Ana Lucia, da antiga Filatélica Penny Black, de São Paulo, sempre foi uma batalhadora pela divulgação da filatelia. Entre os livros que escreveu, seu Dicionário, revisado por ela em 2008 é um companheiro ideal de principiantes da nossa arte, pelo didatismo e simplicidade de exposição.
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Momentos Econômicos e a Música Erudita no Brasil
Em termos de Arte, o Brasil é um país muito jovem. Se considerarmos a música clássica que começa num Brasil Colônia, espoliado, sem direito a educação podemos considerar que nossos primeiros músicos foram eminentemente heróis. Olhando um pouco mais adiante, quando falamos em música nacionalista, com raízes no nosso próprio território e nas tradições incipientes genuinamente brasileiras, nossa música clássica ainda é uma recém nascida…
Esta coleção, longe de entrar em uma competitiva porque esta nunca foi a sua intenção, mostra como a Música Clássica caminha de mãos dadas com a riqueza, em qualquer lugar do mundo. Música Clássica é uma arte para aqueles que se dedicaram a vida inteira para compô-la ou executá-la, é uma arte de alto custo, pois demanda tempo em curva de aprendizado, instrumentos musicais, professores, teatros, e ainda tem que buscar o seu público.
A Música Clássica se inicia no Brasil dentro das Igrejas. Estas sempre foram ricas, quer por doações, muitas vezes de maneira espúria como a venda das indulgências, ou por expropriações como no episódio sombrio da Inquisição. O estudo do sacerdócio já no noviciato tinha a música como componente do curriculum.
A Música Clássica segue geograficamente os nossos ciclos da riqueza: o Ciclo do Ouro, Ciclo da Borracha, Ciclo do Café. Modernamente segue em companhia da riqueza, nas grandes metrópoles através de doações de bancos, financeiras ou indústrias. O mecenato, tão comum na Veneza antiga, hoje é modesto. As subvenções governamentais são cada dia menores, com o fechamento de orquestras e desmonte dos teatros.
Mas ela sempre sobreviverá através de suas gravações e por esta maravilha chamada internet, que da mesma forma que divulga a música-lixo, divulga e mantém viva a Música Clássica.
El Cid, O Herói Espanhol – Parte 2 – Selos da Espanha
Mesmo sendo um Herói Nacional, a Espanha não emitiu muitos selos comemorativos exultando a memória e os feitos de El Cid. Em 1937 surge um selo tipo com o cavaleiro, que se repetiria com variações nos anos de 1938, 1939, 1940 e depois em 1949 e 1950, que será objeto de estudo mais detalhado neste artigo.
Surgiu também uma série com quatro selos comemorativos em 1962 e outra com três selos, sendo um com El Cid em 1977.
A Série de 1962 – Rodrigo Diaz de Vivar, El Cid
São quatro selos, mas o que mais chama a atenção é o com a imagem do cofre de El Cid na Catedral de Burgos.


Classificação
| EDIFIL | YVERT | SCOTT | VALOR | MOTIVO |
| 1444 | 1109 | 1121 | 1P | Escultura de Juan Cristóbal (Burgos) |
| 1445 | 1110 | 1122 | 2P | Escultura de Ana Hurtigton (Sevilha) |
| 1446 | 1111 | 1123 | 3P | Cofre, Catedral de Burgos |
| 1447 | 1112 | 1124 | 10P | Juramento em Santa Gadea, de Garcia Prieto |
Histórias ou Lendas?
- A história (real ou lenda) está narrada em um dos primeiro acervos da literatura castelhano, o “Cantar de Mio Cid”, e passou sem variações ao acervo místico popular, tomando como engenhosa uma narração que só nos veio demonstrar as artimanhas empregadas pelos cristãos com os judeus.
- Conta-se que Rodrigo Díaz de Vivar ao ser exilado por ordem de Alfonso VI, se encontrou perante a urgente necessidade de obter fundos com os quais seria necessário pagar a companhia dos trezentos de seus melhores cavaleiros castelhanos que o acompanharia em seu exílio. Dirigiu então à casa dos judeus burgaleses, convencendo-os que lhe adiantassem aqueles valores deixando em troca um cofre que continha todas as suas jóias. Os judeus aceitaram o trato e se apressaram em adiantar-lhe à quantia pedida. Rodrigo saiu imediatamente da cidade com seus homens, e os ingênuos judeus, ao abrirem o cofre para comprovar os tesouros que haviam adquiridos, viram que no seu interior não havia mais que pedras sem valor. e que haviam perdido a oportunidade de desfazer o trato.
- Há versões da lenda que dizem que, Cid ao tentar salvar-se do sujo engano em que estava envolvido, o paladino cristão entregou aos judeus autênticas jóias familiares do mais alto valor, porém o Senhor, querendo castigar a avareza do dois hebreus, se encarregou de convertê-las em pedras, sem que mudasse em nada a vontade ou a intenção do herói castelhano. E acrescenta-se a essa versão que, quando Cid regressou por fim a Burgos, foi resgatar as pedras entregues com o produto do despojo obtido dos mouros, e então as pedras voltaram a se transformar milagrosamente no autêntico tesouro que havia naquela data depositado nas mãos dos judeus.
- O cofre de “El Cid” encontra-se colocado sobre um suporte na parede da Capela de Corpus Christi da Catedral de Burgos.
A Série de 1977 – Monastério de São Pedro de Cardenha
Composta por três selos esta série apresenta alguns aspectos do Monastério:

Classificação:
| EDIFIL | YVERT | SCOTT | VALOR | MOTIVO |
| 2443 | 2088 | 2070 | 3p | Vista geral externa do Monastério |
| 2444 | 2089 | 2071 | 7p | Claustro |
| 2445 | 2090 | 2072 | 20p | Sepultura de El Cid e Dona Jimena |
Histórias ou Lendas?
- Segundo as Cantigas de El Cid, ele, ao sair para seu segundo desterro deixou aos cuidados do abade, sua esposa Jimena e suas duas filhas Elvira e Sol (cujos nomes reais foram Maria e Cristina). Conta a lenda que ele e Jimena estão sepultados neste local.
- O monastério foi fundado pelos beneditinos no ano de 899, tendo sido um importante centro cultural e espiritual nos primeiros momentos da construção do Reino de Castela. Foi saqueado em 953 pelo exército de Abderraman III, a torre de vigia caiu no século X ou XI e o claustro no século XII. Historiadores beneditinos tem considerado este mosteiro como o primeiro de monges negros na Espanha
- O monastério foi abandonado em 1836 e depois ocupado por diversas ordens religiosas. Durante a Guerra Civil Espanhola foi utilizado como campo de concentração de prisioneiros republicanos.
- El Cid morreu em Valencia e seu corpo foi exumado pela esposa Jimena para ser enterrado no Monastério, aonde foi exumado várias vezes até ficar na Capela-Panteão de El Cid. As esculturas dele e de Jimena foram feitas por Alfonso X o Sábio. Hoje os restos de El Cid e Jimena se encontram na Catedral de Burgos.
- Os diversos saques que o Monastério sofreu também atingiram os restos mortais de El Cid. Seus ossos foram espalhados pelo templo e inclusive levados pelos soldados franceses (seculo XIX) como amuletos.
Os Selos-Tipo de El Cid de 1937, 38, 39, 40, 49 e 50
Foram emitidos quinze selos com o Cavaleiro El Cid no período de 1937 a 1950. Existem variações de picote, cor, tamanho, marca do impressor e valores, o que permite a sua identificação fácil.


