A Revolta Paulista de 1924

A Revolta Paulista de 1924, também chamada de ‘Revolução Esquecida’ foi

Fig 01 Gal Izidoro Dias Lopes
Fig.1 Gal Isidoro Dias Lopes

a segunda revolta tenentista, o maior conflito bélico já ocorrido na cidade de São Paulo. Comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes (fig.1) contou com a participação de vários tenentes, dentre os quais Joaquim do Nascimento Fernandes Távora (que faleceu na revolta), Juarez Távora, Miguel Costa, Eduardo Gomes, Índio do Brasil e João Cabanas.

 

Deflagrada na capital paulista em 5 de julho de 1924, (a data do início do conflito em São Paulo foi escolhida para homenagear o primeiro levante tenentista, ocorrido exatamente dois anos antes no Rio de Janeiro, no episódio conhecido como a Revolta de 1922), foi o primeiro movimento militar armado que pregava o fim do monopólio das oligarquias paulistas e mineiras no poder e questionavam a vitória do mineiro Arthur Bernardes (fig.2) nas eleições presidenciais de 1922.

Fig 02 Selo RHM O-532 Arthur BernardesA Revolta de 1922 (Primeira Revolta Tenentista) serviu para mostrar o descontentamento de militares com a política do País. Em 1924, a revolução que se ergueu em São Paulo começou a desenhar um projeto político tenentista mais claro. Em sua lista de demandas, além da deposição do Presidente da República, estavam um conjunto de reformas políticas que visavam a moralização do sistema político. Pediam maior independência do Legislativo e do Judiciário, limitações para o Poder Executivo, o fim do voto de cabresto, a adoção do voto secreto e a instauração do ensino público obrigatório.

Na data de 5 de julho de 1924 a cidade vive uma das maiores batalhas travadas em solo urbano da América Latina (fig. 03). Este episódio sangrento deixa quase 2.000 prédios destruidos, 503 mortos, 4864 feridos (dois terços eram civis) e o êxodo de cerca de 300.000 moradores da capital, que à época tinha 700.000 habitantes. Campinas recebeu aproximadamente 50.000 refugiados.

Fig 03 Revolucao Esquecida

As tropas rebeldes do exército se aliaram à Força Pública Estadual (hoje Polícia Militar), convertendo-se num verdadeiro exército regional, com artilharia e aviação, atacando alvos civis. As bombas, já no primeiro dia, atingiram o Mosteiro de São Bento (fig. 4) , o Liceu Coração de Jesus (fig. 5) e inúmeras residências.

Fig 04 Selo RHM 2142 Mosteiro de São Bento SP

Fig 05 Liceu Coracao de Jesus
Fig.5 Liceu Coração de Jesus

A liderança do exército tenentista era ocupada pelos irmãos Joaquim e Juarez Távora, Eduardo Gomes e Custódio de Melo entre outros, e todos haviam participado do levante dos 18 do Forte de Copacabana (fig. 6), dois anos antes, com o intuito de derrubar o então presidente da república Arthur Bernardes. Vencidos na capital federal, vieram fugitivos para São Paulo, aqui se reorganizando com nomes falsos, juntando-se aqui com o major fiscal da Força Pública Miguel Costa.

Os rebeldes tomaram pontos estratégicos da cidade, como os quartéis da Luz, as estações da Luz (fig. 7) e Sorocabana e os correios (fig. 8), enquanto atacavam a casa do Presidente Carlos de Campos (assim eram chamados na época os governadores dos estados). Carlos de Campos (fig. 9) empreende fuga para os baixos da Penha, na zona leste, nas regiões da Rua Guaiaúna (o local era a Estação de um ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil (fig. 10), que posteriormente o nome alterado para Estação Carlos de Campos, desativada hoje por conta da linha do Metrô de São Paulo).

Fig 07 Estacao da LuzFig 08 Correio

Fig 09 Carlos de CamposFig 10 Estacao Carlos de Campos

De acordo com o historiador Moacir Assunção, no início do ataque veio a paralisia da capital, sem esboçar reação vigorosa ao ataque dos tenentistas. Com a fuga do Presidente Carlos de Campos veio a acefalia. O plano dos tenentes, tomar rapidamente a cidade de São Paulo e embarcar as tropas para o Rio de Janeiro para depor Arthur Bernardes não se concluiu. Carlos de Campos, de seu refúgio no entroncamento da Central do Brasil, com o apoio do Ministro da Guerra Setembrino de Carvalho reuniu 18 mil homens, canhões com alcance de 11 quilômetros e tanques franceses (arma jamais usada no Brasil) e aviões bombardeiros Breguet. Seis dias após a revolta todo este exército entrou em ação saindo da inanidade para o confronto.

Naquela semana as tropas da Marinha destruíram o quartel general rebelde instalado na Avenida Tiradentes (hoje Quartel da Rota, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). A Igreja da Glória, no Cambuci (fig. 11), ocupada pelos rebeldes na Rua Lavapés, foi praticamente destroçada.

Fig 11 Igreja da Gloria
Fig. 11 Igreja da Glória

O governo federal com a cumplicidade do estadual, usava pra combater a revolta o método de ataque conhecido como “bombardeio terrificante” em que os tiros são disparados a esmo, sem destino, para fazer a população se revoltar contra os tenentistas. Este método havia sido utilizado pelos alemães na Primeira Guerra Mundial contra os franceses e belgas sendo condenado pelo mundo civilizado. Aqui o Estado utilizou este método maldito contra a própria população, ferindo, mutilando ou matando civis sem qualquer relação com a revolta.

Fig 12 Igreja de Nossa Senhora da Penha
Fig.12 Igreja da Penha

As tropas legalistas colocaram seus canhões no Pátio da Igreja da Penha (fig. 12) e nas colunas da Vila Matilde atirando sem parar, mirando fábricas como o Cotonifício Crespi (fig. 13) (Moóca), Duchen e a Antárctica além de residências, aonde famílias inteiras pereceram. Com medo de que a população pobre aderisse ao movimento foram bombardeados os cortiços da região do Tamanduateí na Várzea do Carmo (hoje Parque Dom Pedro), aonde haviam se instalado operários imigrantes espanhóis e italianos.

 

Escasseando os alimentos, a população remanescente passou a saquear lojas e mercados (como o Mercado Municipal da Rua

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Fig. 13 Armazem Puglisi
Fig 14 Mercado Municipal
Fig. 14 Mercado Municipal

 

 

 

25 de Março (fig. 14), os armazéns Puglisi e Gamba na Moóca e os Armazéns Matarazzo no largo do Arouche), e alimentar-se de pombos e ratos.

O movimento também adentrou a inúmeras cidades do interior paulista, tomando prefeituras, vandalizando, saqueando, matando e violentando a população. A “Coluna da Morte” era comandada pelo Tenente João Cabanas (fig. 15), comandante do grupo de revoltosos.

Fig 15 Tenente Cabanas
Fig15 Tenente João Cabanas

Uma comissão do estado negociou com o governo federal uma “intervenção caridosa” no estado de São Paulo, pedindo para que os bombardeios aos civis fossem cessados. Mas em 26 de julho os aviões governamentais jogaram panfletos orientando os habitantes da capital a abandonarem suas casas, pois a cidade seria bombardeada mais drasticamente. Mas não havia para onde fugir, já que as saídas da cidade estavam fechadas, e sequer os mortos podiam ser enterrados por força dos bombardeios.
No dia 28 de julho os revoltosos embarcaram em 11 trens de carga para Bauru, com 3500 homens, cavalos, artilharia e alimentos. No mesmo dia Carlos de Campos retornou ao Palácio dos Campos Elíseos. Era o final da revolução de 1924.

