Espanha – Selos de Distribuidores – Selos Tipo

Em 15 de setembro de 1989, o Correio espanhol apresentou dois distribuidores automáticos de selos para o tipo Frama. Instalados no escritório central de Madrid, estas máquinas distribuíam selos postais cujos valores variavam de 1 a 99 pesos.

Já em 1992 distribuidores do fabricante alemão Klussendorf  foram instalados em diferentes locais de exposições ou eventos. O usuário tem a possibilidade de obter selos, de acordo com a taxa postal, de 17 a 245 pesos.

O texto foi extraído do Catálogo Yvert, ano 2012, selos da Europa, volume 2,  que lista os selos de distribuidores até o ano de 2006.

Este álbum montado traz somente o selo-tipo, o que torna mais fácil completar a coleção. Na página 2-A coloquei dois selos não catalogados pelo Yvert.

Um site excelente para o estudo dos ATMs da Espanha (e que merece ser visitado) é  http://www.ateeme.net/castella/welcome_e.html

Imagens de Americana, 2010

IMAGENS DE AMERICANA

Não conhecia a cidade de Americana e acabei indo mais a nível de passeio do que para uma exposição. Enganei-me, encontrei amigos e fiz amigos, vi coleções que me presentearam com conhecimento, alimentaram minha curiosidade, mostraram-me coisas novas com idéias novas. Americana, para mim, bastou ser o Shopping Welcome Center, não precisei de mais nada. Ali, naquele espaço estavamamigos, selos, minha esposa, boa conversa.

Magnífica e genial a idéia do Sr. Frederico Guerra, presidente da Sofia, Sociedade de Filatelia de Americana, de trazer a juventude para a Exposição. Renasci, renascemos, a iniciativa tirou o cheiro de armário que impregnava as exposições, trocando-o por idéias novas, gente nova, coleções novas. Americana deixou de ser uma exposição aonde velhos expõe coisas velhas, mas tornou-se o estopim que a infância e a juventude necessitavam para conhecer este papelzinho chamado selo.

Mostrou a todos estes jovens que participaram, e que, por terem sido voluntariamente recrutados em escolas, a maravilhosa arte da filatelia. Mostrou que este hobby não se restringe ao selo, mas ao envelope, a folhinha, ao cartão postal. Ainda mais: que não existe filatelia sem estudo ou conhecimetno daquilo que se coleciona.

Americana foi uma aula de história, geografia, aviação, zoologia, música e muito mais, tal a criatividade exibida pela ala jovem. Se de um lado, nós veteranos de filatelia expusemos coleções refinadas e até de alto custo, por outro nos encontramos novamente crianças iniciando novas coleções.

Qual de nós não se lembrou do nosso primeiro encontro com a filatelia há dezenas de anos atrás? Como foi nossa primeira folha de selos, nosso álbum, como nos expertizamos e passamos a criar coleções de alto nível? Começamos alí, com um tio velho ou um avô nos ensinando esta arte. Nossa obrigação? Ensinar, orientar, trazer o jovem para a filatelia, agir com verdadeiro espírito fraternal.

Não acredito que a Exposição de Americana tenha sido competitiva. Lógico que não é a opinião dos jurados. Acredito que todos ganharam, os jovens e nós, os velhos filatelistas. Eles, por se aventurarem em sua primeira coleção, nós, por termos a humildade de admirar seus trabalhos de iniciantes e dar-lhes uma injeção de ânimo.

Jovens filatelistas, bem-vindos ao nosso mundo! Permitam que possamos partilhar novas idéias, novos rumos, novas e muitas coleções!

Benvindos à Filatelia!

AMERICANA 2010
Dr.Roberto Aniche e esposa

Matéria publicada no
Boletim no 208 de Agosto de 2010
da Sociedade Philatélica Paulista

Manoel de Abreu, médico, cientista e poeta

01Filho de mãe brasileira e pai português, nascido em 4 de janeiro de 1892, Manoel Dias de Abreu (fig.1) conseguiu ser aprovado na Faculdade de Direito de São Paulo aos 13 anos, mas não pode se matricular pela pouca idade que tinha. Enviado à Europa para ter aulas particulares, regressou ao Brasil em 1908, entrando na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1913.

Apresentou, na época, a tese de doutorado baseada na influência do clina tropical sobre a civilização intitulada Natureza Pobre em julho de 2014.

Em 1914 inicia-se a Primeira Guerra Mundial e o médico e sua família estavam em Portugal e não puderam retornar. Muda-se para Paris aonde mora por oito anos, lá tendo contato com filósofos, escritores e cientistas como Baudelaire (fig.2), Antero de Quental (fig.3), Nietzsche (fig.4) e Darwin (fig.5), decidindo seguir o caminho da ciência.

001

Inicia seu trabalho no Nouvel Hôpital de La Pitiê em Paris, responsável por fotografar peças cirúrgicas, construindo um engenhoso dispositivo para fotografar a mucosa gástrica. No ano seguinte passa para o Hôtel-Dieu (fig.6), hospital mais antigo da cidade, trabalhando e pesquisando os Raios-X, criada por Roentgen, físico alemão em 1895 (fig.7), assumindo a chefia do Laboratório Central de Radiologia.

06

No hospital Laennec especializa-se em radiologia pulmonar desenvolvendo a técnica da

07
Roentgen, criador do RX

densimetria, ou a mensuração de diferentes densidades radiográficas no tórax. Em 1921 publica o livro “Radiodiagnostic dans la tuberculose pleuro-pulmonare” (Editora Masson, Paris) aonde mostra a convicção de que o controle da tuberculose deveria passar por diagnóstico em massa da população.