Classificação dos Selos-Tipo de El-Cid

Observações:
1 – (*) – O Catálogo Yvert não classifica este selo.
2 – (**) – O Catálogo Scott não classifica ou classifica com marca do impressor
3 – Pró-Vítimas: Selo de Sobretaxa Obrigatória em favor de crianças vítimas da guerra. “Auxilio a Las Víctimas de La Guerra 1946”
4 – Marca do Impressor:
Tipo I – “Hija de B.Fournier-Burgos” com 15 mm
Tipo II – “Fournier-Burgos” com 10 mm
5 – Existem diferenças de cor e picote para o mesmo selo entre os dois catálogos consultados.
Curiosidades:
Encontramos em nossas buscas um souvenir com os quatro selos desta emissão (exclundo-se a sobretaxa obrigatória), autorizada pelos Correios da Espanha, porém sem valor facial, além de réplicas em metal de outros dois selos comemorativos, 1444 e 1445.


Há ainda inúmeros selos desta série com sobrecarga utilizados durante a Guerra Civil Espanhola e em ex-colonias espanholas, cuja classificação é encontrada em catálogos ultra-especializados deste período. (fig. 9).
Bibliografia:
http://www.ebay.com
http://www.caminhodesantiago.com.br/walter/lendas/cofre_cid.htm
http://www.caminodelcid.org/localidades/san-pedro-de-cardena-565122/
http://sabemosdetudo.com/cultura/ask90403-Voce_sabe_a_origem_do_Mosteiro_de_Sao_Pedro_de_Cardena_Burgos.html
Catálogo Yvert 2012
Catálogo Edifil 2012
Matéria publicada no Boletim da SPP nº 230 de dezembro de 2017
EL CID, O herói espanhol – Parte I – História e Lenda
El Cid, nascido Rodrigo Díaz de Vivar em Burgos, Espanha em 1043 e morto em Valência a 10 de julho de 1099, guerreiro castelhano da época em que a Espanha (Hispânia) estava dividida em reinos rivais de cristãos e mouros (muçulmanos). O nome El Cid provém do mourisco Sidi, senhor e de Campeador, campeão. Sua vida e feitos se tornaram lendários sobretudo devido a uma canção de gesta (a Canción de Mio Cid) datada de 1207, um referencial para os cavaleiros da idade média.
- As canções de gesta (em francês ”chansons de geste), são um conjunto de poemas épicos surgidos no raiar da literatura francesa, entre os séculos XI e XII.
- Essas canções exerceram grande influência na literatura medieval, tanto em sua região de origem como por toda a Europa, e, mesmo com o fim de Idade Média, sua influência continuou a sentir-se na literatura e até no folclore.
História
Órfão de pai aos 15 anos, foi levado para a corte do rei Fernando I de Leão onde se tornou amigo e companheiro do infante Sancho, filho de Fernando I. Sua educação se fez no monastério de San Pedro de Cardeña.
Com a morte de Fernando I, o reino foi dividido entre seus filhos: Castela ficou para Sancho; a Galiza para Garcia; Leão para Alfonso; Toro para Elvira; e Zamora para Urraca. Sancho não concordou com a divisão e passou a lutar pela reunificação e ampliação da herança paterna, sob sua coroa, contando com a ajuda de Rodrigo, já nomeado Alferes do reino.

Rodrigo tinha 23 anos quando venceu em combate o alferes de Navarra, Jimeno Garcés, façanha que lhe valeu a alcunha de “Campeador”, e já no ano seguinte começou a ser conhecido como “El Cid” entre os mouros.
As Histórias e Contradições em torno de El Cid
Após o assassinato de Sancho, o Reino de Castela passa a ser governada pelo Rei Alfonso VI, Rei de Leão. Rodrigo, o El Cid, é desterrado por Alfonso VI.
Segundo a “Canción de Mio Cid”, 300 dos melhores cavaleiros castelhanos decidiram acompanhá-lo no exílio, fazendo de Zaragoza seu quartel general e travando batalhas vitoriosas contra os mouros.
Segundo uma versão alternativa, Rodrigo refugiou-se nas montanhas de Aragão, com um pequeno exército de mercenários a serviço de quem lhes pagasse mais, fosse cristão ou
muçulmano. Aliás, é também essa fonte alternativa que, ao mencionar seu casamento com Jimena (ou Ximena), filha do Conde de Oviedo, ocorrido pouco antes do exílio, diz, maliciosamente que a dama era mais velha do que ele, e muito feia porém tinha um patrimônio invejável (diferente do épico cinematográfico estrelado por Charlton Heston e Sophia Loren).
Rodrigo estabeleceu vínculos com o rei mouro da taifa de Valência, Al-Cádir, que se tornou seu amigo e protegido (segundo uma versão) ou seu cliente (segundo outra). Foi em benefício de Al-Cadir que El Cid conquistou os pequenos reinos de Albarracín e Alpuente.
- O termo taifa, no contexto da história ibérica, refere-se a um principado muçulmano independente, um emirato ou pequeno reino existente na Península Ibérica (o Al-Andalus) após o o derrocamento do califa Hisham III (da dinastia omíada) e a abolição do Califado de Córdoba em 1031.
- O termo deriva da expressão árabe muluk at-ta’waif, «os reis das facções» (simplificada em ta’waif, donde a facção, o reino). As taifas ibéricas foram até trinta e nove pequenos reinos.
Em 1089, o almorávida Yusuf cruzou o estreito de Gibraltar, à frente de um numeroso exército. A invasão ameaçava a segurança de todos os reinos espanhóis, e o rei Alfonso pediu ajuda a Rodrigo, fazendo-o retornar a Castela. Mas não tardou para que a hostilidade voltasse a se manifestar entre ambos, e El Cid foi desterrado pela segunda vez.
Nos dez anos que se seguiram, a fama do “Campeador” cresceu. Agora liderando um grande exército, conquistou e se tornou senhor dos reinos mouros de Lérida, Tortosa, Dénia, Albarracín, e Alpuente.
Por volta de 1093 após o assassinato de Al-Cádir atacou a taifa de Valência, conseguindo tomá-la em junho de 1094, após 19 meses de cerco da cidade.
Segundo a versão que não o enobrece, Rodrigo mandou torturar e queimar vivo o governador da cidade, Ben Yehhaf, implicado na morte de Al-Cádir. E não teria poupado sua mulher e filhos se não fosse a intervenção dos nobres cavaleiros que o seguiam.
Já a versão mais difundida sustenta que ele, ao se tornar senhor de Valência, mostrou-se um governante justo e equilibrado. Outorgou à cidade um estatuto de justiça, implantou a religião cristã mas, ao mesmo tempo, renovou a mesquita dos muçulmanos, cunhou moedas e rodeou-se de uma corte de estilo oriental, composta tanto por poetas árabes e cristãos, quanto por pessoas eminentes no mundo das leis.
Mas os almorávidas não estavam inertes e se apresentaram às portas da cidade, sob a liderança de Mahammad, sobrinho de Yusuf. Após vários combates El Cid obteve uma vitória decisiva, que contribuiu para torná-lo objeto de narrativas heroicas, várias delas absolutamente inverídicas.
Até sua morte Rodrigo governou Valência em nome de Alfonso VII, mas mantendo seu poder independente do rei, tratando de aumentá-lo ao casar uma de suas filhas, Cristina também conhecida como Elvira, com o príncipe Ramiro Sanchez de Pamplona, e a outra, María Rodriguez de Bivar, com o conde de Barcelona, Raimundo Berengário III.
Ao contrário da tradição lendária, que aprecia vê-lo morrendo heroicamente em combate, Rodrigo Díaz de Vivar, chamado de “Campeador” ou “El Cid” ou “Mio Cid”, faleceu numa cama de seu castelo em Valência a 10 de julho de 1099.
É nesse ponto da história que Rodrigo vira uma lenda. Os mouros ficaram confiantes pois haviam finalmente matado o El Cid. Sua mulher mandou amarrar seu corpo ao cavalo e sua espada a sua mão e o mandou ao campo de batalha. Ao ver El Cid em cima do seu cavalo passaram a fugir sendo perseguidos e derrotados pelo exército de Rodrigo. Por isso reza a lenda que Don Rodrigo de Castella, o El Cid, venceu uma batalha depois de morto. Seus restos mortais e os de sua esposa Jimena, estão sepultados na Catedral de Burgos
Catedral de Burgos
Túmulo de El Cid e Jimena na Catedral de Burgos