Sem poderio militar equivalente para enfrentar as tropas legalistas, os rebeldes retiraram-se para Bauru, reorganizando-se para atacar o exército legalista se concentrava na cidade de Três Lagoas, no atual Mato Grosso do Sul. A derrota em Três Lagoas, no entanto, foi a maior derrota de toda esta revolta. Um terço das tropas revoltosas morreu, feriram-se gravemente, ou foram capturadas.

Fig 16 Luis Carlos Prestes
Fig.16 Luís Carlos Prestes

Os rebeldes, refugiados em Foz do Iguaçu, no Paraná, juntaram-se a tropas vindas do Sul comandadas por Luís Carlos Prestes (fig. 16), formando a Coluna Prestes (fig. 17), maior movimento terrorista que o país já conheceu, que percorreu 25.000 quilômetros no Basil enfrentando forças federais.

 

 

Fig 17 Coluna Prestes
Fig. 17 Coluna Prestes

Notas:

O fotógrafo suíço Guilherme Gaensly (1843-1928) é um dos grandes responsáveis pelo conhecimento iconográfico do início do século XX que temos de São Paulo. Gaensly fotografou o que pode ser chamada de a “belle époque” paulistana: seus casarões, edifícios públicos, o apogeu dos barões do café e a reurbanização que eliminava os resquícios coloniais da cidade.

Fig. 5 – Gaensly – Postal n. 16, mostra o Liceu Sagrado Coração de Jesus, na região da Luz / Campos Elíseos.

Fig. 8 – Gaensly – Postal n. 14, vista do Correio Geral. Esse prédio do correio ficava no Largo do Palácio (Pátio do Colégio, onde hoje se encontra o edifício do Tribunal de Justiça). O torreão ao fundo é da Casa Paiva, que aparece também nos postais anteriores.

Fig. 10 – Estação de Trem Carlos de Campos, da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje Rede Ferroviária Federal, desativada em 2008 em virtude do Metrô de São Paulo ter construído a Estação Penha vizinha dela.

Fig. 11 – Igreja da Glória, Cambuci, SP atacada por tropas legalistas.

 

Bibliografia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_Paulista_de_1924
http://www.infoescola.com/historia/revolta-de-1924/
http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,revolucao-de-24-guerra-em-sp-por-reformas-politicas,10277,0.htm
https://sampahistorica.wordpress.com/tag/liceu-coracao-de-jesus/
https://sampahistorica.wordpress.com/2013/07/04/guilhermegaensly/
Dias Rudes, Moacir Assunção, O Estado de São Paulo, 04/07/2015

Os selos da Liga Naval Otomana

Publicado no Boletim Filaap nº 184 ano 41 de fevereiro de 2015

HISTÓRICO

Os selos da Liga Naval Otomana foram emitidos em 1914 para serem utilizados como contribuição voluntária para a Associação da Marinha Otomana, em valores de (em “paras”, moeda do Império Otomano da época): 1 (laranja), 2 (azul escuro), 5 (verde), 10 (marrom) e 40 (marrom avermelhado). Os selos retratavam navios de guerra: os de 1 e 40 paras um destroier, os de 2 e 5 paras um barco torpedeiro e o 10 paras um cruzador blindado (fig.1). Não serviam para portear correspondências até 1921 quando receberam sobrecarga, mas eram vendidos apenas em benefício dos marinheiros da frota otomana.

Fig 1

Fig 2A emissão destes selos tem inúmeras variedades, por falta de cuidados e de experiência na impressão. Existe sobrecarga invertida no selo de 5 paras, verde (fig.2). Há erros de data da sobrecarga descritos em selos de todos os valores: 2337 ao invés de 1337 (em árabe, vide tabela ao final do artigo). Os selos de 1, 2 e 5 paras com sobrecarga não estavam de acordo com a tarifa postal vigente e muito provavelmente foram inúteis para o fim postal a que se destinavam.

CLASSIFICAÇÃO

No Catálogo de Selos Fiscais do Império Otomano (Revenue Stamps of Ottoman Empire) encontramos os selos sob números 4958 a 4962. Também são citados na mesma publicação os ensaios de cor para a série original:

com denteação para os selos de 40 paras nas cores verde, violeta e azul escuro (4963 a 4965), para a série completa, mas sem denteação nas cores:

  • marrom (4966 a 4970),
  • laranja (4971 a 4975),
  • verde escuro (4976 a 4980),
  • amarelo (4981 a 4985),
  • esmeralda (4986 a 4990) (fig. 3),
  • azul escuro (4991 a 4995),
  • verde oliva (4996 a 5000),
  • preto (5001 a 5005),
  • rosa (5006 a 5010) e
  • marrom escuro (5011 a 5015).

Fig 3

SOBRECARGAS

Fig 4Em 1915 quase todos os selos da Liga Naval Otomana, menos os de 40 paras receberam outra sobrecarga com a inscrição em vermelho: “para ajuda ao imigrante” convertendo-se assim em selos fiscais (5 piastras no selo laranja de 1 para) (fig. 4). Lembramos que nesta época o mundo assistia à Primeira Guerra Mundial, com grande deslocamento de populações fugindo dos teatros de batalhas.

Fig 5Em 1916 o selo de 1 pa (laranja) recebeu uma sobrecarga em preto: “paras 5 paras” para contribuição da “taxa do querosene” (fig. 5). Não encontramos nenhuma referência a esta taxa no Catálogo de Selos Fiscais da Império Otomano.

Em 1921, por conta da falta de selos postais disponíveis, o Governo de Ankara se apropriou dos selos da Associação da Marinha Otomana na Anatólia, inseriu uma sobrecarga e os selos passaram a ser utilizados no franqueamento de correspondências (fig. 6). Estes selos com sobrecarga para uso postal constam no Catálogo Especializado Isfila com a numeração de 1042 a 1046; no Catálogo Scott os selos recebem a numeração 59 a 63 no capítulo Turquia na Ásia (Anatólia) enquanto que no Yvert a numeração é a de 38 a 42, também no mesmo capítulo.

Fig 6

CONCLUSÕES

Desta maneira podemos considerar que os selos emitidos pela Liga Naval Otomana tiveram usos diferentes ao longo do tempo:

  • Selos de contribuição voluntária (ou cinderelas): emitidos em 1914 a favor da Associação da Marinha Otomana,
  • Selos de contribuição, por sobrecarga aposta em 1915 para ajuda ao imigrante
  • Selos fiscais em 1916 para pagamento de imposto de venda de querosene (na época muito utilizado em fogareiros domésticos).
  • Selos postais em 1921 por aposição de sobrecarga, utilizada para porteamento de correspondência pelo governo de Ankara por falta de selos postais.

O capítulo de selos fiscais do Império Otomano, posteriormente Turquia, é fascinante pelo conteúdo histórico, pela pesquisa que demanda para determinar seu uso em documentos, contribuições e taxas (como explicado em outro artigo sobre o financiamento da Ferrovia de Hedjaz) e finalmente com seu uso em correspondências, por falta de selos postais.

COLOCAR ANTES DA BIBLIOGRAFIA

Bibliografia
http://maviboncuk.blogspot.com.br/2006/07/turkish-naval-league-stamps.html
http://www.stampboards.com/viewtopic.php?f=10&t=40287
Catálogo Isfila volume I, 2009
Revenue Stamps of Ottoman Empire,
Catálogo Yvert 2009
Catálogo Scott 2006

Manoel de Abreu, médico, cientista e poeta

01Filho de mãe brasileira e pai português, nascido em 4 de janeiro de 1892, Manoel Dias de Abreu (fig.1) conseguiu ser aprovado na Faculdade de Direito de São Paulo aos 13 anos, mas não pode se matricular pela pouca idade que tinha. Enviado à Europa para ter aulas particulares, regressou ao Brasil em 1908, entrando na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1913.