Ao retornar ao Rio de Janeiro em 1922 a cidade estava assolada por uma epidemia de tuberculose que o impressionou a ponto de declarar: “Havia óbitos, não havia doentes, os quais ocultavam seu diagnóstico na espêssa massa da população; os poucos doentes que havia, procuravam o dispensário na fase final da doença, quando o tratamento, o isolamento e as várias medidas profiláticas já eram inúteis”

Criou anexo ao Dispensário de Tuberculose do Rio de Janeiro o primeiro Serviço de Radiologia para o diagnóstico da tuberculose. Assume o serviço de radiologia do Hospital Jesus e desenvolve a Fluorografia em 1936, com imagens nítidas o suficiente para diagnosticar a tuberculose. Produz, com um aparelho construido pela Casa Lohner, filial da fábrica Siemens (fig.8), no Rio de Janeiro, o primeiro Serviço de Cadastro Toráxico, provando a precisão do método no diagnóstico da tuberculose.

08Durante o ano de 1938, três Serviços de Recenseamento Torácico foram criados em São Paulo: no Instituto Clemente Ferreira, no Hospital Municipal e no Instituto de Higiene. Outras cidades do Brasil, da América do Sul, Estados Unidos e Europa também adotaram a fluorografia como instrumento na luta contra a epidemia de tuberculose.

O Dr. Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose realizado em maio de 1939, propôs que fosse utilizado o nome abreugrafia para designar o método criado por Manuel de Abreu. Anos depois, em 1958, o prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, determinou que as repartições públicas da Prefeitura deveriam obrigatoriamente usar o termo abreugrafia e instituiu o dia 4 de janeiro, dia do nascimento de Manoel de Abreu, como o Dia da Abreugrafia, imitando o gesto do então Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira (figs.9, 10 e 11).

002

Com o intuito de diminuir o número de casos sem diagnóstico baciloscópico, nos brindou com a pesquisa do bacilo de Koch no lavado pulmonar ou lavado traqueobroncoalveolar. O primeiro lavado foi realizado em 17 de agosto de 1944 no Hospital São Sebastião.

A Abreugrafia popularizou-se como método de diagnóstico de massas de baixo custo e de fácil execução. Em localidades com tuberculose endêmica a abreugrafia era feita gratuitamente beneficiando a população fig.12). Com a evolução da tecnologia foram criados equipamentos móveis, que percorriam fábricas e escolas fazendo os exames de funcionários e alunos (fig.13). Com a diminuição dos casos e dos custos com outros equipamentos, a abreugrafia foi abandonada, mas sem jamais esquecermos o pioneiro que foi Manoel de Abreu.

12

A invenção de Manoel de Abreu foi responsável pela maior revolução no campo de diagnóstico precoce das doenças do tórax, principalmente a tuberculose e o câncer de pulmão. O método desenvolvido pelo médico era muito eficaz e permitia a realização de um grande número de 13exames em um curto espaço de tempo. A invenção de Abreu possibilitou o rastreamento da tuberculose, de tumores e doenças pulmonares ocupacionais (associadas ao trabalho). O seu custo operacional reduzido e sua alta eficiência proporcionaram a difusão mundial do método. Foram criadas unidades móveis com aparelhos de abreugrafia instalados em veículos, que realizavam as radiografias torácicas em locais públicos e em grandes indústrias. Na Alemanha, até o ano de 1938 o número de exames feitos já ultrapassava os 500 mil.

A importância de sua obra rendeu-lhe inúmeras homenagens no Brasil e no Exterior, como Cavaleiro da Legião de Honra da França, medalha de ouro do Médico do Ano em 1950 do Colégio Americano de Médicos do Tórax, bem como conduziu à criação da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e à publicação da “Revista Brasileira de Abreugrafia”.

Manoel de Abreu foi poeta, atividade pouco conhecida. Escreveu os livros de poesias “Substâncias” (fig.14) com ilustrações de Di Cavalcanti (fig.14); “Poemas sem Realidade”, ilustrado por ele e “Meditações”, ilustrado por Portinari (fig.15).

003

Manoel de Abreu foi indicado cinco vezes indicado para o Prêmio Nobel de Medicina. Seus trabalhos e pesquisas levaram ao controle da doença no mundo, ao diagnóstico e tratamento precoces, a intervenções importantes no controle da saúde pública.

Fumante inveterado, faleceu de câncer de pulmão em 30 de abril de 1962 deixando ao mundo um legado de trabalho, dedicação e amor ao próximo, exemplo a ser sempre lembrado e seguido pelas novas gerações de médicos do planeta.

Manuel de Abreu foi responsável por evitar milhões de mortos por tuberculose no mundo inteiro, graças ao seu espírito incansável em prol da medicina. Lamentavelmente nenhum país do mundo, incluindo neste rol o Brasil, sua terra natal, emitiu selos em sua homenagem. No catálogo Zioni encontramos dois carimbos, um em 1974 (Zioni 2001) e outro em 1976 (Zioni 2406) em sua homenagem, contra quatro carimbos sobre a tuberculose respectivamente em 1953 (Zioni 389, fig.17), em 1963 (Zioni 951, fig.18), em 1999 (Zioni 6569, fig.19) e em 2002 (Zioni 7614, fig.20), todos enfatizando a luta contra a doença.

004

Manoel de Abreu, um humanista generoso, abriu mão da patente que lhe garantiria lucros sobre a venda dos aparelhos, pois desejava que seu processo diagnóstico estivesse disponível para um número maior de pessoas: “Eu vejo no horizonte a única porta aberta para o futuro, a da ciência (…) A ciência é de algum modo a única forma de ternura (…) As grandes descobertas da medicina foram realizadas por seres sonhadores, sublimes, inspirados pelo amor”.

