Boletim da SPP nº 214 – Agosto/2012
Há tempos venho buscando novas peças filatélicas, e até por um incentivo ao ver a Coleção de Materiais Diferenciados do Julio da Filatelia 77 comecei a procurar peças diferentes para uma simples acumulação. Aquela história de procurar selos de cortiça, com lava de vulcão, cristais (aguardem em breve as falsificações que certamente irão aparecer), revelou-se extremamente produtiva e interessante.
Imensos blocos que utilizam quase uma folha de A4, outros com forma de golfinho, selos em todos os formatos (principalmente de Tonga). Mas os selos que mais me chamaram a atenção não tem formas nem materiais diferentes do lugar-comum do papel, dentenação e tinta colorida.
São seis selos em se-tenant de um lugar chamado KALMYKIA retratando nada menos do que “DISCOS VOADORES” !!! Kalmykia deve ser um lugar perdido em qualquer lugar da Ásia ou no meio de esquimós, e deve ter seguramente um espaçoporto estelar. Fui à pesquisa. Imaginem a filatelia daqui a cem anos: selos de bases na Lua ou Marte, bases americanas, russas e chinesas. Envelopes com carimbos tipo “Via Discovery”, carimbos de devolução por endereço incompleto. Se o nosso celular já tem nove números, como será em 2112?
Mas vamos lá:
A República da Kalmykia é uma república constituinte da Federação Russa situada a sul do rio Volga, às margens à noroeste do Mar Cáspio. Ele compartilha sua fronteira sudeste com o Daguestão. O povo Calmuque é responsável por cerca de 53% da população. O restante desta população é sua maioria etnia russa.
Os calmuques (ou calmucos) são descendentes de pastores mongóis nômades que viajajaram para o oeste nos séculos XVI e XVII em busca de pastagens, se estabelecendo ao redor do rio Volga. Depois de um juramento de lealdade ao czar que foi concedido seu estabelecimento naquela região em troca de serviços em terras da Rússia como guardas da fronteira oriental. Os calmuques vivem no único país budista na Europa e reverenciar o Dalai Lama, que visitou a república em 2004.
Em 1943 Stalin acusou os calmuques de colaboração com os nazistas e os deportou em massa para a Sibéria, onde cerca de metade deles morreu. Eles só foram autorizados a voltar para casa em 1957 após Khrushchev assumir o poder no Kremlin. Hoje a Kalmykia é uma das regiões mais pobres e subdesenvolvidas da Europa com uma infra-estrutura em ruínas.
Concluo que a filatelia é feita por pessoas que, além da compulsão por coleciona-los os torna pesquisadores natos. A primeira premissa do filatelismo é a busca geral pela cultura, pela pesquisa aliada a apresentar as coleções (e o conhecimento) para outras pessoas e outros colecionadores. Desta maneira, uma compra feita no Mercado Livre de uma “coisas estranha”, ou seja, seis selos retratando discos voadores (cuja discussão fica para outra ocasião), nos permitiu aprender um pouco da história de um povo nômade, dizimado na segunda guerra mundial, encontrar um país que jamais acreditaríamos existir, além de poder sonhar como serão nossas coleções daqui cem anos.
Eu acredito em discos voadores, mas isso já é um problema meu e da minha família, mas é melhor eu não dizer nada. Posso ser mal interpretado…
Roberto Antonio Aniche
Bibliografia:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/country_profiles/4580467.stm
http://en.wikipedia.org/wiki/Kalmykia

Villa-Lobos aprende com amigos boêmios a tocar violão, para desespero da mãe e forma com outros músicos o conjunto de seresteiros que vai homenagear, em 1903, Santos Dumont, recém chegado de Paris após contornar a Torre Eiffel com seu dirigível. Torna-se um dos músicos que mais contribuíram para o desenvolvimento do “choro” no Brasil, tocando com o grupo peças de Ernesto Nazareth Joaquim Calado, Catulo da Paixão Cearense, entre outros.
Matricula-se no Instituto Nacional de Música, mas não aguenta a rigidez da escola. Procura o Maestro Francisco Braga, mas também não consegue se adaptar. Ganha do Dr. Leão Veloso um livro com o curso de composição do europeu Vincent D´Indy e está feito seu aprendizado. Toca, para ganhar a vida, no Teatro Recreio um repertório com óperas, operetas e zarzuelas; também no Cinema Odeon e em bares e cabarés o repertório dos chorões e dos seresteiros.
Casa-se no Rio de Janeiro com Lucília, que passa a ser a intérprete de suas obras em audições em casa para amigos como os maestros Francisco Braga e Henrique Oswald. Em 1915 faz sua primeira aparição em público no Teatro Eugênia com obras suas e do compositor europeu Popper. Após, dá o seu primeiro concerto no Teatro São Pedro sob a regência de Francisco Braga.
Em 1919 realiza um concerto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, homenageando Epitácio Pessoa que regressava da Conferência de Haia.
como a Prole do Bebê e outras. Foi o compositor que mais divulgou a música brasileira na Europa e América ao lado de Carlos Gomes. Realizou no Brasil, após 1930, uma turnê por sessenta e duas cidades brasileiras, bem como a Cruzada do Canto Orfeônico no Rio de Janeiro, além de ser o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música.