Apresentou, na época, a tese de doutorado baseada na influência do clina tropical sobre a civilização intitulada Natureza Pobre em julho de 2014.

Em 1914 inicia-se a Primeira Guerra Mundial e o médico e sua família estavam em Portugal e não puderam retornar. Muda-se para Paris aonde mora por oito anos, lá tendo contato com filósofos, escritores e cientistas como Baudelaire (fig.2), Antero de Quental (fig.3), Nietzsche (fig.4) e Darwin (fig.5), decidindo seguir o caminho da ciência.

001

Inicia seu trabalho no Nouvel Hôpital de La Pitiê em Paris, responsável por fotografar peças cirúrgicas, construindo um engenhoso dispositivo para fotografar a mucosa gástrica. No ano seguinte passa para o Hôtel-Dieu (fig.6), hospital mais antigo da cidade, trabalhando e pesquisando os Raios-X, criada por Roentgen, físico alemão em 1895 (fig.7), assumindo a chefia do Laboratório Central de Radiologia.

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No hospital Laennec especializa-se em radiologia pulmonar desenvolvendo a técnica da

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Roentgen, criador do RX

densimetria, ou a mensuração de diferentes densidades radiográficas no tórax. Em 1921 publica o livro “Radiodiagnostic dans la tuberculose pleuro-pulmonare” (Editora Masson, Paris) aonde mostra a convicção de que o controle da tuberculose deveria passar por diagnóstico em massa da população.

Ao retornar ao Rio de Janeiro em 1922 a cidade estava assolada por uma epidemia de tuberculose que o impressionou a ponto de declarar: “Havia óbitos, não havia doentes, os quais ocultavam seu diagnóstico na espêssa massa da população; os poucos doentes que havia, procuravam o dispensário na fase final da doença, quando o tratamento, o isolamento e as várias medidas profiláticas já eram inúteis”

Criou anexo ao Dispensário de Tuberculose do Rio de Janeiro o primeiro Serviço de Radiologia para o diagnóstico da tuberculose. Assume o serviço de radiologia do Hospital Jesus e desenvolve a Fluorografia em 1936, com imagens nítidas o suficiente para diagnosticar a tuberculose. Produz, com um aparelho construido pela Casa Lohner, filial da fábrica Siemens (fig.8), no Rio de Janeiro, o primeiro Serviço de Cadastro Toráxico, provando a precisão do método no diagnóstico da tuberculose.

08Durante o ano de 1938, três Serviços de Recenseamento Torácico foram criados em São Paulo: no Instituto Clemente Ferreira, no Hospital Municipal e no Instituto de Higiene. Outras cidades do Brasil, da América do Sul, Estados Unidos e Europa também adotaram a fluorografia como instrumento na luta contra a epidemia de tuberculose.

O Dr. Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose realizado em maio de 1939, propôs que fosse utilizado o nome abreugrafia para designar o método criado por Manuel de Abreu. Anos depois, em 1958, o prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, determinou que as repartições públicas da Prefeitura deveriam obrigatoriamente usar o termo abreugrafia e instituiu o dia 4 de janeiro, dia do nascimento de Manoel de Abreu, como o Dia da Abreugrafia, imitando o gesto do então Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira (figs.9, 10 e 11).

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Com o intuito de diminuir o número de casos sem diagnóstico baciloscópico, nos brindou com a pesquisa do bacilo de Koch no lavado pulmonar ou lavado traqueobroncoalveolar. O primeiro lavado foi realizado em 17 de agosto de 1944 no Hospital São Sebastião.

A Abreugrafia popularizou-se como método de diagnóstico de massas de baixo custo e de fácil execução. Em localidades com tuberculose endêmica a abreugrafia era feita gratuitamente beneficiando a população fig.12). Com a evolução da tecnologia foram criados equipamentos móveis, que percorriam fábricas e escolas fazendo os exames de funcionários e alunos (fig.13). Com a diminuição dos casos e dos custos com outros equipamentos, a abreugrafia foi abandonada, mas sem jamais esquecermos o pioneiro que foi Manoel de Abreu.

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A invenção de Manoel de Abreu foi responsável pela maior revolução no campo de diagnóstico precoce das doenças do tórax, principalmente a tuberculose e o câncer de pulmão. O método desenvolvido pelo médico era muito eficaz e permitia a realização de um grande número de 13exames em um curto espaço de tempo. A invenção de Abreu possibilitou o rastreamento da tuberculose, de tumores e doenças pulmonares ocupacionais (associadas ao trabalho). O seu custo operacional reduzido e sua alta eficiência proporcionaram a difusão mundial do método. Foram criadas unidades móveis com aparelhos de abreugrafia instalados em veículos, que realizavam as radiografias torácicas em locais públicos e em grandes indústrias. Na Alemanha, até o ano de 1938 o número de exames feitos já ultrapassava os 500 mil.

A importância de sua obra rendeu-lhe inúmeras homenagens no Brasil e no Exterior, como Cavaleiro da Legião de Honra da França, medalha de ouro do Médico do Ano em 1950 do Colégio Americano de Médicos do Tórax, bem como conduziu à criação da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e à publicação da “Revista Brasileira de Abreugrafia”.

Manoel de Abreu foi poeta, atividade pouco conhecida. Escreveu os livros de poesias “Substâncias” (fig.14) com ilustrações de Di Cavalcanti (fig.14); “Poemas sem Realidade”, ilustrado por ele e “Meditações”, ilustrado por Portinari (fig.15).

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Manoel de Abreu foi indicado cinco vezes indicado para o Prêmio Nobel de Medicina. Seus trabalhos e pesquisas levaram ao controle da doença no mundo, ao diagnóstico e tratamento precoces, a intervenções importantes no controle da saúde pública.

Fumante inveterado, faleceu de câncer de pulmão em 30 de abril de 1962 deixando ao mundo um legado de trabalho, dedicação e amor ao próximo, exemplo a ser sempre lembrado e seguido pelas novas gerações de médicos do planeta.

Manuel de Abreu foi responsável por evitar milhões de mortos por tuberculose no mundo inteiro, graças ao seu espírito incansável em prol da medicina. Lamentavelmente nenhum país do mundo, incluindo neste rol o Brasil, sua terra natal, emitiu selos em sua homenagem. No catálogo Zioni encontramos dois carimbos, um em 1974 (Zioni 2001) e outro em 1976 (Zioni 2406) em sua homenagem, contra quatro carimbos sobre a tuberculose respectivamente em 1953 (Zioni 389, fig.17), em 1963 (Zioni 951, fig.18), em 1999 (Zioni 6569, fig.19) e em 2002 (Zioni 7614, fig.20), todos enfatizando a luta contra a doença.

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Manoel de Abreu, um humanista generoso, abriu mão da patente que lhe garantiria lucros sobre a venda dos aparelhos, pois desejava que seu processo diagnóstico estivesse disponível para um número maior de pessoas: “Eu vejo no horizonte a única porta aberta para o futuro, a da ciência (…) A ciência é de algum modo a única forma de ternura (…) As grandes descobertas da medicina foram realizadas por seres sonhadores, sublimes, inspirados pelo amor”.

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Matéria publicada no Boletim Filacap, ano 41, Edição Especial, de agosto de 2015

Bibliografia:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-35862001000100010&script=sci_arttext
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Dias_de_Abreu
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abreugrafia
http://lcfaco.blogspot.com.br/2013/10/abreugrafia.html
Catálogo Zioni de Carimbos Comemorativos do Brasil
Revista Ser Médico nº 69 ano XVII out/dez 2014 pag. 36-38, História da Medicina, Fátima Lopes, CREMESP
Itazil Benício dos Santos, Vida e obra de Manoel de Abreu, o criador da abreugrafia, irmãos Pongetti editores, 1963
Imagens capturadas da internet através do site www.google.com

O Espiritismo e a Imprensa Espírita no Brasil

Boletim Filacap nº 182 – Agosto/2014

Não há como falar de Imprensa Espírita no Brasil sem antes discorrermos sobre a entrada no Kardecismo em nosso país. O Brasil oitocentista, imperial, católico por conviccção e por lei, com economia nitidamente ruralista começava a sentir os efeitos das mudanças sociais, filosóficas e políticas nascentes na Europa.