21

 

Matéria publicada no Boletim Filacap, ano 41, Edição Especial, de agosto de 2015

Bibliografia:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-35862001000100010&script=sci_arttext
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Dias_de_Abreu
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abreugrafia
http://lcfaco.blogspot.com.br/2013/10/abreugrafia.html
Catálogo Zioni de Carimbos Comemorativos do Brasil
Revista Ser Médico nº 69 ano XVII out/dez 2014 pag. 36-38, História da Medicina, Fátima Lopes, CREMESP
Itazil Benício dos Santos, Vida e obra de Manoel de Abreu, o criador da abreugrafia, irmãos Pongetti editores, 1963
Imagens capturadas da internet através do site www.google.com

O Espiritismo e a Imprensa Espírita no Brasil

Boletim Filacap nº 182 – Agosto/2014

Não há como falar de Imprensa Espírita no Brasil sem antes discorrermos sobre a entrada no Kardecismo em nosso país. O Brasil oitocentista, imperial, católico por conviccção e por lei, com economia nitidamente ruralista começava a sentir os efeitos das mudanças sociais, filosóficas e políticas nascentes na Europa.

01
Quadra com carimbo comemorativo ao Centenário de Augusto Comte

As ideias novas, trazidas pelo Positivismo de Augusto Comte, (fig.1) mostravam um Brasil atrasado em relação aos ideais da Revolução Francesa terminada mais de um século antes, em 1799. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, lema que derrubou a Monarquia Absolutista, os privilégios feudais e aristocráticos estavam longe de aportarem em nossa terra.

As ideias trazidas da Europa, notadamente Paris, pela emergente aristocracia brasileira surgida com a independência do Brasil e principalmente no Segundo Reinado, para uma sociedade ambiciosa de curiosidade (e de mudanças?) aponta para todos os lados: sociais, políticos, filosóficos e religiosos.

O Kardecismo, doutrina codificada por Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail, Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) traz uma série de orientações vindas dos espíritos, não como religião ou concorrente de qualquer uma delas, mas como estudo filosófico, científico e também religioso baseado nos Evangelhos Cristãos. Circulado na França a Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de janeiro de 1858 a 1869 por Allan Kardec atua como divulgador da doutrina e das pesquisas feitas nesta área (fig.2).

Afirma-se que a história do espiritismo no Brasil remonta ao ano de 1845 quando, no então distrito de Mata de São João, na então Província da Bahia, teriam sido registradas as primeiras manifestações. De acordo com Divaldo Pereira Franco o ano teria sido 1849, tendo se caracterizado por um confronto entre elementos da Igreja Católica e espíritas, com a interveniência de força policial. O fenômeno das mesas girantes foi noticiado pela primeira vez no país pelo jornal “O Cearense” em 1853.

02

Nomes de relevo também se opuseram ao espiritismo no Brasil, dentre eles podemos citar Olavo Bilac (fig.3) e Machado de Assis (fig.4) . Ambos repudiavam a doutrina como sendo

03
Olavo Bilac

portadoras de teses absurdas, sem fundamentação plausível. Somadas às condições adversas, o estudo dos textos básicos do espiritismo era circunscrito aos homens letrados, muitos deles oriundos de famílias ilustres, que tinha na França o destino preferido para a formação estudantil, aproximando-os do que havia de mais inovador, tanto em termos religiosos, como científicos. Os filhos da elite agrária que cresceram no âmbito rural

04
Machado de Assis

e na mocidade se mudaram para cidades cresceu acentuadamente na segunda metade do século XIX. Eles buscavam o contato com as concepções modernizantes importadas da Europa, deixando para trás o ambiente rural que ainda era presente.

Para termos dimensão das contendas entre Igreja Católica e Kardecismo, podemos citar dois acontecimentos marcantes. O primeiro deles é a carta que foi enviada ao Arcebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim da Silveira, por Manoel da Silva Pereira, ex-major do exército. A carta criticava os ensinamentos espíritas que estavam sendo publicados pelo jornalista baiano, Luiz Olympio Telles de Menezes (fig.5) em Salvador. A segunda contenda foi estabelecida pelo Padre Juliano José de Miranda, da província da Bahia, o qual escreveu para o próprio Telles de Menezes, mostrando sua contrariedade aos princípios doutrinários do espiritismo.

05

Como forma de rebater as críticas, Telles de Menezes, pioneiro nas publicações espíritas, respondeu criando o jornal O Écho d’Além Túmulo (fig.6), periódico que iniciou suas atividades em 1869 e visava defender “[…] a verdadeira ciência, capaz de aproximar o homem de Deus” (Ó Écho D’além Túmulo, jul. 1869, n. 1, p. 1).

06O primeiro jornal espírita impresso e publicado no Brasil foi O Écho d’Além Túmulo: monitor do Spiritismo no Brasil (fig.6) . Datado de 1869, o jornal era impresso na Tipografia do Diário da Bahia, em Salvador. As “Condições d’a assignatura” eram especificadas na página do próprio jornal, na qual se podia ler que “O Echo d’Além Túmulo apparece, bimestralmente, em um folheto, in-8, contendo 50 páginas de impressão […] o pagamento deve ser sempre adiantado, para não haver interrupção na entrega”.

O Écho d’Além Túmulo circulou até março de 1870, contudo deixou para a imprensa espírita brasileira o legado de ter sido o pioneiro de um tipo de editoração que assumiria

proporções expressivas, estendendo-se até nossos dias.