Espanha, Máximo Postal, Monumento a El Cid, Balboa Park, San Diego, California

Espanha, FDC, Hispanidade 1961, carimbo da Exposição Barcelona de 17 de agosto de 1962
Bibliografia:
https://www.meuscaminhos.com.br/el-cid-campeador-heroi-espanhol-burgos/
https://pt.wikipedia.org/wiki/
https://tutor5.wordpress.com/2012/03/08/cancion-de-gesta-cantar-del-mio-cid/
https://heroismedievais.blogspot.com.br/2016/06/el-cid-campeador-homem-simbolo-dos.html
Catálogo Edifil 2012
Catálogo Scott 2014
Matéria publicada no Boletim da SPP nº 229 de agosto de 2017
Frei Orlando – Patrono do Exército Brasileiro
Antônio Álvares da Silva, Frei Orlando nasceu em Morada Nova de Minas a 13 de fevereiro de 1913 e faleceu, em Bombiana, Itália, 20 de fevereiro de 1945).
Órfão com apenas um ano de idade foi criado por família católica praticante. Depois da primeira comunhão, em 1920, passou a frequentar assiduamente o catecismo. Nele revelou-se nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja e a compaixão pelos humildes. Foi assim que, tendo iniciado seus estudos em Divinópolis (MG), seguiu para a Holanda, de onde retornou para sua ordenação como sacerdote, em 24 de outubro de 1937. Não era mais Antônio, mas, sim, o Frei Orlando.
Após a ordenação, com 24 anos, passa a lecionar no Colégio de Santo Antonio, em São João Del Rey, criando, próximo a este colégio, a “Sopa dos Pobres” em outubro de 1942, com a ajuda de paroquianos, alimentando operários, moradores de rua e outros necessitados, inclusive do 11º Regimento de Infantaria
A Segunda Guerra Mundial
A 31 de Agosto de 1942, o Brasil declara guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão.
Após o ataque japonês contra Pearl Harbour e a entrada dos Estados Unidos na guerra, o conflito mundial tinha-se aproximado das costas do continente americano, iniciando os ataques alemães a navios nas costas da América.

Os navios Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará foram afundados por submarinos alemães, provocando 606 mortos em apenas 6 dias! De 22 de março de 1941 a 19 de julho de 1944 foram atacados, nas diversas partes do globo, um total de 35 navios brasileiros, totalizando 1081 mortos e 1686 sobreviventes.
A argumentação alemã para atacar navios brasileiros a 15 de Fevereiro de 1942 aponta para razões completamente infundadas, afirmando que os navios brasileiros navegavam sem luzes, não identificando o país de origem e dando a entender que eram navios mercantes de países que lutavam contra a Alemanha.
A pressão norte-americana sobre o governo brasileiro existiu de fato, mas a análise de Getúlio Vargas considerando que o Brasil teria muito mais vantagens em se aproximar dos aliados ocidentais que das potência do Eixo, também levou ao esfriamento das relações entre Brasil e Alemanha durante os primeiros meses de 1942.
Declaração de Beligerância
Em 22 de Agosto de 1942, Getúlio Vargas, assina um decreto presidencial em que o Brasil reconhece a existência de um estado de beligerância. A declaração, foi transmitida pela rádio brasileira às 20:00 desse mesmo dia, implicando que o Brasil deixava de ser um país neutro, e que embora decidisse não atacar a Alemanha, estava livre para apoiar os aliados.
No entanto, a pressão das ruas foi maior que o que o governo de Getúlio Vargas esperava e a declaração do estado de guerra seguiu-se dias depois.
Estado de Guerra
Nove dias depois da declaração de beligerância, o Brasil declara, a 31 de Agosto de 1942, a existência de um estado de guerra com as potências do eixo, iniciando preparativos para enviar pessoal, material e apoio para o continente europeu.
FEB – Soldados para a Guerra
A Força Expedicionária Brasileira, FEB, foi a força militar brasileira de 25.334 homens responsável pela participação brasileira ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Constituída principalmente por uma divisão de infantaria, historicamente é considerada o conjunto de todas as forças militares brasileiras que participaram daquela campanha. Adotou como lema “A cobra está fumando”, em alusão ao que se dizia à época que seria “Mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa”.
O 11º Regimento de Infantaria começou a receber e preparar soldados (“pracinhas”) para embarque para a Itália para lutar ao lado dos norte americanos. Frei Orlando viu o 11º RI partir e não se conformou em permanecer impassivelmente na cidade. Assim, quando o então comandante do regimento, coronel Delmiro Pereira de Andrade, solicitou a indicação de um religioso para capelão militar ao Comissariado dos Franciscanos em São João del-Rei, Frei Orlando viu a oportunidade de concretizar um de seus mais acalentados sonhos: o de ser missionário sem fronteiras, ir a qualquer parte do mundo para multiplicar os discípulos de Deus. Integrou-se, então, à FEB, e seguiu para a Europa. Seu primeiro trabalho foi celebrar uma missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros, nomeado Capelão do Regimento Tiradentes.
Atuação na Praça de Guerra
Frei Orlando esteve ao lado dos soldados brasileiros, rezando, orientando, trazendo esperança a todos antes de irem ao front, confortando-os na volta, ajudando os feridos, confortando as baixas. Mas também, dono de um coração Cristão, ajudada famílias italianas em necessidade, tais como fome e doenças, mas também espiritualmente. Avançava com os soldados na frente de batalha, mesmo considerando-se o perigo dos bombardeios inimigos.
A Morte de Frei Orlando
Na sangrenta batalha de Monte Castelo, Frei Orlando vendo o que se passava, e preso de profunda emoção foi para a frente de batalha onde os nossos soldados misturavam seu sangue com a neve em degelo. Às vésperas da tomada de Monte Castello, durante uma visita à linha de frente, o jipe que transportava Frei Orlando atolou na lama. Um partisan (membro da resistência italiana) tentou desencalhar o jipe, batendo com o cabo do rifle em uma pedra. O rifle disparou, atingindo Frei Orlando que morreu vitimado por esse tiro acidental. Contava com 32 anos de idade naquele fatídico 20 de fevereiro de 1945 em Bombioana, Itália.