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Quadra com carimbo comemorativo ao Centenário de Augusto Comte

As ideias novas, trazidas pelo Positivismo de Augusto Comte, (fig.1) mostravam um Brasil atrasado em relação aos ideais da Revolução Francesa terminada mais de um século antes, em 1799. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, lema que derrubou a Monarquia Absolutista, os privilégios feudais e aristocráticos estavam longe de aportarem em nossa terra.

As ideias trazidas da Europa, notadamente Paris, pela emergente aristocracia brasileira surgida com a independência do Brasil e principalmente no Segundo Reinado, para uma sociedade ambiciosa de curiosidade (e de mudanças?) aponta para todos os lados: sociais, políticos, filosóficos e religiosos.

O Kardecismo, doutrina codificada por Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail, Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) traz uma série de orientações vindas dos espíritos, não como religião ou concorrente de qualquer uma delas, mas como estudo filosófico, científico e também religioso baseado nos Evangelhos Cristãos. Circulado na França a Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de janeiro de 1858 a 1869 por Allan Kardec atua como divulgador da doutrina e das pesquisas feitas nesta área (fig.2).

Afirma-se que a história do espiritismo no Brasil remonta ao ano de 1845 quando, no então distrito de Mata de São João, na então Província da Bahia, teriam sido registradas as primeiras manifestações. De acordo com Divaldo Pereira Franco o ano teria sido 1849, tendo se caracterizado por um confronto entre elementos da Igreja Católica e espíritas, com a interveniência de força policial. O fenômeno das mesas girantes foi noticiado pela primeira vez no país pelo jornal “O Cearense” em 1853.

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Nomes de relevo também se opuseram ao espiritismo no Brasil, dentre eles podemos citar Olavo Bilac (fig.3) e Machado de Assis (fig.4) . Ambos repudiavam a doutrina como sendo

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Olavo Bilac

portadoras de teses absurdas, sem fundamentação plausível. Somadas às condições adversas, o estudo dos textos básicos do espiritismo era circunscrito aos homens letrados, muitos deles oriundos de famílias ilustres, que tinha na França o destino preferido para a formação estudantil, aproximando-os do que havia de mais inovador, tanto em termos religiosos, como científicos. Os filhos da elite agrária que cresceram no âmbito rural

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Machado de Assis

e na mocidade se mudaram para cidades cresceu acentuadamente na segunda metade do século XIX. Eles buscavam o contato com as concepções modernizantes importadas da Europa, deixando para trás o ambiente rural que ainda era presente.

Para termos dimensão das contendas entre Igreja Católica e Kardecismo, podemos citar dois acontecimentos marcantes. O primeiro deles é a carta que foi enviada ao Arcebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim da Silveira, por Manoel da Silva Pereira, ex-major do exército. A carta criticava os ensinamentos espíritas que estavam sendo publicados pelo jornalista baiano, Luiz Olympio Telles de Menezes (fig.5) em Salvador. A segunda contenda foi estabelecida pelo Padre Juliano José de Miranda, da província da Bahia, o qual escreveu para o próprio Telles de Menezes, mostrando sua contrariedade aos princípios doutrinários do espiritismo.

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Como forma de rebater as críticas, Telles de Menezes, pioneiro nas publicações espíritas, respondeu criando o jornal O Écho d’Além Túmulo (fig.6), periódico que iniciou suas atividades em 1869 e visava defender “[…] a verdadeira ciência, capaz de aproximar o homem de Deus” (Ó Écho D’além Túmulo, jul. 1869, n. 1, p. 1).

06O primeiro jornal espírita impresso e publicado no Brasil foi O Écho d’Além Túmulo: monitor do Spiritismo no Brasil (fig.6) . Datado de 1869, o jornal era impresso na Tipografia do Diário da Bahia, em Salvador. As “Condições d’a assignatura” eram especificadas na página do próprio jornal, na qual se podia ler que “O Echo d’Além Túmulo apparece, bimestralmente, em um folheto, in-8, contendo 50 páginas de impressão […] o pagamento deve ser sempre adiantado, para não haver interrupção na entrega”.

O Écho d’Além Túmulo circulou até março de 1870, contudo deixou para a imprensa espírita brasileira o legado de ter sido o pioneiro de um tipo de editoração que assumiria

proporções expressivas, estendendo-se até nossos dias.

A seguir temos a comentar “A Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Christo e Caridade” que pretendia ser o órgão oficial de divulgação dos “estudos e trabalhos” realizados em seu âmbito, bem como reunir outras entidades espíritas do período. Além disso, o periódico divulgava as decisões administrativas da organização que a idealizou. No frontispício do primeiro número publicado constava a seguinte informação:

A Revista, órgão official da Sociedade, redigida por sua Directoria, tem por fim preencher as vistas sociais, levando aos seus Membros o conhecimento das resoluções e deliberações administrativas e transmittindo o resultado dos estudos e trabalhos da Academia Spiritia de Sciencias. Será distribuída nos círculos ate o ultimo dia do mez (Revista da Sociedade…, jan. 1881, front.).”

A circulação do periódico era mensal e o último número do periódico ocorreu em de julho de 1882, quando a Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, sua mantenedora, vivenciava uma crise por falta de adeptos, que requeriam outra instituição menos restrita e que pudessem representar todos os Espíritas, dando abertura para a Federação Espírita Brasileira, consolidada em 1884.

Em reunião promovida por Elias da Silva, a 1 de janeiro de 1884, fundou-se a Federação Espírita Brasileira. No dia seguinte (2 de janeiro) foi eleita e empossada a sua primeira Diretoria, A instituição ficou inicialmente sediada na própria residência de Elias da Silva, o sobrado à rua da Carioca, 120.

07Nos seus anos iniciais, a FEB (fig.7, Zioni 3814) vivenciou diversas dificuldades quer de ordem administrativo-financeira quer ideológica no plano interno, e as turbulências políticas e sociais da Capital do país no plano externo. Como exemplo das primeiras, registrava-se uma cisão no movimento, entre os chamados “laicos” ou “científicos”, liderados pelo professor Afonso Angeli Torteroli; e os “místicos”, liderados por Bezerra de Menezes. Como exemplo das segundas, após a Abolição da Escravatura (1888) sucedeu-se a Proclamação da República Brasileira (1889) e as comoções vividas pela República da Espada, entre as quais a Segunda Revolta da Armada (1893). Tais circunstâncias resultaram no abandono da FEB por grande parte dos seus membros iniciais, deixando a sobrevivência da instituição a cargo de alguns poucos colaboradores.

08Em 1889, o médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes (fig.8, Zioni 3560) assume à frente da instituição, instituindo o estudo sistematizado de O Livro dos Espíritos nas reuniões públicas realizadas no salão da Federação. Em 1890 foi instituído o “Serviço de Assistência aos Necessitados”, importante base para a atuação dos médiuns receitistas na instituição. Bezerra foi sucedido no início de 1895 por Júlio César Leal. Vindo este a renunciar após sete meses de gestão, Bezerra aceitou ser reconduzido, reassumindo a Presidência da Federação a 3 de agosto de 1895, cargo que exerceu até à sua morte em 1900. Durante este mandato, foi inaugurada a livraria da FEB (31 de março de 1897), responsável pela edição, distribuição e divulgação da literatura espírita.