A seguir temos a comentar “A Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Christo e Caridade” que pretendia ser o órgão oficial de divulgação dos “estudos e trabalhos” realizados em seu âmbito, bem como reunir outras entidades espíritas do período. Além disso, o periódico divulgava as decisões administrativas da organização que a idealizou. No frontispício do primeiro número publicado constava a seguinte informação:

A Revista, órgão official da Sociedade, redigida por sua Directoria, tem por fim preencher as vistas sociais, levando aos seus Membros o conhecimento das resoluções e deliberações administrativas e transmittindo o resultado dos estudos e trabalhos da Academia Spiritia de Sciencias. Será distribuída nos círculos ate o ultimo dia do mez (Revista da Sociedade…, jan. 1881, front.).”

A circulação do periódico era mensal e o último número do periódico ocorreu em de julho de 1882, quando a Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, sua mantenedora, vivenciava uma crise por falta de adeptos, que requeriam outra instituição menos restrita e que pudessem representar todos os Espíritas, dando abertura para a Federação Espírita Brasileira, consolidada em 1884.

Em reunião promovida por Elias da Silva, a 1 de janeiro de 1884, fundou-se a Federação Espírita Brasileira. No dia seguinte (2 de janeiro) foi eleita e empossada a sua primeira Diretoria, A instituição ficou inicialmente sediada na própria residência de Elias da Silva, o sobrado à rua da Carioca, 120.

07Nos seus anos iniciais, a FEB (fig.7, Zioni 3814) vivenciou diversas dificuldades quer de ordem administrativo-financeira quer ideológica no plano interno, e as turbulências políticas e sociais da Capital do país no plano externo. Como exemplo das primeiras, registrava-se uma cisão no movimento, entre os chamados “laicos” ou “científicos”, liderados pelo professor Afonso Angeli Torteroli; e os “místicos”, liderados por Bezerra de Menezes. Como exemplo das segundas, após a Abolição da Escravatura (1888) sucedeu-se a Proclamação da República Brasileira (1889) e as comoções vividas pela República da Espada, entre as quais a Segunda Revolta da Armada (1893). Tais circunstâncias resultaram no abandono da FEB por grande parte dos seus membros iniciais, deixando a sobrevivência da instituição a cargo de alguns poucos colaboradores.

08Em 1889, o médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes (fig.8, Zioni 3560) assume à frente da instituição, instituindo o estudo sistematizado de O Livro dos Espíritos nas reuniões públicas realizadas no salão da Federação. Em 1890 foi instituído o “Serviço de Assistência aos Necessitados”, importante base para a atuação dos médiuns receitistas na instituição. Bezerra foi sucedido no início de 1895 por Júlio César Leal. Vindo este a renunciar após sete meses de gestão, Bezerra aceitou ser reconduzido, reassumindo a Presidência da Federação a 3 de agosto de 1895, cargo que exerceu até à sua morte em 1900. Durante este mandato, foi inaugurada a livraria da FEB (31 de março de 1897), responsável pela edição, distribuição e divulgação da literatura espírita.

Em 1932, a FEB publicou o seu primeiro grande sucesso editorial: o “Parnaso de Além-Túmulo”, que alcançou grande repercussão junto à imprensa e à opinião pública brasileira. O formato da obra não era novo: seguia os moldes de outra obra cujos direitos a instituição já possuía – Do País da Luz (4 vol.) -, coletânea de mensagens (textos, cartas e poemas) majoritariamente de autores renomados da literatura portuguesa, desencarnados, recebidos na primeira década do século XX pelo médium português Fernando de Lacerda. A autoria dos textos no Parnaso, recebidos pela mediunidade psicográfica do então jovem Francisco Cândido Xavier era predominantemente de figuras da literatura brasileira.

Às vésperas da implantação do Estado Novo, em 1937, no dia 27 de outubro, as dependências da FEB foram fechadas pela polícia, vindo as suas portas a ser reabertas três dias mais tarde, por determinação do Dr. Macedo Soares, então Ministro da Justiça.

O período seria marcado, ainda, pela abertura, em 1944, do famoso processo movido pela viúva do escritor Humberto de Campos contra a FEB e Francisco Cândido Xavier (fig.9), visando receber direitos autorais pretendidos sobre as mensagens psicografadas supostamente atribuídas ao seu finado marido. A partir de então, a entidade passaria a se utilizar do pseudônimo “Irmão X”.

09

Neste ponto que chegamos, o Kardecismo é uma doutrina atuante no Brasil, assim como diversos cultos Cristãos; o país se tornou, com sua legislação atualizada, tolerante com todos as religiões e vertentes filosóficas e sociais, numa tentativa de, após mais de dois séculos, absorver os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Revolução Francesa.

Bibliografia:
IMPRENSA ESPÍRITA E ELITE LETRADA NO BRASIL OITOCENTISTA, 2013
Alessandro Santos da Rocha, Universidade Estadual de Maringá – UEM
Cézar de Alencar Arnaut de Toledo, Universidade Estadual de Maringá – UEM
Intelectuais, Espíritas e Abolição da Escravidão: Os Projetos de Reforma na Imprensa Espírita 1867-1888)
Daniel Simões do Valle, Universidade Federal Fluminense, Defesa de Tese de Mestrado, 2010
www.girafamania.com.br
http://www.wikipedia.org

XXX Aniversário do Martírio dos Padres João Fuchs e Pedro Sallicilotti

Boletim Filacap nº 181 – Junho/2014

01Existe um envelope comemorativo do XXX Aniversário do Martírio dos Padres João Fuchs e Pedro Sacilotti por conta do carimbo Zioni nº 1009 emitido em São Paulo de 1º a 7 de novembro de 1964. Martírio significa grande sofrimento, suplício de martir, aflição.