A morte de Frei Orlando causou tristeza e revolta em toda a tropa brasileira. Os ataques a Monte Castelo tornaram-se mais cruciais, caindo a fortaleza em no dia seguinte, após tres meses de atuação da FEB.
Patronato de Frei Orlando
Pelo decreto nº 20680 de 28 de fevereiro de 1946, o Presidente da República Eurico Gaspar Dutra instituiu Frei Orlando como Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército Brasileiro.
Recebeu ainda, pós-mortem, as condecorações com a Medalha Sangue do Brasil e a Medalha de Campanha, atestando a coragem e bravura com que desempenhou seu trabalho na FEB, além de uma placa em homenagem ao Frei Orlando, em Bombiana, Italia.
Frei Orlando foi venerado por todos que o conheceram, pela bondade, alegria e pela solicitude a todos os necessitados, tanto no Brasil, em São João Del Rey, como por todos os soldados do seu Regimento, além da população italiana assistida por ele durante a guerra.

BIBLIOGRAFIA
Frei Orlando, o Capelão que não voltou, Tenente Gil Palhares, 2ª edição, Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, RJ
www.wikipedia.org
http://segundaguerra.net/feb-a-morte-de-frei-orlando/
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=136
www.infoescola.com
Publicado no Boletim Filacap 183 ano 40 novembro/2014
O Dia dos Mortos no México
O México, país da América do Norte é banhado pelo Oceano Pacífico a oeste e Golfo do México a leste pelo Oceano Atlântico.
Na Mesoamérica pré-colombiana muitas culturas amadureceram e se tornaram civilizações avançadas como a dos olmecas, toltecas, teotihuacanos, zapotecas, maias e astecas, antes do primeiro contato com os europeus. Em 1521, a Espanha conquistou e colonizou o território mexicano a partir de sua base em Tenochtitlán e administrou-o como o Vice-Reino da Nova Espanha. Este território viria a ser o México com o reconhecimento da independência da colônia em 1821.
No México, o Dia dos Mortos é uma celebração de origem indígena, que honra os defuntos no dia 2 de novembro. Começa no dia 31 de outubro e coincide com as tradições católicas do Dia dos Fiéis Defuntos e o Dia de Todos os Santos. Além do México, também é celebrada em outros países da América Central e em algumas regiões dos Estados Unidos, onde a população mexicana é grande. A UNESCO declarou-a como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

As origens da celebração no México são anteriores à chegada dos espanhóis. Há relatos que os astecas, maias, purépechas, náuatles e totonacas praticavam este culto. Os rituais que celebram a vida dos ancestrais se realizavam nestas civilizações pelo menos há três mil anos. Na era pré-hispânica era comum a prática de conservar os crânios como troféus, e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.

O festival que se tornou o Dia dos Mortos era comemorado no nono mês do calendário solar asteca, por volta do início de agosto, e era celebrado por um mês completo. As festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl, conhecida como a “Dama da Morte”, atualmente relacionada a La Catrina, personagem de José Guadalupe Posada – e esposa de Mictlantecuhtli, senhor do reino dos mortos. As festividades eram dedicadas às crianças e aos parentes falecidos.
É uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar
seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces preferidos dos mortos, os preferidos das crianças são as caveirinhas de açúcar. Segundo a crença popular, nos dias 1 e 2 de novembro, os mortos têm permissão divina para visitar parentes e amigos. Por isso, as pessoas enfeitam suas casas com flores, velas e incensos, e preparam as comidas preferidas dos que já partiram. As pessoas fazem máscaras de caveira, vestem roupas com esqueletos pintados ou se fantasiam de morte.
As Crenças dos Índios Chamulas
No Dia dos Mortos as pessoas vão aos cemitérios, sempre de dia. As almas dos mortos, para os índios Chamulas na cidade de Romerillo, são fracas, não tem mais a água da vida ou a “chica” para esquentar os corpos. Não tem mais corpo nem sangue. Transformam-se em pequenos anões, vivendo no Olontic, no Oeste, no Reino dos Mortos. Elas são fracas, incapazes de carregar cargas de milho ou madeira, incapazes de trabalhar como quando tinham seus corpos.
Os índios Chamulas nunca viajam à noite, pois tem medo dos espíritos do mundo inferior ou dos demônios que erram na obscuridade e tentam roubar a alma dos vivos, sem que o Deus Sol possa intervir.
A maioria vai descalça no cemitério, com as mulheres vestindo preto e os homens vestindo roupa branca, trazendo as crianças de casa. Todos vem carregados de oferendas: flores, ramagens, comida, bebida, velas. Todos os túmulos são iguais, não tem lápides nem são cobertos com cimento, mas com uma particularidade: tem sobre a terra a porta da casa do falecido. O resto é o caos: vegetação, sandálias, cruzes quebradas.

Aparentemente as cruzes eram usadas na região mesmo antes da chegada dos espanhóis e do cristianismo.
Seriam, portanto, cruzes maias, não relacionadas à cruz de Cristo, mas dotadas de todo um significado mitológico envolvendo a origem da humanidade e do universo.
As portas são um traço de união entre os vivos e os mortos, são reconhecidas e assim que a família chega elas são abertas. As mulheres se ajoelham e limpam o local, arrancam as ervas daninhas, colocam as flores amarelas (da morte, os “tzempaxochilt”), cujo perfume vai permitir que as almas reconheçam o odor de sua terra natal. Em seguida as oferendas são colocadas: “tamalas”, uma massa de milho e feijão, laranjas abertas em gomos, e principalmente bebidas alcoólicas para que os mortos se aqueçam, pois eles tem frio e fome.
Quando um ser morre pela primeira vez, cuida-se de colocar em seus bolsos um pouco de dinheiro, chocolate, tortilhas, um bolo nutritivo e três penas de peru enfiadas numa agulha para que ele costure suas roupas. O trajeto da casa ao cemitério tem sempre a cabeça do morto na direção do oeste, e o corpo é banhado constantemente com água com limão.
Outros cuidados com o morto é que seja enterrado de dia, e jamais com sandálias de couro. Os índios acreditam que no além, elas se transformam em touros capazes de darem cornadas nas almas.
No Dia dos Mortos, quando elas retornam, estão sós, com fome e frio. As oferendas são retiradas 24 horas após com estas palavras: “Você já comeu bastante. Você sorvei o melhor dos alimentos, bebeu o aroma do seu aroma, a essência de sua essência. Eles não tem mais gosto. É a nossa vez…”
Durante todo o dia as mulheres rezam e conversam com os mortos, com cantos, lamentações, choros, por eles e pelos vivos. Esta cerimônia é ímpar em todo o México, sendo realizada somente na região de Romelliro pelos indios Chamulas.
O Dia dos Mortos do México no Cinema
Cenários de cemitérios, cruzes, caveiras e festas do tipo são um ambiente explorado pela indústria cinematográfica com muito sucesso. A Festa do Dia dos Mortos do México foi utilizada em dois filmes: Assassinos (1995), com Sylvester Stallone, Antonio Banderas, Julianne Moore (fig.06), e 007 CONTRA SPECTRE (2015),com Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux.
Poster do Filme “Os Assassinos” com Sylvester Stalone
Cena do Filme 007 Contra Spectre
O Dia dos Mortos nas Artes
O Dia dos Mortos do México foi retratado pelo pintor, também mexicano, Diego Rivera com a pintura “O Dia da Morte” em 1924, no Ministério da Educação, na Cidade do México.