Em 1932, a FEB publicou o seu primeiro grande sucesso editorial: o “Parnaso de Além-Túmulo”, que alcançou grande repercussão junto à imprensa e à opinião pública brasileira. O formato da obra não era novo: seguia os moldes de outra obra cujos direitos a instituição já possuía – Do País da Luz (4 vol.) -, coletânea de mensagens (textos, cartas e poemas) majoritariamente de autores renomados da literatura portuguesa, desencarnados, recebidos na primeira década do século XX pelo médium português Fernando de Lacerda. A autoria dos textos no Parnaso, recebidos pela mediunidade psicográfica do então jovem Francisco Cândido Xavier era predominantemente de figuras da literatura brasileira.

Às vésperas da implantação do Estado Novo, em 1937, no dia 27 de outubro, as dependências da FEB foram fechadas pela polícia, vindo as suas portas a ser reabertas três dias mais tarde, por determinação do Dr. Macedo Soares, então Ministro da Justiça.

O período seria marcado, ainda, pela abertura, em 1944, do famoso processo movido pela viúva do escritor Humberto de Campos contra a FEB e Francisco Cândido Xavier (fig.9), visando receber direitos autorais pretendidos sobre as mensagens psicografadas supostamente atribuídas ao seu finado marido. A partir de então, a entidade passaria a se utilizar do pseudônimo “Irmão X”.

09

Neste ponto que chegamos, o Kardecismo é uma doutrina atuante no Brasil, assim como diversos cultos Cristãos; o país se tornou, com sua legislação atualizada, tolerante com todos as religiões e vertentes filosóficas e sociais, numa tentativa de, após mais de dois séculos, absorver os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Revolução Francesa.

Bibliografia:
IMPRENSA ESPÍRITA E ELITE LETRADA NO BRASIL OITOCENTISTA, 2013
Alessandro Santos da Rocha, Universidade Estadual de Maringá – UEM
Cézar de Alencar Arnaut de Toledo, Universidade Estadual de Maringá – UEM
Intelectuais, Espíritas e Abolição da Escravidão: Os Projetos de Reforma na Imprensa Espírita 1867-1888)
Daniel Simões do Valle, Universidade Federal Fluminense, Defesa de Tese de Mestrado, 2010
www.girafamania.com.br
http://www.wikipedia.org

XXX Aniversário do Martírio dos Padres João Fuchs e Pedro Sallicilotti

Boletim Filacap nº 181 – Junho/2014

01Existe um envelope comemorativo do XXX Aniversário do Martírio dos Padres João Fuchs e Pedro Sacilotti por conta do carimbo Zioni nº 1009 emitido em São Paulo de 1º a 7 de novembro de 1964. Martírio significa grande sofrimento, suplício de martir, aflição.

O Padre João Fuchs nasceu no Cantão de Lucerna, na Suiça Alemã em 1880 e pouco se sabe de sua infância, a não ser um sentimento católico grande na família. Em 1901 fez o noviciato em Lombriasco, Itália vindo para Mato Grosso trabalhar em colégios como professor de ciências físicas e naturais. Retornou à Itália para tratamento de saúde e volta como missionário outra vez em Mato Grosso. Atendeu aos índios Bororós e a filhos de colonos na arte de ensinar, além da assistência religiosa aos garimpeiros.

Naquêle biênio de 1933 e 1934 a grande ânsia de Pe. Fuchs e de Pe. Sacilotti era encontrar os Xavantes que fugiam do encontro com os civilizados, procurá-los representava também o perigo da morte.

Padre Pedro Sacilotti nasceu São Paulo, em 1898, brasileiro descendente de família italiana 02de Veneza. Iniciou os estudos religiosas no Aspirantado de Lavrinhas e após foi enviado a Turim onde se ordenou padre em 1925.

Ambos os padres eram da Congregação Salesiana, uma Congregação religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana fundada em 1859 por São João Bosco e aprovada em 1874 pelo Papa Pio IX. Seu nome oficial é Pia Sociedade de São Francisco de Sales em homenagem a São Francisco de Sales, contudo, são popularmente conhecidos por salesianos de Dom Bosco.

03O principal foco da missão salesiana são os jovens, especialmente os pobres e em situação de risco. Em vista disso os salesianos trabalham também nos ambientes populares, com atenção aos leigos evangelizadores, à família, à comunicação social, e entre os povos ainda não evangelizados. A congregação é composta por irmãos de vida consagrada, que fazem votos simples de castidade, pobreza e obediência podendo optar também pelo sacerdócio. Entre as obras da Congregação salesiana pode-se citar os colégios e serviços beneficentes, espalhados por várias partes do mundo.

Os índios Xavantes estavam espalhados ao longo do Rio das Mortes, afluente esquerdo do Rio Araguaia em aldeias espalhadas entre o primeiro e o rio Koluene (maior braço formador do Xingu).

Em 1932 o Padre Fuchs obteve de seus superiores a licença de estudar e preparar um plano de penetração na selva e encontrar os Xavantes. Da cidade de Rio Conceição em canoa, enfrentando a subida do Rio Araguaia penetrou no Rio das Mortes até o barranco dos Xavantes. Ergueu ali um grande cruzeiro de cinco metros de altura e tomou posse em nome de Deus. Desciam o Araguaia, após o Padre Fuchs, o Padre Sacilotti com tres familiares para o encontrarem na localidade de Cocalinho.

04Em 4 de agosto de 1932 os dois padres e sua comitiva acamparam no Rio Cristalino, rio paralelo entre o Rio das Mortes e o Araguaia, seguindo a Santa Terezinha, aonde levantaram outro cruzeiro e rezaram uma missa, porém ainda sem avistar nenhum Xavante. Retornaram a Araguaiana.

Até 1933 o Padre o Padre Fuchs tinha percorrido milhares de quilometros e queria realizar o contato com os Xavantes antes da data de canonização de Dom Bosco. Com esse intuito foi a Belém do Pará adquirir uma lancha a motor (batizada de Maria Auxiliadora). A onda de azar (se é que assim se pode chamar) começou com a viagem de volta ao Rio das Mortes. Em São Benedito numa manobra inadvertida, a lancha entrou num redemoinho, virou e bateu contra pedras, sendo danificada.

A 25 de junho, na sequencia da viagem, aparecem as doenças tropicais. Chegando na cidade de Conceição foi hóspede dos Padres Dominicanos para tratamento e descanço. Em 16 de agosto retoma viagem e chega no dia 27 ao Rio das Mortes. Em Santa Terezinha reencontra-se com o Padre Pedro Sacilotti.

Explorando o rio, na localidade de Mato Verde, em frente a Ilha do Bananal construiram um rancho e em 3 de dezembro foi inaugurada a nova missão de São Francisco Xavier, assistindo à Missa um grupo de índios Carajás.

Em 24 de março de 1934 voltaram a navegar no rio das Mortes. Na baia de São João Bosco encontraram o cruzeiro derrubado e o levantaram. Encontraram ranchos abandonados e dormiram alí. No dia seguinte rezaram a Missa e continuaram.

Injustiça seria esquecer de José Pellegrino, nascido em Benevagienna, Itália em 1880. Veio ao Brasil com uma comitiva para Mato Grosso, trabalhando em várias casas e sendo designado cozinheiro em Araguaiana. Pessoa alegre, mas franzina e com defeito nos pés acompanhava os Padres nesta última empreitada, e se não foi vítima dos Xavantes, foi do próprio Rio das Mortes.