O Padre João Fuchs nasceu no Cantão de Lucerna, na Suiça Alemã em 1880 e pouco se sabe de sua infância, a não ser um sentimento católico grande na família. Em 1901 fez o noviciato em Lombriasco, Itália vindo para Mato Grosso trabalhar em colégios como professor de ciências físicas e naturais. Retornou à Itália para tratamento de saúde e volta como missionário outra vez em Mato Grosso. Atendeu aos índios Bororós e a filhos de colonos na arte de ensinar, além da assistência religiosa aos garimpeiros.

Naquêle biênio de 1933 e 1934 a grande ânsia de Pe. Fuchs e de Pe. Sacilotti era encontrar os Xavantes que fugiam do encontro com os civilizados, procurá-los representava também o perigo da morte.

Padre Pedro Sacilotti nasceu São Paulo, em 1898, brasileiro descendente de família italiana 02de Veneza. Iniciou os estudos religiosas no Aspirantado de Lavrinhas e após foi enviado a Turim onde se ordenou padre em 1925.

Ambos os padres eram da Congregação Salesiana, uma Congregação religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana fundada em 1859 por São João Bosco e aprovada em 1874 pelo Papa Pio IX. Seu nome oficial é Pia Sociedade de São Francisco de Sales em homenagem a São Francisco de Sales, contudo, são popularmente conhecidos por salesianos de Dom Bosco.

03O principal foco da missão salesiana são os jovens, especialmente os pobres e em situação de risco. Em vista disso os salesianos trabalham também nos ambientes populares, com atenção aos leigos evangelizadores, à família, à comunicação social, e entre os povos ainda não evangelizados. A congregação é composta por irmãos de vida consagrada, que fazem votos simples de castidade, pobreza e obediência podendo optar também pelo sacerdócio. Entre as obras da Congregação salesiana pode-se citar os colégios e serviços beneficentes, espalhados por várias partes do mundo.

Os índios Xavantes estavam espalhados ao longo do Rio das Mortes, afluente esquerdo do Rio Araguaia em aldeias espalhadas entre o primeiro e o rio Koluene (maior braço formador do Xingu).

Em 1932 o Padre Fuchs obteve de seus superiores a licença de estudar e preparar um plano de penetração na selva e encontrar os Xavantes. Da cidade de Rio Conceição em canoa, enfrentando a subida do Rio Araguaia penetrou no Rio das Mortes até o barranco dos Xavantes. Ergueu ali um grande cruzeiro de cinco metros de altura e tomou posse em nome de Deus. Desciam o Araguaia, após o Padre Fuchs, o Padre Sacilotti com tres familiares para o encontrarem na localidade de Cocalinho.

04Em 4 de agosto de 1932 os dois padres e sua comitiva acamparam no Rio Cristalino, rio paralelo entre o Rio das Mortes e o Araguaia, seguindo a Santa Terezinha, aonde levantaram outro cruzeiro e rezaram uma missa, porém ainda sem avistar nenhum Xavante. Retornaram a Araguaiana.

Até 1933 o Padre o Padre Fuchs tinha percorrido milhares de quilometros e queria realizar o contato com os Xavantes antes da data de canonização de Dom Bosco. Com esse intuito foi a Belém do Pará adquirir uma lancha a motor (batizada de Maria Auxiliadora). A onda de azar (se é que assim se pode chamar) começou com a viagem de volta ao Rio das Mortes. Em São Benedito numa manobra inadvertida, a lancha entrou num redemoinho, virou e bateu contra pedras, sendo danificada.

A 25 de junho, na sequencia da viagem, aparecem as doenças tropicais. Chegando na cidade de Conceição foi hóspede dos Padres Dominicanos para tratamento e descanço. Em 16 de agosto retoma viagem e chega no dia 27 ao Rio das Mortes. Em Santa Terezinha reencontra-se com o Padre Pedro Sacilotti.

Explorando o rio, na localidade de Mato Verde, em frente a Ilha do Bananal construiram um rancho e em 3 de dezembro foi inaugurada a nova missão de São Francisco Xavier, assistindo à Missa um grupo de índios Carajás.

Em 24 de março de 1934 voltaram a navegar no rio das Mortes. Na baia de São João Bosco encontraram o cruzeiro derrubado e o levantaram. Encontraram ranchos abandonados e dormiram alí. No dia seguinte rezaram a Missa e continuaram.

Injustiça seria esquecer de José Pellegrino, nascido em Benevagienna, Itália em 1880. Veio ao Brasil com uma comitiva para Mato Grosso, trabalhando em várias casas e sendo designado cozinheiro em Araguaiana. Pessoa alegre, mas franzina e com defeito nos pés acompanhava os Padres nesta última empreitada, e se não foi vítima dos Xavantes, foi do próprio Rio das Mortes.

Em 1º de novembro de 1934 avistaram dois índios Xavantes num barranco. Os padres e o índio bororó Luis, piloto da lancha, Militão Soares, de Cocalinho, o garimpeiro holandês João Schiller e Serafim Marques, de Araguaiana aproximaram-se deles e o Padre Pedro falou-lhes em carajá, mas recebendo resposta ameaçadora. Os padres pediram que os tres integrantes da comitiva buscassem presentes no acampamento. Em seguida apenas se ouviu o Padre Pedro Sacilotti gritar: “Os Xavantes atacam!”. Havia cerca de cinquenta Xavantes escondidos nas folhagens da mata.