Patrimônio da Humanidade
Em cerimônia realizada em Paris, França em 7 de novembro de 2003, a UNESCO distinguiu a festividade indígena do Dia dos Mortos como Obra Mestra do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade. A distinção por considerar a UNESCO que esta festividade é:
“… uma das representações mais relevantes do patrimônio vivo do México e do mundo, e como uma das expressões culturais mais antigas e de maior força entre os grupos indígenas do país”.
O documento ainda destaca:
- “Esse encontro anual entre as pessoas que celebram e seus antepassados, desempenha uma função social que recorda o lugar do indivíduo no seio do grupo e contribui na afirmação da identidade…”
- “…embora a tradição não esteja formalmente ameaçada, sua dimensão estética e cultural deve ser preservada do crescente número de expressões não indígenas e de caráter comercial que tendem a afetar seu conteúdo imaterial”.
Bibliografia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico
Revista Planeta nº 2, Editora Três
http://www.viajenaimagem.com/2013/03/san-cristobal-de-las-casas.html
Publicado no Boletim da SPP nº 288 de abril de 2017
O Deficiente Físico na Filatelia – Parte 1 – Ano Internacional da Pessoa Deficiente – AIPD

O ano de 1981 foi proclamado pela ONU, Organização das Nações Unidas o Ano Internacional das Pessoas Deficientes pelas Nações Unidas. Os objetivos principais do AIPD eram: ajudar no ajustamento físico e psicossocial na sociedade; promover esforços, nacional e internacionalmente para possibilitar o trabalho compatível e a plena integração à sociedade; encorajar projetos de estudo e pesquisa visando à integração às atividades da vida diária, aos transportes e aos edifícios públicos; educar e informar o público sobre os direitos de participar e contribuir em vários aspectos da vida social, econômica e política, além de ações visando a prevenção das diversas deficiências e sua reabilitação.

Apesar do ano de 1981 ter sido escolhido, o início de todo o processo se deu em 1976, quando a ONU o proclamou, durante a 31ª sessão da Assembleia Geral, sob o tema “Participação Plena”. À época a ONU já havia tomado uma série de decisões em prol das pessoas com deficiência, com a Declaração sobre os Direitos das Pessoas com Retardo Mental, de 1971, e a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, de 1975.
Em 1977 a ONU cria o Secretariado Especial e um Comitê Gestor integrado por representantes de 15 Estados membros com a finalidade de elaborar um plano de ação preliminar. Em 1978 a Assembleia Geral da ONU decide aumentar para 23 o número de Estados membros no Comitê Gestor. Nesta mesma sessão foi sugerido a formação de comissões nacionais para o Ano Internacional da Pessoa Deficiente.
Em 1979 a Assembleia Geral aprovou o Plano de Ação, ampliando o tema do Ano para “Participação Plena e Igualdade”.
O Símbolo Oficial do Ano Internacional das Pessoas Deficientes – 1981

O símbolo utilizado representa duas pessoas que se dão as mãos, numa atitude mútua de solidariedade e de apoio em plano de igualdade, circundadas por parte do emblema das Nações Unidas.
“Pessoas Deficientes têm o direito de uma plena participação na vida e no desenvolvimento de suas sociedades. Ê nossa obrigação fazer com que a eles seja possível usufruir desse direito.”
Kurt Josef Waldheim, diplomata e político austríaco, Secretário-geral da ONU de 1972 a 1981 e Presidente da República da Áustria de 1986 a 1992 (fig.4)
O Ano Internacional do Deficiente no Brasil
- “Os deficientes são parte da sociedade e não uma sociedade à parte”
- Dra. Helena Bandeira de Figueiredo (médica), presidente do Conselho Nacional do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, 1981
A Comissão Nacional do AIPD foi instalada no Brasil pelos Decretos n° 84.919 e n° 85.123, respectivamente, de 15 de julho e 10 de setembro de 1980. Instituída no Ministério da Educação e Cultura, a Comissão Nacional era formada por representantes do Poder Executivo, de entidades não governamentais de reabilitação e educação de pessoas com deficiência, bem como pelas interessadas na prevenção de acidentes de trabalho, trânsito e domésticos. Não havia na Comissão Nacional do AIPD nenhuma vaga para entidades formadas por pessoas com deficiência, o que foi motivo de grande insatisfação por parte do movimento.
A Coalizão Pró-Federação Nacional de Entidades de Pessoas Deficientes repudiou a ausência de pessoas com deficiência na Comissão e solicitou, por meio de carta, ao presidente da República, general João Batista Figueiredo a alteração do Decreto que instalou a Comissão Nacional. O presidente Figueiredo garantiu que tais pessoas comporiam as subcomissões estaduais que seriam criadas, o que de fato aconteceu, enriquecendo o trabalho desenvolvido em prol das pessoas com deficiência.

O Ano Internacional das Pessoas com Deficiências no Brasil foi marcado pelo inicio da conquista da inclusão social, acessibilidade e maior visibilidade para os problemas cotidianos que os deficientes enfrentam. Numa demonstração na Praça Roosevelt em São Paulo, as associações de deficientes mostraram ao público em geral as dificuldades que eles enfrentavam, disponibilizando cadeiras de rodas para que pessoas sem deficiência subissem e descessem escadas nelas. No mesmo ano foi conquistada uma rampa de madeira no Teatro Municipal de São Paulo para que os deficientes pudessem entrar no teatro.
Um excelente histórico sobre as pessoas com deficiência foi feito pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. O download do arquivo em .pdf pode ser feito diretamente do link http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-com-deficiencia/pdfs/catalogo-para-todos
Bibliografia
www.wikipedia.org
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me002911.pdf
http://www.bengalalegal.com/movimento-historia-pcd
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kurt_Waldheim
http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-com-deficiencia/pdfs/catalogo-para-todos
http://www.bengalalegal.com/assistente-social
http://ebay.com
O Espiritismo na Filatelia Brasileira – 2ª parte – O Afro-Espiritismo
A Umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), do catolicismo (cirstianismo e seus santos que foram sincretizados pelos negros africanos), espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei do karma, progresso espiritual).
A Palavra Umbanda
O termo “Umbanda” ou “embanda” são oriundos da língua quimbunda de Angola, significando “magia”, “arte de curar”. Há também a suposição de uma origem em um mantra na Língua adâmica cujo significado seria “conjunto das leis divinas” ou “deus ao nosso lado”. A língua adâmica seria a linguagem falada por Deus, Adão e Eva no paraíso, portanto a linguagem universal.
Existe a grafia original da palavra “mbanda” significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que “mbanda” quer dizer “o Além, onde moram os espíritos”.
Após o Congresso Umbandista de 1941, declarou-se que “umbanda” vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como “o limite no ilimitado”, “Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante.”
História da Umbanda
Em 1907 ou 1908 o jovem Zélio Fernandino de Morais, prestes a ingressar na Marinha Brasileira começou a sofrer “ataques” de loucura, assumindo a identidade de um velho e falando coisas incompreensíveis, ou de um felino. Examinado por um médico, foi orientado que fosse procurar um padre, mas a família optou por levá-lo a um centro espírita, na Federação Espírita de Niterói, no Rio de Janeiro.
Neste dia (15 de novembro), sentado à mesa dos trabalhos espíritas, Zélio incorporou negros e índios, sendo que o dirigente dos trabalhos alertou os espíritos a se retirarem dali, pois os considerava atrasados. Retrucando, o espírito ali encorporado identificou-se como Caboclo das Sete Encruzilhadas, falando de suas várias vidas e de sua missão.
No dia seguinte, os trabalhadores do Centro Espírita foram à casa de Zélio, em São Gonçalo, para comprovar a veracidade dos fatos, quando novamente o médium incorporou suas entidades, declarando que os espíritos de velhos negros escravos e índios tinham a missão de ajudar na prática da caridade, orientação e cura de qualquer pessoa que lhes procurassem, independente de raça, cor ou credo religioso. Estava então fundado o primeiro Terreiro de Umbanda, chamado de Tenda Espírita de Nossa Senhora da Piedade.
O Caboclo estabeleceu normas de conduta e trabalho, todas baseadas no Evangelho de Jesus Cristo. Em 1918 foram fundadas mais sete tendas de umbanda, em 1939 é criada a União Espírita de Umbanda no Brasil, que em 1941 organizou o Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda. Nele, os participantes tentaram mostrar uma origem ancestral da Umbanda, inclusive alegando que ela se degenerou na África em feitichismo.
O segundo congresso foi realizado no Maracananzinho em 1961. No terceiro congresso, em 1963, a Umbanda se firmou como religião expressiva nos campos da assistência, contando, além dos centros espíritas, com escolas, creches, ambulatórios com a missão de prestar caridade e ajuda. Na década de 90, apesar de ter sido alvo de ataque das diversas correntes neopentecostais, foi criada a Faculdade de Teologia Umbandística, mantida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.
Com o passar dos anos, a Umbanda dividiu-se em diversas correntes, mas sempre seguindo os seus preceitos básicos. Apesar de diferentes vertentes existem alguns conceitos encontrados que são comum a todas, sendo estes:
Um deus único e onipresente, chamado Olorum ou Zambi.
Crença nas Divindades ou orixás
Crença na existência de Guias ou entidades espirituais
A imortalidade da alma
Crença nos antepassados
A reencarnação
O carma
Lei de causa e efeito pela qual os umbandistas pagam o bem recebido com o bem e o mal com a justiça divina
Além desses preceitos, a Umbanda exige a fraternidade, a caridade e o respeito ao próximo, utilizando-se também de médiuns para comunicação entre os espíritos e orixás com seus seguidores.
Dia Nacional da Umbanda

