantuil de Freitas.
Em 14 de junho de 1963 Antônio Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, dava entrada nos Correios de um bem justificado requerimento, solicitando a emissão do segundo selo postal espírita, a que mais tarde chamariam simplesmente o “Selo do Evangelho”.
Em 1869, por ocasião do centenário do desencarne de Kardec, novamente o Departamento de Correios do Ministério das Comunicações, através de seu Diretor Geral, General Rubens Rosado Teixeira, adere aos festejos espíritas editando o selo e o carimbo relativos à data da desencarnação do Codificador (Zioni 1411).






















1900 e 1908, com a finalidade de facilitar as peregrinações aos locais sagrados muçulmanos, mas estrategicamente para fortalecer o domínio otomano em províncias distantes, bem como uma via economicamente forte para as finanças do Império.


Das ocupações destacamos a Ocupação Italiana nas ilhas do Egeu e como títulos da dívida pública otomana (sobrecarga “Debito Publlico Ottomana”); ocupação grega na Anatólia, Ilha de Rodes e Europa Otomana; ocupação britânica na Mesopotâmia (Iraque), ocupação francesa na Síria e Líbano (fig. 13).
Este método caligráfico muitas vezes “desenha” formas humanas, de animais ou plantas e coloca em seu interior uma assinatura ou uma mensagem. (fig.1)

Em diversos selos reutilizados neste período é utilizada uma sobrecarga com a “tougra” sem a assinatura à direita de El-Ghazi. (Fig 8)










A Revolta de 1922 (Primeira Revolta Tenentista) serviu para mostrar o descontentamento de militares com a política do País. Em 1924, a revolução que se ergueu em São Paulo começou a desenhar um projeto político tenentista mais claro. Em sua lista de demandas, além da deposição do Presidente da República, estavam um conjunto de reformas políticas que visavam a moralização do sistema político. Pediam maior independência do Legislativo e do Judiciário, limitações para o Poder Executivo, o fim do voto de cabresto, a adoção do voto secreto e a instauração do ensino público obrigatório.














A emissão destes selos tem inúmeras variedades, por falta de cuidados e de experiência na impressão. Existe sobrecarga invertida no selo de 5 paras, verde (fig.2). Há erros de data da sobrecarga descritos em selos de todos os valores: 2337 ao invés de 1337 (em árabe, vide tabela ao final do artigo). Os selos de 1, 2 e 5 paras com sobrecarga não estavam de acordo com a tarifa postal vigente e muito provavelmente foram inúteis para o fim postal a que se destinavam.
Em 1915 quase todos os selos da Liga Naval Otomana, menos os de 40 paras receberam outra sobrecarga com a inscrição em vermelho: “para ajuda ao imigrante” convertendo-se assim em selos fiscais (5 piastras no selo laranja de 1 para) (fig. 4). Lembramos que nesta época o mundo assistia à Primeira Guerra Mundial, com grande deslocamento de populações fugindo dos teatros de batalhas.
Em 1916 o selo de 1 pa (laranja) recebeu uma sobrecarga em preto: “paras 5 paras” para contribuição da “taxa do querosene” (fig. 5). Não encontramos nenhuma referência a esta taxa no Catálogo de Selos Fiscais da Império Otomano.