Em 1º de novembro de 1934 avistaram dois índios Xavantes num barranco. Os padres e o índio bororó Luis, piloto da lancha, Militão Soares, de Cocalinho, o garimpeiro holandês João Schiller e Serafim Marques, de Araguaiana aproximaram-se deles e o Padre Pedro falou-lhes em carajá, mas recebendo resposta ameaçadora. Os padres pediram que os tres integrantes da comitiva buscassem presentes no acampamento. Em seguida apenas se ouviu o Padre Pedro Sacilotti gritar: “Os Xavantes atacam!”. Havia cerca de cinquenta Xavantes escondidos nas folhagens da mata.

Todos fugiram desabaladamente , mas os dois padres enfrentaram o suplício. No dia seguinte a comitiva fez uma busca e encontrou os dois cadáveres a cerca de 500 metros do barranco, ambos com o cranio fraturado. Transportados para a margem, foram enterrados na beira do rio. Meses depois os restos mortais foram transportados para Araguaiana no cemitério que já acolhia os despojos de Pellegrino.

05

Bibliografia:

Salesianos Defuntos 1894-1954

Wikipedia

O Menor País (?) do Mundo: Sealand

Boletim da SPP nº 221 – dezembro de 2014

GEOGRAFIA

01Sealand é um principado não reconhecido pela ONU (e por nenhum estado reconhecido) localizado numa base naval inglêsa no Mar do Norte e abandonada após a Segunda Guerra Mundial, a 6 milhas (cerca de 11 quilometros) da costa de Sufolk, Inglaterra. O único acesso à base é feito por helicópteros, já que o mar revolto impede a aproximação de navios.

Antes chamada de Rough Towers, a base foi uma defesa marítima contra ataques alemães, consistindo em duas grandes torres com capacidade para 200 soldados, desativada assim que a guerra acabou.

HISTÓRIA

A instalação foi ocupada em 1965 (há relatos de ter sido em 1967) pelo ex-major britânico 02Paddy Roy Bates: seus associados e familiares afirmam que é um estado independente e soberano. Comentaristas externos geralmente classificam Sealand como uma micronação ao invés de um estado não reconhecido. Roy Bates era um excêntrico que ocupou a base navegando em seu barco frigorífico e instalou alí uma rádio pirata (Rádio Essex), sabendo-se protegido, já que a base estava fora do alcance das águas territoriais britânicas (até 3 milhas da costa), portanto, em águas internacionais.

03Em 1987 o Reino Unido declarou como águas territoriais o entorno de nove milhas de sua costa, englobando Seland. Em 1990-91 o Reino Unido apresentou evidencias em um tribunal administrativo norte-americano, que considerou que o principado jamais existiu. A família Bates não contestou, afirmando que norte americanos não tem jurisdição para determinar a legitimidade de outros estados.

Embora tenha sido descrito como menor nação do mundo, Sealand não está oficialmente reconhecido como um Estado soberano por nenhuma nação. Seu “proprietário” Roy Bates afirma que é de fato reconhecida pela Alemanha (foi visitado por um embaixador) e pelo Reino Unido (depois de um tribunal Inglês determinou que não têm jurisdição sobre Sealand).

O governo britânico já pensou em retomar a base, no entanto ela é considerada como moradia de uma família britânica, portanto propriedade privada, além de não ter efeito positivo sobre a imagem do país.

Tecnicamente falando, Sealand é um país sem território real. O “país” emitiu passaportes e tem operado como uma bandeira do estado de conveniência, além de deter o recorde mundial do Guinness para “a menor área para reivindicar a condição de nação”.

Sealand não é um membro da União Postal Universal, pois o seu endereço para o interior é uma caixa postal no Reino Unido, portanto os selos de Sealand devem ser considerados como cinderelas.

Em 1974 Roy Bates, autoproclamado Príncipe de Sealand, criou uma constituição, um hino e uma bandeira, cunhando moedas de prata e imprimindo selos para correspondências.

04

Em 1978 um grupo de empresários alemães e holandeses, liderados pelo primeiro ministro de Sealand, Alexander G.Achenbach, na ausência de Roy Bates, encenou uma invasão, inclusive sequestrando seu filho e tornando todos os moradores seus reféns. Roy Bates conseguiu recuperar seu “país” prendendo e expulsando os invasores, utilizando-se de um helicóptero com armamentos. Os invasores foram 05considerados prisioneiros de guerra e repatriados. No entanto um advogado alemão portador do passaporte de Seland foi considerado traidor. A sua libertação exigiu a presença de um embaixador alemão no principado, já que a Inglaterra não pode interferir na negociação.

Em 1999 o príncipe Michael, sucedendo seu pai Roy Bates que tinha idade avançada e problemas de saúde decidiu colocar o “país” à venda em 2007, até agora sem compradores (há uma tentativa do Pirate Bay, site de pirataria, comprar para instalar lá os seus servidores, ainda não concretizada).

Em 2008 o “território” sofreu um grande incêndio, mas preservando os geradores de energia, sendo novamente reconstruido.

ECONOMIA

06A economia do principado é baseada na emissão de passaportes, venda de títulos de nobreza, selos de correio, moedas, e-mails, direitos de posse de “pedaços do território”, brindes e lembranças, além do turismo local. Os habitantes moram em instalações de aço, sujeitos ao barulho de geradores durante todo o tempo. O acesso é feito de helicóptero e visitas com hospedagem podem ser marcadas para turismo.

Curiosamente Sealand mantém um time de futebol.07 Roy Bates faleceu em 9 de outubro de 2012 aos 91 anos. Apesar de não ser considerado um estado pela ONU, nem estar vinculado à UPU, os selos e envelopes de Sealand são disputados como curiosidades ou mesmo preciosidades. Uma busca simplificada no eBay apresentou 56 resultados, enquanto no Delcampe cerca de 80, incluindo envelopes circulados, selos e blocos.

08

Bibliografia:

http://www.sealandgov.org/
http://www.sealandgov.org/shop.html#Stamps
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1411897-5602,00.html
http://rainbowstampsandcoins.blogspot.com.br/2011/04/microstates-01-principality-of-sealand.html
http://micronations.wikia.com/wiki/Sealand
Guinnes Book

Publicado na Revista Opinias em março/2015
http://opinias2014.blogspot.com.br/2015/03/sealand-o-menor-pais-do-mundo.html

O Extinto Pássaro Dodô

BOLETIM DA SPP Nº 219 – ABRIL/2014

O EXTINTO PÁSSARO DODÔ

01 PASSARO DODOO Pássaro Dodô, também chamado de Dronte (Raphus cucullatus) foi uma ave não-voadora extinta das Ilhas Maurícias, uma das ilhas Mascarenhas na costa leste da África, perto de Madagascar, no Oceano Índico. A ave mais próxima geneticamente foi a também extinta solitário-de-rodrigues, também da subfamília Raphidae da família das pombas; sendo que a mais semelhante ainda viva é o pombo-de-nicobar.

O dodó tinha cerca de um metro de altura e podia pesar entre 10 e 23 quilos. A aparência externa é conhecida apenas por pinturas e textos escritos no século XVII, e por causa dessa considerável variabilidade a aparência exata é um mistério. Pouco se sabe com exatidão sobre o habitat e o comportamento, pois há poucos e discordantes textos descritivos: plumagem cinza acastanhado, pata amarela, um tufo de penas na cauda, cabeça cinza sem penas, e o bico de cerca de 23 centímetros, amarelo e verde.

A moela ajudava a ave a digerir os alimentos, incluindo frutas, e acredita-se que o principal 02 SELO MAURICIOhabitat tenha sido as florestas costeiras nas áreas mais secas das Ilhas Maurícias. As pedras da moela do Dodô eram de basalto (segundo alguns textos) e não existiam no local onde tinham sido desenterrados os ossos do dodó, mas a milhas de distância. Essa pedra ia crescendo á medida que crescia a moela, até atingir proporções do tamanho de um ovo de galinha. A pedra da moela dos dodós era a preferida para amolar facas!