Todos fugiram desabaladamente , mas os dois padres enfrentaram o suplício. No dia seguinte a comitiva fez uma busca e encontrou os dois cadáveres a cerca de 500 metros do barranco, ambos com o cranio fraturado. Transportados para a margem, foram enterrados na beira do rio. Meses depois os restos mortais foram transportados para Araguaiana no cemitério que já acolhia os despojos de Pellegrino.

05

Bibliografia:

Salesianos Defuntos 1894-1954

Wikipedia

Museus: As Coleções Criam Conexões

EXPOSIÇÃO FILATÉLICA DE ITAQUAQUECETUBA
12 a 18 de maio de 2014 – Boletim Informativo da SPP nº 220 – Agosto de 2014

ITAQUAQUECETUBA, SUA HISTÓRIA

A cidade de Itaquaquecetuba deve sua criação ao então presidente da província, Bernardo João Pinto Gavião Peixoto, com o nome de vila Nossa Senhora d’Ajuda, em 7 de setembro de 1560, sendo estabelecida na beira do Rio Tietê quando o padre José de Anchieta, juntamente com vários missionários, chegou à região com a finalidade de catequizar os índios guaianases.

A população começaria a crescer apenas em 1624, quando o padre João Álvares, construtor da capela da Conceição de Guarulhos e também da de São Miguel, decidiu levantar em sua propriedade localizada bem ao lado da aldeia de Itaquaquecetuba, um oratório em louvor a Nossa Senhora d’Ajuda que, em seguida, tornar-se-ia capela “que serviu de núcleo à povoação, legando-a, por sua morte, ao colégio dos jesuítas”. Este foi o marco inicial da povoação, que logo viria a se fixar em seu redor, com o nome, de Nossa Senhora da Conceição de Itaquaquecetuba, elevado à categoria de freguesia pela lei nº 17, de 28 de Fevereiro de 1838. A denominação reduzida para Itaquaquecetuba ocorreu somente no século XX, quando se separou de Mogi das Cruzes com sua elevação a município, pela lei Nº 2.456, de 30 de dezembro de 1953.

O primeiro censo realizado na Aldeia de Nossa Senhora d’Ajuda, em 1765, apresentou os seguintes resultados: 109 mulheres e 117 homens. Pouco cresceu a aldeia durante os próximos quase duzentos anos. Foi com a inauguração da variante da Estrada de Ferro Central do Brasil em 1925 que Itaquaquecetuba começou a crescer e a prosperar. A população segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010 é de 321 854 habitantes e a área é de 81,8 km². Está a 42,5 quilômetros de São Paulo, capital estadual.

“Itaquaquecetuba” é um nome de origem tupi que significa “ajuntamento de taquaras-faca”, através de junção dos termos takûara (taquara), kysé (faca) e tyba (ajuntamento).

12ª SEMANA NACIONAL DE MUSEUS

Ocorre anualmente em celebração ao Dia Internacional dos Museus, 18 de maio em âmbito mundial. No Brasil o evento é realizado por intermédio do Ministério da Cultura através do Instituto Brasileiro de Museus, IBRAM. O município de Itaquaquecetuba foi convidado a participar, e aceitando a nobre tarefa promoveu uma Exposição Filatélica no período de 12 a 31 de maio de 2014.

O evento teve a coordenação do Sr. João Roberto Baylongue, membro da SPP, presidente da Associação Brasileira de Carimbologia e diretor da empresa JRB Pesquisas, tendo uma programação variada sobre a filatelia e montagem de coleções:

  • Oficina de Práticas de Organização de Coleções de Selos
  • Tema aberto ao público de Como iniciar uma coleção, com exibição de filme
  • Encontro ”Promover a interação do educador nas diversas coleções”
  • Ação educativa através da recepção, orientação e participação dos estudantes e público em geral
  • Exposição Filatélica com o tema Filatelia “As Coleções Criam Conexões”

A Exposição e Encontro de Colecionadores de Itaquaquecetuba teve o apoio da Prefeitura Municipal, da Diretoria Regional dos Correios de São Paulo Metropolitana, da Federação das Entidades Filatélicas do Estado de São Paulo, da Associação Brasileira de Jornalistas Filatélicos e da Sociedade Philatélica Paulista, SPP.

Foram expostas 15 coleções de 13 filatelistas, sendo 8 coleções de membros da Sociedade Philatélica Paulista:

  • Cinco Continentes, de Rosa Sazatornil Angulo
  • Arte em Exposição, de Teruya Kazama
  • Visitando a Região, Carimbologia Regional, de Antonio Carlos Fernandes
  • Escravidão no Brasil, Presidentes da República, de Roberto Antonio Aniche
  • Homenagem a Ferraz: Vinicultura, de Reinaldo Basile
  • Trilhos do Passado, Ferrovias de Hoje, de Vilmar de Jesus Brito

SAMSUNG CAMERA PICTURESNo sábado 17 de maio, o filatelista Dr. Roberto Antonio Aniche promoveu uma palestra sobre a coleção “Escravidão no Brasil” explicando este período da história do Brasil nos seus aspectos políticos, sociais e econômicos, com boa afluência de visitantes, incluindo membros da SPP e do Clube Filatélico de Suzano com grande repercussão sobre o delicado tema.

Por iniciativa e criação do Sr.João Roberto Baylonge foi ministrado um curso permanente durante toda a exposição através de 5 quadros da exposição:SAMSUNG CAMERA PICTURES

  • Como conseguir seus selos
  • Lavando os selos
  • Secando e selecionando
  • Materiais filatélicos
  • Montagem de coleção

mostrando, de uma maneira didática, simples e eficiente como iniciar uma coleção de selos a todos os interessados nesta arte.