A data de 15 de novembro foi escolhida por ter sido o dia, em 1908 em que o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou através do médium Zélio Fernandino de Morais. (fig.2)
Os Orixás
Os orixás são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da natureza. As características de cada Orixá os tornam humanizados, pois eles manifestam-se através de emoções como raiva, ciúmes, amor, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, oferendas, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus Orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.

Candomblé
O Candomblé é uma religião derivada do animismo africano onde se cultuam os orixás, voduns ou nkisis, dependendo da nação.
Dentre as nações africanas praticantes do animismo, cada uma tinha como base, o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos que agrupados nas senzalas, nomeavam um “zelador de santo”, também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres.
A religião tem, por base, a anima (alma) da Natureza, sendo portanto, chamada de anímica. Os sacerdotes africanos que vieram para o Brasil como escravos entre 1549 e 1888, é que tentaram continuar praticando suas religiões em terras brasileiras. Foram os africanos que implantaram suas religiões no Brasil, juntando várias em uma casa só para a sobrevivência das mesmas. Portanto, não é invenção de brasileiros, mas a junção, via sincretismo, de diversas religiões e cultos europeus, africanos e indígenas.
Final
Assim como outras religiões, a Umbanda sofreu a repressão política durante a era Vargas até 1950. Uma lei de 1934 colocava as religiões sob a vigilância do Departamento de Tóxicos e Mistificações da Polícia, quando então a religião oficial no Brasil era a católica. Isso fez com que muitos Centros de Umbanda trabalhassem na clandestinidade, sendo vítimas de perseguição policial.
Sendo uma religião de matriz africana e completamente adaptada ao Brasil, via um sincretismo profundo, a Umbanda pode ser considerada uma religião completa, por reunir preceitos do Cristianismo, das religiões africanas e dos cultos indígenas. A umbanda é atacada pelos neopentecostais, assim como o Kardecismo e o Candomblé. Esta última ataca a Umbanda por considerá-la superficial demais em relação aos rituais mais profundos de cultos aos Orixás.
Outras Peças Filatélicas:
Carimbo de Pierre Verger
Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse.
Ilê Axé Opó Afonjá
Ilê Axé Opó Afonjá (“Casa de Força Sustentada por Afonjá”) ou Centro Cruz Santa do Axé do Opó Afonjá é um terreiro de candomblé fundado por Eugênia Ana dos Santos, em 1910, na Rua Direta de São Gonçalo do Retiro, 557, no bairro do Cabula, em Salvador, na Bahia, no Brasil. O seu tombamento ocorreu em 28 de julho de 2000 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Escolástica Maria da Conceição Nazaré
Escolástica Maria da Conceição Nazaré, filha de Oxum, era do terreiro do Gantois. Considerada a grande mãe-de-santo do Candomblé no Brasil, Menininha do Gantois foi uma grande líder espiritual que ajudou a tornar mais aceita a religião herdada de seus ancestrais africanos.