Presume-se que o dodó tenha deixado de voar devido à facilidade de se obter alimento e a 03 SELO MAURICIOrelativa inexistência de predadores nas Ilhas Maurícias.

A primeira menção ao dodó do qual se conhece foi através de marinheiros holandeses em 1598 (os portuguêses visitaram a ilha em 1507, mas não fizeram relatos da ave). Nos anos seguintes, o pássaro foi predado por marinheiros famintos; seus animais domésticos e espécies invasoras que foram introduzidas durante esse tempo alimentavam-se dos ovos nos ninhos. A última ocasião aceita em que o dodó foi visto data de 1662. A extinção não foi imediatamente noticiada e alguns a consideraram uma criatura mítica. No século XIX, pesquisas conduziram a uma pequena quantidade vestígios, quatro espécimes trazidos para a Europa no século XVII. Desde então, uma grande quantidade de material subfóssil foi coletado nas Ilhas Maurício, a maioria do pântano Mare aux Songes.

04 SELO MAURICIOA extinção do Dodô em apenas cerca de um século após seu descobrimento chamou a atenção para o problema previamente desconhecido da humanidade envolvendo o desaparecimento por completo de diversas espécies.

As primeiras descrições conhecidas destas aves foram feitas pelos holandeses, que chamaram o pássaro mauriciano de walghvogel ( “pássaro chafurdador” ou “pássaro repugnante”), em referência ao 05 PASSARO DODOseu gosto. Embora muitos escritos posteriores digam que a carne era ruim, os primeiros jornais apenas diziam que a carne era dura, mas boa, embora não tão boa como a dos pombos, abundantemente disponíveis. O nome walgvogel foi usado pela primeira vez na revista do vice-almirante Wybrand van Warwijck que visitou a ilha em 1598 e denominou-a Maurícia.

Alguns autores atribuem o nome Dodô à palavra holandesa dodoor para “preguiçoso”, mas ele provavelmente está relacionada à dodaars (“nó-bunda”), referindo-se ao nó de penas sobre o traseiro do animal. O primeiro registro da palavra dodô está no relato do capitão Willem van Westsanen de 1602. Thomas Herbert usou o termo Dodo em 1627, mas não está claro se ele foi o primeiro a vê-lo, pois os portugueses já haviam visitado a ilha em 1507, embora não06 SELO LAOS tenham mencionado a ave. De acordo com o Microsoft Encarta e o Chambers Dictionary of Etymology, Dodo seria derivado do português arcaico doudo (atualmente doido). Também há textos afirmando que o nome foi uma aproximação onomatopaica do som que elas produziam, um piado de duas notas, que soava como “doo-doo”.

O último dodó foi morto em 1681, e não foi preservado nenhum espécime completo, apenas uma cabeça e um pé. Os restos do último dodó empalhado conhecido tinham sido mantidos no Ashmolean Museum em Oxford, mas em meados do século XVIII, o modelo – salvo as peças ainda existentes hoje – estava completamente estragado e foi jogado fora.

Em 1681, menos de 100 anos depois da chegada dos holandeses à ilha, o dodô foi declarado oficialmente extinto. Hoje, tudo o que resta do animal são esqueletos em museus na Europa, nos Estados Unidos e também em Maurício. A ciência garante que três espécies de dodó se extinguiram nas três ilhas nos três últimos séculos, e que só uns treze animais vivos viajaram das Mascarenhas para outras partes do mundo, entre elas um para o Japão.

Por fim, o Pássaro Dodô ficou imortalizado por fazer parte do desenho animado Alice no País das Maravilhas, de Walt Disney, sendo parte da cultura popular, frequentemente como um símbolo da extinção e obsolescência sendo frequente o seu uso como mascote das Ilhas Maurício.07 DISNEY PASSARO DODO

Bibliografia:
Mundo Estranho – Abril
Wikipedia.org
Infoescola.com
br.monografias
girafamania.com.br

Os Três Patetas

Boletim da SPP nº 218 – Dezembro/2013

OS TRÊS PATETAS

Título de uma grande série de comédias tipo “pastelão” que surgiu com a iniciativa de Moe Howard, (Moses Horwitz).

PARTE I – BIOGRAFIAS

MOE HOWARD (Moses Horwitz, 1897-1975) inicia sua carreira em 1909 nos estúdios da Vitagraph, Brooklin. Moe casou-se com Helen Schonberger, que era uma prima de Harry Houdini, o famoso mágico. Ted Healy e seus Patetas fizeram sua primeira aparição na tela na comédia “Uma noite em Veneza e Soup to Nuts”. Estas películas foram seguida por uma série de comédias para a Metro Golden Mayer.

Em 1934, Moe Howard, Larry Fine, e Jerome Howard Curly, assinaram um contrato com os Columbia Studios como Os Três Patetas para fazer filmes curtos que são vistos até hoje na televisão. Em 1958, Moe e Larry juntaram-se a Joe DeRita para continuar os Três Patetas, depois da morte de Curly. Continuaram atuando até que em 1970 Larry sofreu um infarto durante o as gravações do filme “Kook’s Tour ” . Como Larry ficou incapacitado para continuar as gravações, Moe e Joe curly pensaram em substituí-lo por Emil Sitka, mas os Três Patetas jamais retornariam às telas novamente.

LARRY FINE (Louis Fienberg, 1902-1975) Quando criança, Larry sofreu um acidente na relojoaria de seu pai tendo o braço esquerdo queimado por um ácido usado na manutenção de relógios e jóias. Larry necessitou de tratamento especializado e um implante da pele foi feito em seu braço. Os médicos de Larry recomendaram que ele fizesse lições do violino como fisioterapia. Com o tempo Larry começou a tocar violino profissionalmente. Atuou em casas noturnas como violinista e eventualmente lutador de boxe. Mais tarde, desenvolveria um show em que faria uma dança russa ao tocar o violino. Foi este número que chamou a atenção de Ted Healy, atuando ao lado de Moe e Shemp.

CURLY HOWARD (Jerome Lester Horwitz, 1903-1952) Curly se interessou pelo show business vendo seus irmãos mais velhos, Shemp e Moe atuarem com os Patetas no show de Ted Healy. Depois que Shemp saiu do show de Healy, Moe sugeriu a Healy que seu irmão mais novo, Jerome substituisse Shemp. Quando Curly foi conversar com Teddy Healy pela primeira vez, tinha cabelos castanhos fartos e ondulados e um belo bigode que Teddy mandou que raspasse imediatamente. Curly acabou aceitando raspar a cabeça e o bigode como condição para entrar para os Patetas. Conhecido agora como Curly, mergulhou com os Patetas nos shows de vaudeville e as comédias curtas da MGM. Em 1934, Curly se uniu a Larry e Moe e fizeram muitos curta-metragens para a Columbia Pictures. Casou-se quatro vezes e morreu infartado aos 48 anos de idade.

01 Cedula Fantasia

02 Bloco GuyanaSHEMP HOWARD (Samuel Horwitz, 1895-1955) Shemp trabalhou com seu irmão Moe em vários shows amadores de vaudeville até 1922 quando Ted Healy o convidou para participar de seu show, juntamente com Moe. Em 1930 Larry juntou-se a Moe, Shemp e Ted Healy. Em 1930, filmaram “Soup to Nuts”. Healy saiu da JJ Shubert Broadway, deixando Moe e Larry sozinhos. Shemp decidiu permanecer com show aparecendo em filmes da RKO, da MGM, e da Monogram. Nos anos 1940 apareceu em numerosos filmes da Universal. Depois que Curly deixou o grupo por causa de sua doença, Shemp tornou-se um dos Três Patetas. Shemp fez 77 curta-metragens com os patetas e também um filme sobre a corrida do ouro chamado “Gold Raiders” (1951).