SAMSUNG CAMERA PICTURESA Exposição no Museu Municipal de Itaquaquecetuba foi visitada por aproximadamente 1.100 pessoas, entre público, estudantes e professores. Nesta última categoria a Exposição teve a presença de cerca de 100 professores nas oficinas de filatelia, adquirindo conhecimentos de forma pedagógica para levar até as salas de aula a importância do colecionismo na educação dos jovens.

Iniciativas como esta, valorizando e mostrando a Filatelia ao público em geral, a estudantes e professores, a clubes filatélicos e a filatelistas, como instrumento de cultura e divulgação de todos os ramos do conhecimento humano conseguem fortalecer e tornar a sociedade melhor, construindo alicerces para um futuro promissor.

A Filatelia, com seu imenso potencial pedagógico, pode transformar aulas “comuns” em aulas animadas, interessantes e motivadoras, em vista das possibilidades de desenvolver nos alunos o gosto pelo estudo e pelo processo de construção do conhecimento. Contribui significativamente para aumentar o senso de observação e análise, estimula a criatividade, desenvolve habilidades e incentiva a sociallização, bem como o interesse dos alunos em realizar pesquisas e ilustrar trabalhos escolares com imagens de selos sobre os mais diversos temas relacionados ao Brasil e o mundo.” (João Roberto Baylongye).

 

Fotografias:

1 – Dr.Roberto Aniche em palestra sobre a sua coleção “Escravidão no Brasil”
2 – Público presente às explicações das coleções
3 – Antonio Carlos Fernandes e João Roberto Baylongue, curador da exposição
4 – Almoço de confraternização: Teruya Kazama, João Roberto Baylongue, Antonio Carlos Fernandes e Dr.Roberto Aniche

Amigos Temporários e Grandes Amigos

Um mês sem comparecer à SPP é tempo demais e me trouxe a necessidade de voltar a ter o contato com todos os que a fazem ser como ela é: um local de descontração, troca de conhecimentos ou até para passar o tempo sem os aborrecimentos do nosso dia a dia.

Tive (e ainda tenho) um problema de saúde que me afastou nestes últimos trinta dias, não só das minhas atividades filatélicas, mas também do meu trabalho e do meu convívio social. Fui colocado de castigo pós-cirúrgico, de bengala e sem dirigir. Mas neste aniversário de 95 anos da SPP alguma coisa teria que mudar.

A dificuldade de me locomover até o Largo do Paissandu foi contornada. Quando digo que colecionar selos não é guardar peças filatélicas no cofre, mas guardar amigos e amigos no cofre do coração não estou exagerando. O problema foi contornado pelo Dr. Braz, mais do que nosso conselheiro jurídico, que teve o prazer de passar em casa e levar, eu e meu amigo temporário, a minha bengala, para a nossa sede. Sai da minha toca e chegeu à SPP.

01A conversa flui agradável e não poderia ser diferente. Todos, na SPP deixam de fora os problemas cotidianos para entrar num universo mágico de descontração e fraternidade. O churrasco, como sempre, estava insuperável. O mestre Miguel, especialista na arte, fez o melhor que pode. A cada evento ele se supera, dono de um enorme bom humor.

Sermos servidos, eu e minha bengala, pelo Miguel foi outro prazer indescritível. Fotografias à parte, ela, a bengala foi a alegria da festa: ela sofreu algumas tentativas de sequestro, mas sempre me servindo para as poucas caminhadas que precisei fazer. Nunca me havia atentado para o quão grande é o nosso salão social e como é difícil vencer pequenas distâncias sem minha amiga temporária.

Encontrar os amigos na SPP trouxe uma alegria inusitada no sábado de aniversário. Sérgio Marques, Cláudio, Tony, Antonio Carlos, nosso presidente o Basile, o velho amigo Alfredo e o Baylongue, e tantos outros que não caberiam neste artigo (e que peço desculpas por não citá-los um a um) todos incansáveis defensores da filatelia e da SPP e guardados no cofre dos amigos.

02

Diversões e divagações à parte, o Leilão Beneficiente foi como sempre divertido e concorrido. Apenas um momento de tensão: alguém passou a minha querida bengala junto com as peças, imediatamente recuperada e salva no último instante! Já imaginaram ter que pagar para reconquistar uma amiga recente e indispensável?

Hora de ir embora. A solicitude do amigo Dr.Braz me levando até minha residência, com uma conversa agradável de velhos amigos fechou o sábado com chave de ouro. Eu insisto com a tese, comprovada inúmeras vezes: colecionar selos é encher o cofre do coração de amigos, o cofre do cérebro de conhecimentos e o cofre de alma dos mais sinceros sentimentos de amizade, fraternidade e humildade, que nos enriquecem ao extremo.

Esta é a minha SPP, aonde cada aniversário a torna maior no número de amigos e conhecimentos, em grandeza e humildade. Não esqueci a minha bengala, amiga temporária que me fez ver quantos amigos permanentes eu já fiz na estrada da vida.

Dela, espero me esquecer em breve, dos outros amigos, jamais!

Abril/2014

 

O Extinto Pássaro Dodô

BOLETIM DA SPP Nº 219 – ABRIL/2014

O EXTINTO PÁSSARO DODÔ

01 PASSARO DODOO Pássaro Dodô, também chamado de Dronte (Raphus cucullatus) foi uma ave não-voadora extinta das Ilhas Maurícias, uma das ilhas Mascarenhas na costa leste da África, perto de Madagascar, no Oceano Índico. A ave mais próxima geneticamente foi a também extinta solitário-de-rodrigues, também da subfamília Raphidae da família das pombas; sendo que a mais semelhante ainda viva é o pombo-de-nicobar.