Adendos:
Carimbos:
7462 – 4/23.11.2002 Salvador-BA Pierre Verger Fotografia Jornalismo Umbandista
8370 – 8/22.2.2007 Salvador-BA Mãe Menininha de Gantois Candomblé Umbanda
1838 – 12/20.11.72 Rio Religião Umbanda
3616 – C1274/6 21/27.8.82 Salvador-BA Religião Umbanda Orixás
4275 – 13/19.8.87 Salvador-BA Candomblé Menininha de Gantois Umbanda
5033 – 29.5.92 Brasília-DF Candomblé Umbanda
Selos:
1274/76 – Indumentária dos Orixás
3289 – Terreiro Histórico Ilê Opô Afonjá
3363 – Sincretismo Religioso – Zélio Fernandino de Morais
Bibliografia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Umbanda
http://www.pierreverger.org/br/pierre-fatumbi-verger/biografia/biografia.html
http://educacao.uol.com.br/biografias/mae-menininha-do-gantois.htm
Coleção temática “A Escravidão no Brasil”, do autor deste artigo
Catálogo Zioni
Catálogo RHM 2016
Artigo publicado no Boletim da SPP nº 227 de dezembro de 2016
O Espiritismo na Filatelia Brasileira – 1ª parte – Allan Kardec
Hippolyte Léon Denizard Rivail, (Lyon, 1804 — Paris, 1869), educador influente, autor de diversos livros, poliglota ((falava francês, alemão, italiano, holandes e espanhol), com estudos na Suiça e na Alemanha, bacharelando-se em Ciências e Letras e formando-se em Medicina, foi o codificador da Doutrina Espírita sob o pseudônimo de Allan Kardec (fig.1).
Foi discípulo do reformador educacional Johann Heinrich Pestalozzi e um dos pioneiros na pesquisa científica sobre fenômenos paranormais (mais notoriamente a mediunidade), assuntos que antes costumavam ser considerados inadequados para uma investigação do tipo. Adotou o seu pseudônimo para uma diferenciação da Codificação Espírita em relação aos seus anteriores trabalhos pedagógicos.
Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência em Paris, cursos gratuitos de Química, Matemática, Física, Anatomia comparada, Fisiologia, Astronomia, Francês e Retórica e outros. Nesse período, preocupado com a didática, elaborou um manual de aritmética, (adotado por décadas nas escolas francesas), e um quadro mnemônico da História da França, que visou facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.
A Obra da Codificação Espírita
Conforme o seu próprio depoimento publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das “mesas girantes”, bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal do qual era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.
Durante este período, tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica – ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um “espírito familiar”, passa a orientar os seus trabalhos e lhe informa que já o conhecia do tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam a Doutrina Espírita.
Kardec integra toda uma estrutura de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científicos, filosóficos e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do homem.
Iniciou a publicação das obras de Codificação em 18 de abril de 1857, com o Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo. Lança em seguida a Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundando nesse mesmo ano uma primeira sociedade espírita regularmente constituída com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
A Codificação Espírita compreende cinco livros, ou um pentateuco: Livro dos Espíritos, A Gênese, Céu e Inferno, Livro dos Médiuns e Evangelho segundo o Espiritismo. Há um sexto livro de Kardec lançado após a sua morte, o Obras Póstumas.
Selos Brasileiros sobre o Espiritismo
C-387 – Centenário da Codificação Espírita, Selo da Codificação
O primeiro selo comemorativo sobre o Espiritismo no Brasil foi lançado em 18 de abril de 1957, o C-387, na cor marrom, comemorando o Centenário da Codificação do Espiritismo e carimbo comemorativo (Zioni 579, RJ). Este é o 1º selo sobre Espiritismo no mundo, graças à iniciativa e ao exaustivo trabalho da Federação Espírita Brasileira (FEB), na presidência de Antônio Wantuil de Freitas.
A revista “O Cruzeiro” datada de 05/01/1957, antecedeu mais de três meses (104 dias) ao lançamento do selo. Ela apresentava em primeira mão, tanto na edição portuguesa como na castelhana, na página 81 em sua seção “Filatelia”, o desenho-prova do primeiro selo espírita, através da matéria de Armando Paiva (transcrita abaixo):

“Selo Comemorativo do 1.º Centenário da Codificação do Espiritismo – A revista O CRUZEIRO, em primeira mão, apresenta o desenho do selo comemorativo da Codificação do Espiritismo. Inúmeros selos comemorativos católicos e alguns protestantes já foram emitidos pelo D.C.T., e em princípios de 1957 teremos um sêlo espírita. É essa, realmente, mais uma demonstração inequívoca do alto espírito de liberdade e igualdade religiosa de que se orgulha o Brasil.”
C-511 – Centenário da Codificação Espírita, Selo do Evangelho
Em 14 de junho de 1963 Antônio Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, dava entrada nos Correios de um bem justificado requerimento, solicitando a emissão do segundo selo postal espírita, a que mais tarde chamariam simplesmente o “Selo do Evangelho”.
O selo é lançado pela ECT em 18 de abril de 1964 na cor verde e apresenta a figura de Allan Kardec e sua assinatura, e a inscrição “O Evangelho da Codificação Espírita – 1864-1964” e carimbos comemorativos (Zioni 969A RJ, GB e 969B SP, SP)
C-631 – Centenário da Morte de Allan Kardec, Selo da Desencarnação
Em 1869, por ocasião do centenário do desencarne de Kardec, novamente o Departamento de Correios do Ministério das Comunicações, através de seu Diretor Geral, General Rubens Rosado Teixeira, adere aos festejos espíritas editando o selo e o carimbo relativos à data da desencarnação do Codificador (Zioni 1411).
O selo mostra a efígie do espírita e a sua tumba no plano de fundo prestando homenagem ao falecimento de Allan Kardec, ocorrido cem anos antes em Paris. No lado esquerdo, o selo apresenta a imagem do túmulo de Kardec, no cemitério Père-Lachaise, em Paris.
Existem duas clássicas variedades citadas no Catálogo RHM: o selo sem a cor verde (RHM C-631A) e o selo sem o sépia ou ocre (RHM C-631B).
C-640 – Centenário da Imprensa Espírita
O selo PRIMEIRO CENTENÁRIO DA IMPRENSA ESPÍRITA NO BRASIL presta homenagem ao baiano Luís Olímpio Teles de Menezes – fundador do primeiro jornal espírita brasileiro, em 1869, na cidade de Salvador: “O Eco de Além-Túmulo” , originalmente intitulado “O ÉCHO D’ALÉM-TÚMULO”.

“Vários layouts do selo foram ideados pelo ilustre artista Sr. Bernardino da Silva Lancetta. Apreciados em janeiro de 1968, a escolha recaiu naquele que, pela simplicidade e nobreza da concepção, melhor representava o motivo em pauta, ou seja, os 100 anos da imprensa espírita em nossa Pátria.” (Texto extraído da Revista Reformador, de julho/1969 – FEB.)
O selo C-640 foi emitido em 26 de julho de 1969 com carimbo comemorativo Zioni 1439A Porto Alegre, 1439B Rio de Janeiro, 1439C Salvador e 1439D São Paulo

C-2597 – Bicentenário de Nascimento de Allan Kardec
O selo presta homenagem a encarnação (nascimento) de Allan Kardec ocorrida duzentos anos antes, na rua Sale, 76 em Lyon – França, em 03 de outubro de 1804, fundador da Doutrina Espírita.
Este selo apresenta a logomarca internacionalmente utilizada nas comemorações do Bicentenário, a qual focaliza um busto em cobre, localizado no túmulo de Kardec, e a cepa da videira, elemento presente em sua obra, cuja nobreza é representada pela faixa amarela dourada que contorna a efígie. À esquerda, e na parte inferior, as cores verde e amarelo, tendo sobreposta a assinatura de Allan Kardec, simbolizam o Brasil, onde o Espiritismo criou as mais profundas raízes. O lema “Trabalho, Solidariedade e Tolerância” foi a bandeira que conduziu sua vida.
O selo C-2597 foi emitido em 3 de outubro de 2004 e carimbo comemorativo Zioni-7916 de Brasília, DF. Às 16 horas do dia 5 de outubro se realizou no 4º Congresso Espírita Mundial, na França, o ato simbólico de lançamento do selo emitido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em homenagem a Allan Kardec. O Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira, Altivo Ferreira, presidiu a solenidade. Além do selo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos criou um carimbo especial do 4º Congresso Espírita Mundial Zioni 7914, Paris, França).
O lançamento oficial desse Selo Comemorativo foi realizado simultaneamente em Brasília (11 horas – hora local), também pelos Correios do Brasil. Realizou-se, desta forma, um lançamento bi-nacional do Selo.
Carimbos Comemorativos