JOE BESSER (1907-1988) Após a morte de Shemp Howard em 1956, os Patetas substituíram03 SDelo Dominica-no por Joe Besser. Seus pais eram judeus ortodoxos e imigraram da Polônia em 1895 para os EUA. Em 1928 se estabeleu como um comediante solo. 

Em 1956. Joe deixou os Três Patetas e teve uma carreira bem sucedida da televisão. Em 1 de março de 1988, Joe morreu durante o sono de infarto em sua casa, ao norte de Hollywood.

04 FDC CurlyJOE DERITA, CURLY JOE (Joseph Wardell, 1909-1993) Joe era único dos Patetas a vir de uma família do show bizz. Joe entrou para o show business aos sete anos de idade. A estréia de Joe no cinema foi em “The Doughgirls” em 1944 para a Warner. Fêz diversas excursões com Bing Crosby para entreter recrutas na Inglaterra e na França. Em 1958 o departamento de curta-metragens da Columbia fechou e os Três Patetas tiveram seu contrato rescindido. Joe Besser não quis viajar pelo país com o show e Moe e Larry necessitaram de um novo pateta. Joe DeRita foi convidado a juntar-se a eles e foi nessa época que os patetas fundaram a Comedy III Productions, Inc., uma companhia que até hoje têm os direitos dos filmes dos Três Patetas . Joe DeRita morreu em 3 de julho de 1993 no Motion Picture Hospital in Los Angeles. Ele foi o último Pateta.

PARTE II – A HISTÓRIA

A história dos Três Patetas tem uma área escura. Nos bastidores do sucesso se esconde a vida sofrida dos protagonistas, que jamais foram reconhecidos enquanto vivos, foram explorados e jogados fora pelos Estúdios Columbia.

Os irmãos Moe e Curly Howard e Larry Fine eram uns garotos da classe operária quando começaram a trabalhar no gênero do vaudeville, na década de vinte. Nas duas décadas seguintes e no começo dos anos cinqüenta, eles filmaram uns duzentos curtas para a Columbia Pictures, mas foram objeto de uma exploração selvagem pelo empresário deles, Harry Romm, e pelo estúdio, que na época era dirigido por Harry Cohn.

Se bem The Three Stooges não tinham o prestígio de outros cômicos -os curtas deles eram exibidos nos cinemas como complemento de outros filmes-, a Columbia faturou uma fortuna com eles.

A realidade é que a vida dos reis do pastelão não tinha nada de engraçado. Curly era alcoólatra, vivia submetido a paixões que só lhe traziam sofrimento e padecia uma apoplexia que o levou à morte aos 48 anos. No seriado foi substituído por Shemp Howard, irmão mais velho de Moe e Larry, que também morreu cedo; Joe e, no final, por Curly-Joe.

Larry era viciado em jogo. Essa doença fez com que vivesse endividado. E Moe, que era o mais estável, jamais conseguiu superar o destrato dos empresários.

Eles não ganhavam bem, mas tinham trabalho e isso já era muito bom para quem havia atravessado a grande depressão dos anos vinte. Jamais foram cientes da dimensão da popularidade deles.

Em 1958, a Columbia decidiu cancelar as filmagens e eles foram demitidos. Moe chegou a trabalhar como mensageiro dos estúdios e anos depois foi até barrado na porta um dia em que foi visitar velhos colegas.

Na década de sessenta os curtas ressurgiram na televisão e Os Três Patetas ganharam uma nova fama que até hoje continua, pois o seriado é ainda exibido em dezenas de países.

Os herdeiros deles se deram bem: a marca The Three Stooges tem mais de cem franquias para roupa, brinquedos, guloseimas e merchandising.

06 Cartaz

ROBERTO ANTONIO ANICHE

 

Fontes:
wikipedia.com
diversos sites dedicados aos Três Patetas
eBay

Palavras estranhas em filatelia

Boletim da SPP nº 217 – Agosto/2013

Quando digo que filatelia é mais do que a arte de colecionar selos, mas principalmente a arte de aprender adquirindo uma cultura universal e muitas vezes inusitadas eu não me engano. Ao lado de peças filatélicas realmente de alto valor financeiro existem as peças filatélicas realmente preciosas como cápsulas de cultura que nos levam a viajar e buscar sua interpretação.

02 Selo JamboreeVejamos, em julho de 1965 o Correio emitiu um selo comemorativo e uma folhinha filatélica em homenagem ao 1º Jamboree Panamericano de Escotismo no Rio de Janeiro.

O que é um “Jamboree”? Resultado da pesquisa: Jamboree são acampamentos internacionais de escoteiros, guias e bandeirantes que se realizam periodicamente, o maior dos quais é o Jamboree Mundial. Surgiu na mente do seu fundador, Baden-Powell, após a Iª Guerra Mundial, onde muitos Escoteiros e Chefes de vários países tombaram. Baden-Powell imaginou um encontro de amizade e perícia escutista, e assim sucedeu no ano de 1920 em Londres, com a presença de Escuteiros de 34 países e territórios do Império Britânico. Pesquisei mais ainda e encontrei uma fantástica coleção do Roberto Basso de Santa Catarina:

http://www.filatelista-tematico.net/roberto/escoteiro.html

Pesquisando outros termos, existem tres carimbos interessantes sobre o Encontro dos Malacologistas do Brasil no Catálogo Zioni. Outra pesquisa para descobrir esta nova palavra: ramo da biologia que estuda os moluscos (uma classe de invertebrados que vivem dentro e fora de conchas). O estudo das conchas é chamado de conquiliologia. Pesquisando encontrei na internet o site dos estudiosos e colecionadores delas:

http://www.conchasbrasil.org.br/default2.as

O primeiro selo postal de Bahamas foi emitido sem picotagem em 10/06/1859 com valor facial de 1 pêni vermelho (1d red; Scott: 1, SG: 2), além da efígie da monarca ele incluiu um abacaxi e uma concha estilizada que, por razões óbvias deve ser a concha-rainha (Strombus gigas), provavelmente. Em 1863 o mesmo selo foi emitido com picote e com as imagens mais nítidas. (informação do site www.girafamania.com.br).

Para terminar, encontrei Columbofilia, columbismo ou columbicultura:  a prática da criação, seleção e cultivo de pombos-correio para competição. Pombos-correio foram utilizados para mensagens em todas as épocas, principalmente nas guerras mundiais. Entre os meios de comunicação existentes houve o transporte “aéreo” através de andorinhas bem treinadas e, mais tarde, dos pombos-correio, até hoje acionados em diferentes emergências… (www.girafamania.com.br)

08 Soldado com pombos-correioCerca de 250.000 pombos-correios foram utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, em particular para transmitir informações entre o continente ocupado e a Inglaterra.

Em 1952 foi realizado o 1º Congresso Brasileiro de Columbofilia com o respectivo carimbo comemorativo. Em 1963 o Brasil emitiu um bloco para comemorar o terceiro centenário do Serviço Postal no Brasil com a imagem de um pombo carregando a faixa comemorativa.

Encontrei dois sites de columbófilos: no Brasil em www.columbofilia.com.br e em Portugal: www.columbofilia.net, mas não achei nenhuma coleção exposta sobre pombos-correio para informar.

09 FDC Columbofilia

10 Bloco Servico Postal Brasileiro

Em poucas linhas descobri que o universo filatélico é infinito. Destes tres assuntos com palavras pouco usuais podemos iniciar coleções maravilhosas, com selos, envelopes, cartões, inteiros, mas com a certeza de que estarão enriquecidas com o conhecimento que só a filatelia consegue incentivar.

Roberto Antonio Aniche