Heitor Villa-Lobos

Boletim da Sociedade Philatélica Paulista – SPP nº 210 de abril de 2011

Heitor Villa-Lobos nasce no Rio de Janeiro em 5 de março de 1887, prematuro de sete meses, filho de um professor e funcionário público da Biblioteca Nacional, Raul Villa-Lobos e dona Noemia Villa-Lobos, segundo filho de quatro irmãos, sobrevivendo numa época de parcos recursos médicos e ganhando o apelido carinhoso de “Tuhu”.

O gosto pela música vem através de saraus que o pai patrocinava em sua própria casa com músicos amadores como Manuel Vitorino, Francisco Fajardo, Gurgel do Amaral, Sebastião Barroso, e outros nomes que pouco aparecem na história de nossa música. Seu pai é seu primeiro professor de música, ensinando-lhe a arte do violoncelo e da flauta.

Seu avô materno é o autor da música “Quadrilha das Moças”, tocado em festas da boemia do Rio de Janeiro. A sua tia Zizinha toca Bach ao piano, o que encanta mais ainda o gosto de Villa-Lobos pela música. Em 1899 o pai morre vítima de varíola, deixando a família na pobreza. A mãe vai trabalhar como passadeira na Confeitaria Colombo e sonha com a profissão de médico para Villa-Lobos.

Fig 1Villa-Lobos aprende com amigos boêmios a tocar violão, para desespero da mãe e forma com outros músicos o conjunto de seresteiros que vai homenagear, em 1903, Santos Dumont, recém chegado de Paris após contornar a Torre Eiffel com seu dirigível. Torna-se um dos músicos que mais contribuíram para o desenvolvimento do “choro” no Brasil, tocando com o grupo peças de Ernesto Nazareth Joaquim Calado, Catulo da Paixão Cearense, entre outros.

Frequentava também as mesas da Pascoal e da Colombo, aonde teve contato com intelectuais da boemia, tais como Luis Edmundo, Olavo Bilac , Humberto de Campos, Coelho Neto entre outros nomes do início da república.

Fig 4.jpgMatricula-se no Instituto Nacional de Música, mas não aguenta a rigidez da escola. Procura o Maestro Francisco Braga, mas também não consegue se adaptar. Ganha do Dr. Leão Veloso um livro com o curso de composição do europeu Vincent D´Indy e está feito seu aprendizado. Toca, para ganhar a vida, no Teatro Recreio um repertório com óperas, operetas e zarzuelas; também no Cinema Odeon e em bares e cabarés o repertório dos chorões e dos seresteiros.

Aos 18 anos inicia seu ciclo de viagens pelo Brasil (há discordância entre seus biógrafos) coletando músicas das diversas regiões, sul, norte, nordeste e centro-oeste que servirão de base para suas maiores composições no lado da música erudita, iniciando suas viagens com o dinheiro da venda de livros raros de seu falecido pai.

Fig 5.jpgCasa-se no Rio de Janeiro com Lucília, que passa a ser a intérprete de suas obras em audições em casa para amigos como os maestros Francisco Braga e Henrique Oswald. Em 1915 faz sua primeira aparição em público no Teatro Eugênia com obras suas e do compositor europeu Popper. Após, dá o seu primeiro concerto no Teatro São Pedro sob a regência de Francisco Braga.

Fig 6.jpgEm 1919 realiza um concerto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, homenageando Epitácio Pessoa que regressava da Conferência de Haia.

Em 1922 participa da Semana da Arte Moderna junto com a vanguarda cultural brasileira, viajando no ano seguinte, sob o patrocínio do milionário carioca Arnaldo Guinle a Paris aonde tem contato com a música contemporânea. Tem contato com grandes músicos como Andres Segovia, Artur Rubinstein e Vera Janacópulos, que tornam a sua música conhecida mundialmente.

Termina por carta o casamento com Lucília em 1930, casando-se com uma ex-aluna, Arminda Neves d´Almeida, “Mindinha”. Operado de câncer em 1948 falece em 17 de novembro de 1959.

Difícil dizer qual foi sua grande obra: foi autor de choros, serestas, 12 sinfonias e as maravilhosas Nove Bachianas Brasileiras, além das cirandas, das composições de piano Fig 7como a Prole do Bebê e outras. Foi o compositor que mais divulgou a música brasileira na Europa e América ao lado de Carlos Gomes. Realizou no Brasil, após 1930, uma turnê por sessenta e duas cidades brasileiras, bem como a Cruzada do Canto Orfeônico no Rio de Janeiro, além de ser o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música.