O dodó tinha cerca de um metro de altura e podia pesar entre 10 e 23 quilos. A aparência externa é conhecida apenas por pinturas e textos escritos no século XVII, e por causa dessa considerável variabilidade a aparência exata é um mistério. Pouco se sabe com exatidão sobre o habitat e o comportamento, pois há poucos e discordantes textos descritivos: plumagem cinza acastanhado, pata amarela, um tufo de penas na cauda, cabeça cinza sem penas, e o bico de cerca de 23 centímetros, amarelo e verde.

A moela ajudava a ave a digerir os alimentos, incluindo frutas, e acredita-se que o principal 02 SELO MAURICIOhabitat tenha sido as florestas costeiras nas áreas mais secas das Ilhas Maurícias. As pedras da moela do Dodô eram de basalto (segundo alguns textos) e não existiam no local onde tinham sido desenterrados os ossos do dodó, mas a milhas de distância. Essa pedra ia crescendo á medida que crescia a moela, até atingir proporções do tamanho de um ovo de galinha. A pedra da moela dos dodós era a preferida para amolar facas!

Presume-se que o dodó tenha deixado de voar devido à facilidade de se obter alimento e a 03 SELO MAURICIOrelativa inexistência de predadores nas Ilhas Maurícias.

A primeira menção ao dodó do qual se conhece foi através de marinheiros holandeses em 1598 (os portuguêses visitaram a ilha em 1507, mas não fizeram relatos da ave). Nos anos seguintes, o pássaro foi predado por marinheiros famintos; seus animais domésticos e espécies invasoras que foram introduzidas durante esse tempo alimentavam-se dos ovos nos ninhos. A última ocasião aceita em que o dodó foi visto data de 1662. A extinção não foi imediatamente noticiada e alguns a consideraram uma criatura mítica. No século XIX, pesquisas conduziram a uma pequena quantidade vestígios, quatro espécimes trazidos para a Europa no século XVII. Desde então, uma grande quantidade de material subfóssil foi coletado nas Ilhas Maurício, a maioria do pântano Mare aux Songes.

04 SELO MAURICIOA extinção do Dodô em apenas cerca de um século após seu descobrimento chamou a atenção para o problema previamente desconhecido da humanidade envolvendo o desaparecimento por completo de diversas espécies.

As primeiras descrições conhecidas destas aves foram feitas pelos holandeses, que chamaram o pássaro mauriciano de walghvogel ( “pássaro chafurdador” ou “pássaro repugnante”), em referência ao 05 PASSARO DODOseu gosto. Embora muitos escritos posteriores digam que a carne era ruim, os primeiros jornais apenas diziam que a carne era dura, mas boa, embora não tão boa como a dos pombos, abundantemente disponíveis. O nome walgvogel foi usado pela primeira vez na revista do vice-almirante Wybrand van Warwijck que visitou a ilha em 1598 e denominou-a Maurícia.

Alguns autores atribuem o nome Dodô à palavra holandesa dodoor para “preguiçoso”, mas ele provavelmente está relacionada à dodaars (“nó-bunda”), referindo-se ao nó de penas sobre o traseiro do animal. O primeiro registro da palavra dodô está no relato do capitão Willem van Westsanen de 1602. Thomas Herbert usou o termo Dodo em 1627, mas não está claro se ele foi o primeiro a vê-lo, pois os portugueses já haviam visitado a ilha em 1507, embora não06 SELO LAOS tenham mencionado a ave. De acordo com o Microsoft Encarta e o Chambers Dictionary of Etymology, Dodo seria derivado do português arcaico doudo (atualmente doido). Também há textos afirmando que o nome foi uma aproximação onomatopaica do som que elas produziam, um piado de duas notas, que soava como “doo-doo”.

O último dodó foi morto em 1681, e não foi preservado nenhum espécime completo, apenas uma cabeça e um pé. Os restos do último dodó empalhado conhecido tinham sido mantidos no Ashmolean Museum em Oxford, mas em meados do século XVIII, o modelo – salvo as peças ainda existentes hoje – estava completamente estragado e foi jogado fora.

Em 1681, menos de 100 anos depois da chegada dos holandeses à ilha, o dodô foi declarado oficialmente extinto. Hoje, tudo o que resta do animal são esqueletos em museus na Europa, nos Estados Unidos e também em Maurício. A ciência garante que três espécies de dodó se extinguiram nas três ilhas nos três últimos séculos, e que só uns treze animais vivos viajaram das Mascarenhas para outras partes do mundo, entre elas um para o Japão.

Por fim, o Pássaro Dodô ficou imortalizado por fazer parte do desenho animado Alice no País das Maravilhas, de Walt Disney, sendo parte da cultura popular, frequentemente como um símbolo da extinção e obsolescência sendo frequente o seu uso como mascote das Ilhas Maurício.07 DISNEY PASSARO DODO

Bibliografia:
Mundo Estranho – Abril
Wikipedia.org
Infoescola.com
br.monografias
girafamania.com.br

Sepulturas e Cemitérios

Coleção de um quadro exposta na Brapex em novembro de 2015, Afinet em agosto de 2016, Expo-SPP em agosto de 2017 e Brapex em Outubro de 2017 em Brasília.

A coleção foi iniciada a partir de uma única peça, o Cartão Postal circulado em 1938 autografado por Clélia Garibaldi, filha de Giuseppe Garibaldi, comprada na Filatélica Marek, em São Paulo, como curiosidade. Clélia Garibaldi criou um Museu em memória de seu pai e vendia souvenirs, como este cartão autografado, para auxílio aos órfãos. A partir dai, foram cinco anos garimpando peças que trouxessem imagens de sepulturas e cemitérios para concluir a coleção.