Bibliografia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec
http://nucleoespiritaverbodeluz.blogspot.com.br/2011/06/filatelia-allan-kardec.html
http://www.ebay.com
Catálogo Zioni
Catálogo RHM 2010
Artigo publicado no Boletim da SPP nº 226 de Agosto de 2016
Convênio SPP-Instituto Presbiteriano Mackenzie: A Experiencia da Sociedade Philatélica Paulista no Ensino da Filatelia
Matéria publicada no Boletim Filacap ano 43 nº 193 de dezembro de 2017 e no Boletim da SPP nº 230 de dezembro de 2017
Em 5 de julho de 2014 a SPP, Sociedade Philatélica Paulista celebrou em solenidade, com o Instituto Presbiteriano Mackenzie um acordo de colaboração mútua através da divulgação da filatelia como meio cultural e fonte inesgotável de pesquisa. Assinaram este convênio o Sr.Reinaldo Basile Junior, então Presidente da SPP e o Dr.Mauricio Melo Meneses, à época Presidente daquela Instituição.
Se por um lado tínhamos a ideia de incentivarmos a formação de jovens filatelistas, por outro deveríamos enfocar a filatelia como elemento de estruturação cultural para que estes alunos aprendessem, pela pesquisa, a mensagem que cada selo pode transmitir.
A tarefa exigia mais do que apenas filatelia, mas um conhecimento em didática expositiva, preparação de aulas simples de assuntos complexos, que prendessem a atenção e incentivassem os alunos a criarem a paixão pelo selo. Contar a história do Penny Black, o primeiro selo do mundo não é tarefa simples quando as crianças e jovens de hoje convivem com tecnologias modernas e que mudam a cada dia. Transformar a história do Penny Black em um episódio apaixonante da civilização já é um desafio. Que dizer então da história do selo mais feio do mundo, o Olho-de-boi, autorizado pelo Imperador Pedro II?
Aprendemos, a duras penas e muitas reuniões e experiências em como lidar com estas novas situações. E hoje estamos felizes: criamos uma cultura filatélica em classes de alunos do primeiro grau.
- Iniciando as Apresentações com os Pais, Professores e Alunos
Nosso diretor Miguel Rodrigues de Magalhães fez uma apresentação de sua coleção Colaboração e Resistência na II Guerra Mundial, no grande auditório do Mackenzie mostrando o quanto a filatelia nos obriga a pesquisar sobre o que dizem os selos, envelopes e outras peças filatélicas sobre um determinado assunto. Até conhecer a coleção, nós, da SPP e muitos outros pouco sabíamos sobre este episódio da História Mundial, que aos jovens parecer ter ocorrido na pré-história, mas que ainda trazem marcas profundas em muitas famílias e povos.
Miguel Rodrigues de Magalhães inovou: a apresentação em data-show mostrou não só a sua coleção, mas fotografias, mapas e pequenos vídeos; prendeu a atenção de uma plateia de mais de duzentas pessoas!
Em outra apresentação, já somente para professores do Mackenzie Consolação, nosso diretor Roberto Aniche fez uma apresentação de sua coleção Escravidão no Brasil, também em data-show, apresentando aspectos históricos, filosóficos, geográficos sobre este os trezentos anos deste episódio, incluindo a leitura de uma poesia de Euclides da Cunha que choca pela crueldade da cena que descreve.
- O Início
O grupo de trabalho de campo foi composto pelo presidente da SPP, Sr. Reinaldo Basile Junior e pelos diretores de eventos, Dr.Roberto Antonio Aniche e Antonio Carlos Fernandes, e pelas professoras Alice Costa do Mackenzie Consolação e Márcia Valéria Teixeira Zucoloto do Mackenzie Tamboré. Boa parte deste trabalho teve a participação do Correio através do diretor da Divisão Filatélica, Sr.Vernieri Malheiros da Rocha Albuquerque, que liberou para as crianças kits filatélicos do Correio além de sua participação em diversos eventos.
Iniciamos nosso trabalho simultaneamente nas Unidades Tamboré e Consolação. A primeira “aula” foi uma apresentação preparada sobre Colecionismo em Geral, pelo Dr.Roberto Aniche, mostrando o colecionismo desde a pré-história, quando o hominídeo “colecionava” objetos de que pudesse se utilizar em sua vida diária, passando aos nossos tempos, com o colecionismo de cartões postais, cédulas e moedas, latas, cartões telefônicos terminando por fim numa detalhada exposição sobre filatelia.
A partir daí as aulas nas duas unidades progrediram muito. A cada aula era exposta uma apresentação de 20 slides em data-show, com no máximo 15 minutos de duração. Este tempo curto, somente com informações relevantes prende a atenção do estudante. Em seguida iniciávamos a aula prática, sempre com o manuseio do selo e relacionada à apresentação. Praticávamos uma oficina de filatelia!
- A Primeira Lição de Casa
Na primeira aula entregamos uma folha em branco com um selo comemorativo do Brasil para cada criança, para que fosse feita e entregue na próxima aula, uma redação sobre a mensagem do selo. Tivemos uma grata surpresa: a maioria das crianças entregou a tarefa, mostrando um trabalho de pesquisa maravilhoso!
- Oficinas Filatélicas na “Festa da Roça” do Mackenzie Tamboré e “Festa da Família” do Mackenzie Consolação
No dia 30 de maio de 2015 a SPP conseguiu participar destes dois magníficos eventos. No Mackenzie Consolação a oficina mostrou aos alunos como montar um “Poster Filatélico”, peça produzida pelo Presidente do Mackenzie Dr.Mauricio Melo Menezes. Trata-se de uma obra de arte feita em papel formato A-3 homenageando alguma personalidade, criando uma linha do tempo feita por selos comemorativos.
Na Festa da Roça, no Mackenzie Tamboré, a SPP e os Correios ficaram num stand, com mostra de coleções, venda de selos pelo Correio e oficinas filatélicas concorridas. Todas as crianças que participaram ganharam o kit filatélico do Correio, além de selos e outros materiais.
- As Exposições de Selos
Conseguimos com a participação das professoras com que as crianças montassem uma pequena coleção de selos para participação em diversas exposições: VII EXPO-SPP 2015, VIII EXPO-SPP 2016, IX EXPO-SPP 2017; em Americana 2017, Santos e na Brapex 2015.
As coleções tinham de uma a quatro folhas e foram motivo de orgulho para nós da SPP, para as professoras e pais dos alunos, e para o Mackenzie. As coleções eram temáticas, bastante simples ditadas pela preferência do aluno. Nesta fase de aprendizado as regras da Febraf ou da FIP não valem: vale o entusiasmo com que as crianças viram suas coleções serem expostas, vale a alegria dos pais verem seus filhos receberem um Certificado de Participação e uma Medalha, que serão guardados com muito carinho.
Estas exposições tem uma dupla finalidade: incentivar os jovens, independente da idade, a sentirem a paixão pela filatelia. Todos nós, velhos colecionadores, iniciamos quando crianças, orientados por um tio ou por um avô colecionador. A outra finalidade é que elas vejam todas as coleções (e sempre o fizeram com muita curiosidade), para aprender mais sobre filatelia, montagem, estética, selos, envelopes.
- Considerações Finais
Nós, todos os atores desta maravilhosa empreitada estamos felizes. Podem inventar e-mail, telefone celular, skype, whatsapp e muitas outras coisas no futuro. A filatelia existe para desvendar o passado, ensinar todos os caminhos que a humanidade trilhou até nossos dias. A filatelia existe forte e tem a capacidade de melhorar, a partir do ensinamento de cada selo emitido, cada cidadão do mundo. A filatelia é e sempre será um exemplo de união entre as pessoas que querem aprender a cada dia um pouco mais.
Cada selo é um livro aberto com infinitas páginas de sabedoria.




Diplomas Expo-SPP e Americana 2017 de alunos participantes
Entrega de Diplomas no Mackenzie Consolação e Tamboré
Medalhas da Expo-SPP e Americana 2017