Após a sua morte, sua viúva Mindinha encarrega-se da divulgação de sua monumental obra. Em 1960 o governo cria o Museu Villa-Lobos no Rio de Janeiro.

O Brasil emitiu dois selos em homenagem a Heitor Villa-Lobos, o primeiro em em 26 de abril de 1977 como parte da série Compositores Brasileiros e o segundo em 5 de março de 1987 nas comemorações dos seus 100 anos do nascimento.

Fig 8.jpg

Roberto Antonio Aniche
Membro da SPP Sociedade Philatélica Paulista
Membro da Sobrames Soc. Brasileira de Médicos Escritores

Bibliografia
Villa-Lobos – Editora Três
Wikipedia
Catálogo RHM 2010

Recuperando Selos Auto-Adesivos – Parte II

Artigo publicado no Boletim da SPP nº 198 de dezembro/2006 a abril/2007
Revisado em 15 de setembro de 2009.

Continuo a minha saga para obter selos autoadesivos circulados e descolados dos envelopes sem goma residual. A princípio não tive dificuldades em aplicar o método descrito no artigo anterior, mas obviamente as dificuldades surgiram.

Alguns selos são impossíveis de ter a sua goma enfraquecida com benzina e portanto impossíveis de serem destacados de fragmentos de envelopes sem que ocorram lacerações, rasgos ou amincis. São eles:

– 1993 – Bandeira Nacional (Catálogo RHM 695)
– 1994 – Bandeira Nacional (Catálogo RHM 698)
– 1994 – 1º Porte Impresso Categoria II (Catálogo RHM 706)
– 1994 – 3º Porte Nacional (Catálogo RHM 707) – 1996
– Turismo (Catálogo RHM 719 a 723)
– 1996 – Turismo II (Catálogo RHM 724 a 728)
– 1997 – Aviões Brasileiros (Catálogo RHM 729 a 733)
– 1997 – Selos em cadernetas, cidadania (Catálogo RHM 744 a 748)
– 1998 – Selos em cadernetas, raças (Catálogo RHM 760 a 764)

Os demais selos descolam-se facilmente com benzina, apesar de manterem um resíduo de cola que deve ser talqueado para não aderir aos hawids ou filabands. No entanto os selos mencionados não descolam com os solventes que testei: benzina, acetona, éter sulfídrico, thiner.

Para estes selos, resta-nos cortar o envelope ou fragmento rente ao picote ou denteação para colocá-los em nosso álbum.

Enviei dois e-mails para a Divisão Central Filatélica dos Correios em 14 e 15 de outubro de 2006, mas não obtive qualquer resposta de como proceder para liberar os selos dos envelopes. Mas nada tira a beleza de um álbum com selos verdadeiramente circulados do Brasil e os selos ordinários muito se prestam a este hobby.

O Catálogo RHM fornece todas as explicações, descrevendo e codificando as variedades de todos os selos, o que torna a montagem deste álbum verdadeiramente fascinante e desafiadora, sobretudo por termos, segundo o mesmo catálogo, poucos selos difíceis de se encontrar ou muito caros.

Abaixo temos uma folha do álbum montado com selos autoadesivos descolados com benzina e talqueados para anular a cola resistente.

Bom divertimento!

Roberto Antonio Aniche
Membro da SPP – Sociedade Philatélica Paulista
Membro da Sobrames – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

Fig 1

Recuperando Selos Auto-Adesivos – Parte I

Artigo publicado no Boletim da SPP nº 196 de abril/2006
Revisado em 15 de setembro de 2009.

HISTÓRICO

Quem não lembra com saudades do tempo do “gomeiro”, uma mesa com roldanas de borracha no seu tampo que passavam pela goma arábica para que colássemos os selos para aposição nas cartas? A cola evoluiu para a cola em pasta (Goyania), de resina (Tenaz) e as colas de bastão (Pritt). Nós, os filatelistas odiamos a cola de resina por motivos óbvios.

Os correios também evoluíram bastante. Os selos originalmente saiam das gráficas devidamente gomados. O Catálogo RHM de Selos do Brasil volume I faz uma referência ao acréscimo de valor de venda dos selos com a goma original do período do Império até 1890, mas exibe tres colunas em suas cotações somente para selos comemorativos a partir de 1900.

Acredito que a goma não era tão eficiente, pois molhar o selo na época do império implicava até em dissolver a imagem estampada, já que as tintas utilizadas não eram laváveis. Molhar o selo com a língua era uma prática nojenta, porém comum no início do século passado, daí surgirem os gomeiros para nos aliviar desta tarefa insossa de colar o selo na carta.

Tentando se livrar do gomeiro, o Correio do Brasil inaugura a fase do selo autoadesivo, facilitando o comércio de selos inclusive em banca de jornais e dispensando o saudoso gomeiro e a língua do missivista. O primeiro selo autoadesivo citado no Catálogo RHM de Selos do Brasil volume III é o emitido em 02 de abril de 1990: o Comprovante de Franqueamento para Registro Nacional e Selo de Registro Nacional SRN-1, composto de um lado por um  número que seria afixado à carta e de outro, afixado ao comprovante do remetente. Aí começam as nossas dores de cabeça.

IDENTIFICANDO O PROBLEMA

Os selos autoadesivos foram e são impressos em milhões de unidades, o que torna o seu valor financeiro dentro de uma coleção extremamente desprezível. Mas do ponto de vista filatélico ele não deixa de ser uma preciosidade, pois pode ser estudado, classificado e exibido dentro de vários contextos.

O problema é: como destacar, sem destruir, um selo autoadesivo circulado para inseri-lo em nossa coleção de selos ordinários usados? E quando um selo autoadesivo é colocado “artisticamente” sobre selos comemorativos em um envelope? O problema é libertar os selos dos envelopes: o nosso problema é a goma!

A SOLUÇÃO: LIBERTANDO OS SELOS

Solventes simples como a água não conseguem dissolver a goma; experimentei deixar fragmentos até 5 dias na água e consegui um gigantesco aminci no selo. A experiência com álcool também não consegue liberar o selo. A alternativa foi um solvente muito nosso conhecido: a benzina.

A tarefa é simples: – mergulhar o fragmento do envelope em benzina durante 3 a 5 minutos. Este é o tempo que a benzina leva para atravessar o selo de um lado e o fragmento do envelope de outro,- retirar delicadamente o selo com uma pinça,- colocar o selo sobre papel absorvente com a face voltada para o papel,- aguardar a secagem, que é rápida, já que a benzina evapora facilmente- talquear (colocar talco) no verso gomado do selo- o fragmento contendo os selos não gomados deve ser colocado em água para destacá-los

Até as emissões das Bandeiras autoadesivas (1993-94), o tipo de goma utilizado pelo correio dissolve mais facilmente na benzina, além do papel ser mais espesso mas é necessário talqueá-lo para inserir o selo na coleção. Nas emissões mais recentes a goma é mais aderente, o selo em papel mais fino, continua tentando aderir a outras superfícies.

Lembrando que a ferrugem que acomete os selos é um fungo dependente de calor e umidade, optei por talquear os selos com polvilho antisséptico ou talcos antimicóticos. Dentro de 5 a 10 anos vamos descobrir nos selos guardados se o medicamento também funciona como preventivo de ferrugem.

A MANUTENÇÃO DA COR

O quesito cor é um dos mais importantes em filatelia; basta olharmos a imensa variação de selos catalogados com variações de cor, chegando aos limites da imaginação na classificação da série bisneta. Nas últimas décadas os Correios primam pela qualidade e não existe praticamente variação de cor nos selos. A benzina é um poderoso solvente, mas que não venceu a qualidade dos selos autoadesivos. Fiz o comparativo de cores com outros exemplares não circulados e circulados em fragmentos e envelopes com os selos destacados na benzina, e não houve variação da cor, ou seja, a benzina não dissolve a tinta utilizada na emissão dos selos autoadesivos.

EXEMPLOS

No meu melhor exemplo, ganhei um fragmento contendo dois selos retirados de dois blocos de 2004 da Capela de São Miguel Arcanjo. (Fig. 1). O fragmento é mergulhado na benzina (Fig. 2) e após, destacado suavemente com uma pinça (Fig.3). A seguir, o fragmento com os selos do bloco são colocados em água para serem destacados também (Fig.4).

Outro exemplo é um fragmento com 7 selos autoadesivos (Fig.5). O processo é o mesmo, deixando os selos secarem após serem destacados com a pinça (Fig.6). Os selos continuam aderindo a qualquer superfície (Fig.7), e é necessário talqueá-los (Fig.8).

Montar coleções com selos autoadesivos me permitiu admirar as mais belas folhas dos meus álbuns. Pelo número incrivelmente grande de selos emitidos e utilizados podemos montar as folhas do Álbum Tafisa com selos usados selecionados a custo zero e sem remorso por estarmos desprezando um carimbo ilegível, e com o prazer que somente um filatelista pode desfrutar.

Mãos à obra e bom divertimento!

Roberto Antonio Aniche
Membro da SPP – Sociedade Philatélica Paulista
Membro da Sobrames – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

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